Querem apertar a gente…

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[A minha opinião é passível de críticas!]

O Protocolo de Quioto está pra vencer em 2012, e os países já se movimentam em torno da Conferência de Copenhagen, neste ano, da qual deve sair o substituto do Protocolo de Quioto.

Como todos sabem, o Protocolo de Quito sempre deu muita polêmica. Os Estados Unidos assinou, mas não ratificou. A Austrália, Israel e outros fortes aliados dos EUA também não aceitam. Enfim, está na hora mesmo de se tentar um acordo mais consensual.

Mas, como a gente sabe muito bem, já tem país querendo se aproveitar disso. A União Européia já começou a divulgar as propostas que vai fazer na conferência deste ano. Uma delas, em particular, chamou a minha atenção: Os países emergentes deverão se comprometer a cumprir metas mais rígidas e detalhadas sobre reduções de emissões de poluentes para terem acesso a financiamentos para projetos sobre mudanças climáticas e contra o desmatamento.

Isso é muito polêmico, de verdade. É claro que os países devem se comprometer com regras sobre poluição. Mas, por trás disso, sabe-se que há outros interesses. Um deles, certamente, está relacionado com a China. O país cresce muito às custas do meio ambiente. E aí é que entra a polêmica. Até onde a União Européia está interessada mesmo no meio ambiente e não em frear o desenvolvimento de outros países?

Sinceramente, pra mim isso não importa muito. Eu acho que todos têm o direito ao desenvolvimento, desde que respeitem o que é compartilhado por todos, como o meio ambiente. E sobre a tal da soberania, é claro que o país a tem, mas somente sobre aquilo que é dele e só dele, como seu território, por exemplo. Se a poluição ficasse restrita ao um dado território e ao controle do exército, aí o próprio país que se virasse. Mas não é desse jeito…

Se bem que, em alguns casos, eu concordo com o presidente Lula. Uma vez ele disse que não queria saber de a UE ficar criticando as políticas de preservação da Amazônia do Brasil porque, enquanto estamos, por pior que seja, com a maior parte da floresta amazônica nativa preservada, eles têm menos de 1% das florestas originais. Isso é verdade…

Mas esse assunto ainda vai gerar muitas críticas. Vamos esperar pelo fim da Conferência de Copenhagen este ano e ver o que vai dar…


Categorias: Organizações Internacionais


8 comments
Mônica
Mônica

Olá, em primeiro lugar parabéns a todos pela iniciativa e com certeza me tornei uma leitora do blog. Sobre as ratificações do protocolo, a Austrália ratificou o protocolo de Quioto tão logo mudou o governo em 2007 e as mudanças climáticas foram um grande tema daquelas eleições. Outra coisa é que Israel também ratificou o protocolo.Hoje, apenas os EUA, dentre os países que fazem parte do UNFCCC, não ratificou o protocolo. Uma curiosidade é que o Iraque é apenas membro observador do UNFCCC e nem consta na lista.Veja o link do unfccc sobre o estado das ratificações: http://unfccc.int/files/kyoto_protocol/status_of_ratification/application/pdf/kp_ratification.pdfAbraços e Sucesso! Mônica Araujo

Erlon Faria Rachi
Erlon Faria Rachi

Concordo que a agenda ambiental deste governo (e dos outros que o antecederam, diga-se de passagem) é pífia!Mas aí cabe a nós, blogueiros, internautas, como quer que nos chamemos... a propagar as coisas como elas são. Chamar as coisas pelo devido nome.Simplesmente não há política ambiental, tampouco política para reduzir nossas emissões!Não há quem certifique que as emissões que estão sendo canceladas estão de fato sendo implementadas.Não há sequer uma metodologia comum para medir todas essas coisas!E o Itamaraty simplesmente não tem capacidade para lidar com este tipo de coisa (não tem mesmo)... tenho uma historia muito engraçada sobre uma resposta que recebi do Itamaray sobre o tema da segurança India-Paquistão-Afeganistão, que conto outra hora.O fato é que iremos a Copenhague sem saber o que iremos fazer por lá... muito menos o que teremos de fazer (como governo, como país) quando voltarmos de lá.Essa é a pior parte sobre a conferência do clima.

Alcir Candido
Alcir Candido

Então, acontece que a diplomacia brasileira, sobretudo no governo Lula - que quer apoio pros seus esforços impossíveis, como a cadeira permanente no conselho de segurança da ONU ou um acordo no qual só os emergentes saiam ganhando na rodada Doha - tem se comprometido com muita coisa, mas não faz nada na prática. Por exemplo, foram lá na Polônia e apresentaram um plano de redução voluntária para as emissões de carbono. Tudo bem, mas até hoje o mercado de carbono não tem uma só lei desente que o incentive ou o regulamente de alguma forma. Tanto que nos EUA já estão acusando algumas empresas brasileiras que vendem créditos de carbono pra conseguir uma renda extra de dumping. E, pelo menos, se o governo estivesse fazendo alguma coisa, nem que fosse uma das milhões de medidas provisórias pra dar um incentivo que seja pras empresas que querem reduzir as emissões e atuar no mercado de carbono, já que esse é o jeito de o Brasil reduzir as emissões, tudo bem, mas não se faz nada. Por isso, eu concordo com vc, por exemplo, quando vc diz que é do nosso interesse o desmatamento zero, sempre pensei assim, mas o governo tem outras prioridades...

