Quem ganha é o Lula?

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O mundo acreditava que o escudo antimíssil negociado entre Polônia, República Tcheca e EUA seria levado a cabo depois do governo Bush. Entretanto, como transições de governo geralmente pressupõe mudanças de política interna e externa, hoje trataremos das eleições para presidente no Brasil em 2010. Não, não vamos levantar bandeiras partidárias pois este não é o intuito do blog. Só vamos colocar alguns pontos para reflexão. Será mesmo que, seguindo previsões do jornal El País, Serra ou Dilma, Lula já levou essa eleição (??) ?


A despeito dos comentários de Dilma, de que “Tem uma diferença entre o passado e agora: o Brasil agora cresce a favor do povo, e não contra o povo, como já aconteceu no passado”, dos lucros recordes que os bancos obtiveram no mandato de Lula (de uma forma geral acredito que as políticas são contínuas a partir do FHC, tirando exaltações de um ou outro setor, mais propaganda aqui e ali), o argumento do jornal é no mínimo interessante. Enquanto Dilma seria uma espécie de “anti-lula”, já que antes de mais nada a candidata é uma gestora e não possui nem um pouco do carisma que sobra em Lula. Já Serra seria um pós-Lula, um Brasil sem Lula mas ainda com ele, já que o governador paulista não nega as conquistas do atual presidente. Carisma de Lula, ainda não dessa vez.

Entrando mais no mérito da política externa, Dilma se coloca de maneira mais favorável à intervenção estatal na economia. No contexto atual de repúdio ao livre-mercado e aos “desmandos das especulações financeiras e autonomia bancária”, essa postura poderia ser bem-vinda em um primeiro momento, só não se sabe até que ponto. Dilma é também, bastante próxima, em termos de princípios, da esquerda. Chávez até já pediu apoio às mulheres venezuelanas – ora só! – à candidatura de Dilma. Decerto, as instituições brasileiras devem manter as políticas nacionais em um rumo, independente do eleito.


A eleição brasileira tem sido tema de diversos artigos na imprensa internacional. Além do El País, nos últimos dias o assunto circulou no Le Monde, The Miami Herald e The Economist. O último discorreu sobre a letargia de Serra em posicionar-se como candidato tucano e iniciar sua campanha.

O jornal El País parece bastante perspicaz na aparentemente desconexa afirmação. De fato, é provavel que não se cometa nenhum erro crasso na presidência, diferindo aqui e ali de acordo com o eleito. Mas quem ganha não é o Lula – é o Brasil. Ao não constar nenhuma opção “turbulenta” e extremamente prejudicial aos caminhos que o país vem trilhando em termos de crescimento, ganhamos todos.

Uns mais, certamente. Que vença a melhor garganta.


Categorias: Brasil, Política e Política Externa


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