Quem tiver olhos, veja

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Chega de notícias ruins sobre a Síria! Não que seja necessariamente boa, ou que vá mudar muita coisa do que está ocorrendo por lá, mas na semana passada foi assinado um cessar-fogo entre governo e oposição. Claro que o governo continua reprimindo os manifestantes e matando gente a rodo, mas pelo menos é um passo inicial pro plano de paz negociado por Koffi Anan. Além disso, o Conselho de Segurança finalmente baixou uma resolução aprovando o envio de observadores pra região. Isso depois de muito tempo amaciando China e Rússia, mas poderemos finalmente ter gente checando os abusos e violações dos direitos humanos enquanto não podem fazer nada. Mas, já é um começo. 

Qual vai ser o papel desses observadores? Manter contato com as duas partes, verificar e denunciar abusos, além de preparar a chegada de grupos maiores depois dessa experiência inicial. A ideia, como em todo grupo de observadores enviado, é “constranger” as partes com a presença de gente de fora, evitando que cometam “excessos”. É como receber convidados num jantar – você não faz nada (ou ao menos tenta…) que possa render comentários maldosos que possam se espalhar pela vizinahça. E fica complicado quando o resultado desses comentários pode se tornar o envio de uma missão de paz da ONU ou coisa que o valha. Basicamente, é esse o poder desse tipo de missão. Porém, de certo modo, ainda é um modelo eficaz, afinal permite que se chegue a uma negociação mediada. Isso é importante em um país tomado por uma colcha de retalhos étnicos e religiosos como a Síria, em que existem divisões na própria oposição e caso haja a ascensão ao poder de um desses grupos minoritários, uma provável saída de Assad do poder apenas modificaria o nome do governante mas persistiria o conflito. 

Nem vamos entrar no terreno desastroso que seria uma solução pela via armada, como podemos ver no Afeganistão ou na Líbia. Esse é um momento crítico para esse conflito. A possibilidade de negociação é pequena, mas se vingar, pode ser a solução mais satisfatória para essa crise.


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