Erlon Faria Rachi
Erlon Faria Rachi

Uia... mas aí a questão é outra.Não se trata mais de abordar uma questão específica: O aquecimento global. Trata-se de ir pra Copenhague e dizer: "Sim, o mundo vai aquecer e eu não quero fazer nada".Isto não tem nada a ver com a tese do Lula (e do Itamarati, que aparentemente foi revertida em conferência recente na Polônia, quando apresentamos um plano de redução voluntária de nossas emissões) de que os países ricos querem "sabotar" o nosso desenvolvimento ao nos impor limites de emissões.Aceitar limites de emissões é o que é do nosso maior interesse, até para ter um motivador que nos possibilite vencer estes lobbies arcaicos.

Alcir Candido
Alcir Candido

Erlon, muito bom seu comentário, e eu tenho de concordar com vc. O problema é que parece que nosso governo não está muito interessado em promover o desenvolvimento sustentável. Além disso, é praticamente impossível 'vencer' quem faz as suas leis (fazendeiros, etc) do Norte com um fiscal do IBAMA a cada não sei quantos mil quilômetros quadrados...

Erlon Faria Rachi
Erlon Faria Rachi

AlcirLegal o seu POST (e pretendo contribuir com certa regularidade)... mas confesso que por trás do seu raciocínio há uma idéia com a qual fomos criados e que não é mais verdadeira: A de que desmatamento equivale a desenvolvimento.Aliás, o OPOSTO disto é a tese central de todas as bandeiras da luta do Chico Mendes, lá se vão tantos anos!Desmatar, pelo contrário, leva à pobreza, ao subdesenvolvimento, àquelas famílias miseráveis com um monte de filhos, elas próprias ignorantes e os filhos também, perpetuando uma situação de miséria!DESMATAMENTO ZERO é do nosso interesse... é do nosso interesse ocupar TODOS os biólogos formados neste país todos os anos, durante muitas décadas para pesquisar os bichos e plantas que crescem nestas florestas.DESMATAMENTO ZERO, com limites nas emissões e captando recursos dos créditos de carbono para financiar uma rede de institutos de pesquisa e centros tecnológicos para descobrir (E PATENTEAR) medicamentos, novos materiais, novas tecnologias.DESMATAMENTO ZERO para financiar uma rede de bolsistas (milhares, senão milhões). Estudantes que suplantarão a situação de miséria dos pais e quebrarão o ciclo da pobreza.DESMATAR foi a forma que o seculo XIX e XX encontraram para financiar o desenvolvimento... hoje não é mais assim, vejamos: A madeira foi usada nos paises ricos como material para produção de bens (hoje o material do futuro são os nanotubos de carbono); para aquecer lares (hoje o gás natural, a eletricidade e outras fontes alternativas são mais baratas); para construir casas (hoje há alternativas mais baratas que a madeira).A terra, livre da floresta, estava aberta para a construção de casas, lavouras, etc.. hoje consegue-se mais resultados da terra (produção agrícola) com insumos adequados do que limpando capoeirões (vide a EMBRAPA, BUNGE, MONSANTO e a utilização de fertilizantes e manejo de pragas). A Excessão é a pecuária extensiva... que só é viável porque politicamente não houve um ajuste de impostos nem de "legalização" dos produtores, mas que virá, com as constantes "certificações" que nossos clientes internacionais de carne estão a exigir.Por isso, DESMATAR não é igual a DESENVOLVER... pelo contrário! E sacrificar nosso maior ativo: Biodiversidade em prol de ganhos irrisórios no presente, sacrificando as futuras gerações.O Desmatamento representa quase 70% das nossas emissões.Paises ricos podem opor-se aos limites às emissões, pois implica em mudar termoelétricas e padrões de carros (fontes principais das emissões deles). Mas para nós... ora, é uma oportunidade, pois enquanto eles não se adaptam lá, deverão pagar pelo EXCESSO de emissões que não conseguirem eliminar... e pagarão justamente para países como nós, que terão interesse (e condições) de diminui-las e de receber.É muito mais caro mudar uma termoelétrica (caso dos ricos) do que contratar fiscais, helicopteros e dados de satélite para impedir o desmatamento ilegal (como é o nosso caso).A avaliação do Lula, assim como a sua, implícita no seu post, estão ambas, fundamentalmente, erradas.Abraço e parabéns pelo BLOG.