Quem quer dinheiroooo?

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Ano de eleição presidencial nos EUA é sempre a mesma coisa: os candidatos enfrentam pelo menos três disputas ao longo do processo todo, cada uma extenuante e que movimenta milhões de doletas. Primeiro são as convenções regionais para escolher o candidato do partido, e depois a eleição presidencial em si. Mas tem aquela que acontece paralelamente às outras duas, e a que mais impressiona, a corrida pelo financiamento de campanha. 

Deu no jornal: Obama gastou em um mês mais do que Reagan e Carter juntos na disputa de 1980 (isso em época de Guerra Fria e loucuras orçamentárias). Esse ano os gastos totais de eleições nos EUA podem chegar a quase 10 bilhões de dólares (tem país com PIB menor que isso), e a corrida pra ver quem ganha mais está dando mais notícia que a eleição em si. 

Isso acontece por causa do modelo norte-americano de eleições, uma democracia direta (mas meio indireta) em que o voto não é obrigatório. Os candidatos têm que efetivamente ir atrás dos eleitores, na marra, e haja publicidade, com TV, internet, rádio e aquelas pessoas que ficam com placas gigantes nas esquinas. 

O grande problema disso é, assim como no Brasil, a “troca de gentilezas” que acontece entre os setores que financiam a campanha e os partidos. Esse “patrocínio” acaba tendo um custo político para o vencedor mais pra frente, e emperra muitos processos e reformas. Ainda mais nos EUA, onde o lobby é legalizado e tudo mais. Essa é uma das razões pela qual, pessoalmente, defendo o voto obrigatório, mas não estamos aqui pra discutir isso (pelo menos, não agora). A questão é que a campanha em si está fazendo muito mais barulho que a eleição. Para ter uma idéia, apenas na semana passada Obama foi oficialmente apresentado como candidato, mas há quanto tempo já se fala de financiamento… 

E, no fim das contas, não tem muito o que comentar sobre a campanha mesmo. Obama vai se focar no que deu certo, no que conseguiu fazer (e tripudiando os problemas deixados pelo Bush ao mesmo tempo), como tirar as tropas do Iraque, matar o inimigo número um da América, e seu xodó, o plano de saúde universal. Seu adversário, Romney, vai se focar em todo o resto, especialmente onde dói mais, no bolso, atacando o desemprego, impostos e a fragilidade de Obama ao enfrentar a crise. Aliás, é uma perspectiva tenebrosa essa, já que Obama fica no passado e Romney cutucando (de uma maneira até lamentavelmente baixa por conta da neurótica propaganda republicana) os problemas, enquanto nenhum dos dois parece trazer propostas sólidas para os problemas reais e para o futuro.

Não dá pra saber ainda quem vai ganhar, mas o cenário não é nada bom, e não apenas para os EUA – pensem em como cada um poderia lidar com a questão da Síria, por exemplo. Nessa incógnita que virou a eleição dos EUA, ela em si se tornou uma meta, e não apenas a presidência. E o “desvirtuamento” de valores resultante faz com que o financiamento se torne a bola da vez, e um mal necessário.

 


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