Queda de braço

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Estava pronto para começar meu post sobre toda a situação do teste nuclear da Coréia do Norte quando uma notícia me chamou a atenção. E não teve jeito. Pyongyang terá que esperar. Porque a bola da vez é a nova disputa judicial da Apple. Sim, a gigante estadunidense está tendo problemas no mercado brasileiro. 

Infelizmente as reclamações do preço do iPhone não são o problema por aqui. Mesmo porque não chegam a impedir o brasileiro de classe média-alta de adquirir esse tão sonhado smartphone. Também não se cogita proibir a venda do iPhone no Brasil e não há nenhuma reclamação severa sobre o produto que pudesse impedi-lo de circular por ai. Então qual é o tal problema da Apple no país? 

O entrave é de registro. Acontece que, nas terras brasileiras, alguém teve a brilhante ideia de nomear um telefone de iphone bem antes da Apple. A Gradiente, famosa empresa brasileira de eletroeletrônicos, entrou com um pedido de registro exclusivo do nome no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) no início dos anos 2000, que lhe foi concedido “logo” em 2008. Já a Apple somente tentou registrar a marca no Brasil em 2007, quando lançou o primeiro aparelho com esse nome. 

Mas até então não se falava disso. A Gradiente passava por uma barra pesada desde 2006 e só conseguiu voltar ao mercado de fato em 2012. E quando lançou seu novo iphone em dezembro de 2012, a polêmica começou. É interessante que o INPI não pode proibir a venda do iPhone da Apple no Brasil. Só quem poderia fazê-lo seria o judiciário, que duvido que tomaria uma postura dessas (porque quase todos os representantes desse poder devem com um desses no bolso…). Toda essa queda de braço gira em torno daquilo que as grandes empresas mais querem: monopólio. No caso, a Apple quer o monopólio sobre esse nome mundo afora. E o interessante é que, no Brasil, houve 4 entradas de registro para o nome iphone antes de 2008 no INPI, e, por mais incrível que pareça, nenhum deles foi da Apple. O monopólio foi, então, garantido à Gradiente. 

Por isso, a Grande Maçã quer derrubar esses nomes um a um. O argumento que levantou contra a Gradiente foi o fato de a empresa não ter lançado nenhum produto com o nome iphone desde que conseguiu o registro. Portanto, para eles, em 4 anos, essa exclusividade já teria caducado. Caberá à Gradiente mostrar nos próximos meses que vendeu iphones ou apresentar algum argumento mais contundente nessa queda de braço. 

O que parece ficar de lição nesse duelo é o apetite insaciável de megaempresas na busca de “exclusividade” e o a oportunidade que uma empresa que retorna lentamente ao mercado viu no nome iphone e em uma possível briga judicial com a Apple. Porque, convenhamos, a Gradiente já imaginava um entrave desses. Essa foi uma excelente oportunidade para se lançar ao mercado novamente, e, acima de tudo, de ser mais lembrada pelos consumidores, se fizesse as jogadas corretas. O vídeo que divulgou na internet explicando o tal Gradiente Iphone parece resumir bem essa tentativa. Resta saber se o poder de megaempresa da Apple é capaz de derrubar seu monopólio sobre o nome e se bater de frente com a Grande Maçã foi uma estratégia de marketing bem sucedida.

[Não é a primeira vez que a Apple tem que enfrentar registros com o nome iphone por ai. Clique aqui para conferir outro interessante]


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