Que vença o melhor

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Ou não. Definir quem será o melhor candidato, aquele que represente a base republicana, não é tarefa fácil. Em outro artigo, já havia tratado do sistema eleitoral norte-americano, o qual apresenta peculiaridades interessantes e enseja debates intensos dentro dos partidos majoritários nos Estados Unidos. A longa e árdua jornada, que começou oficialmente nesta terça-feira, culminará na convenção do partido republicano em agosto. Somente então, o candidato será oficialmente anunciado pelo partido e embarcará em uma nova disputa contra o atual presidente Barack Obama.

No caso republicano, o cenário que se afigura é o de um presidente cambaleante ante o nível de desemprego alto e sua popularidade baixa. Nenhum presidente, exceto Ronald Reagan, foi eleito com um índice de desemprego superior a 6% (Obama enfrenta 9,1%). Desta forma, haveria uma oportunidade de retomada do poder pelos republicanos. O termo “haveria” é proposital, uma vez que a vantagem depende da união da oposição em torno de uma candidatura. Até o momento não parece existir tal preceito.

De um lado, figura Mitt Romney, tido com um conservador moderado; de outro, aparecem Rick Perry, Rick Santorum, Newt Gringrich e Ron Paul, que se colocam junto à base republicana mais conservadora. No caso de vitória do primeiro, existe a possibilidade de enfraquecimento do partido junto aos mais apegados a ideários defendidos, por exemplo, pelo Tea Party. Considerando uma vitória do segundo grupo, há a possibilidade de rejeição dos mais moderados e mesmo dos independentes. Romney é conservador, ainda que para alguns não o suficiente, aparentando ser o que possui as melhores credenciais para enfrentar Obama.

Contudo, a corrida norte-americana pela Casa Branca reserva surpresas. Há seis meses, Romney liderava as pesquisas, há três meses foi a vez de Rick Perry assumir a ponta, logo depois veio Herman Cain seguido por Newt Gringrich, para finalmente Romney voltar a liderar. Tudo pode mudar, talvez agora com as disputas estado por estado o cenário comece a se solidificar. Na primária de Iowa, que abriu a disputa republicana, Romney venceu Santorum por oito votos (ambos com 25% do total), seguido por Paul com 21,3%, Gringrich com 13% e Perry com 10,3%. Desistentes vão ficando pelo caminho, tal qual Bachman, Cain e Huckabee, enquanto a disputa começa a se circunscrever a poucos.

Obama, mesmo negando, já está em campanha. Como se estivesse em uma pole position, esperando alguém se posicionar do seu lado para a largada. A vantagem pode não ser numérica, relembrando os últimos dados relativos àeconomia e projeções para a eleição, mas resta tempo para Obama limpar seu lado da pista e torcer para que as primárias republicanas causem avarias ao oponente. Tudo pode mudar já na primeira curva. O atual presidente, que tem alguma vantagem, necessitará alinhar seu discurso a conquistas (essencialmente na economia e no combate ao desemprego). O “change, we believe in” e o ser diferente do tradicional de Washington, parte da plataforma adotada em 2008, foram suplantados por dados reais. Resta esperar o combatente escolhido para enfrentá-lo. Que vença o melhor?


Categorias: Estados Unidos


2 comments
Luís Felipe Kitamura
Luís Felipe Kitamura

Olá Diego,Obrigado pelo comentário e pela interessante indicação de leitura. Recentemente em uma reportagem na Globonews, um analista comentou que a volta dos republicanos para a Casa Branca representaria um retrocesso na política dos Estados Unidos para a América Latina. A tese, à princípio, parece ser corroborada pelo artigo do Gutierrez. Um abraço,

Diego
Diego

Interessante analisar o agenda de Romney para a América Latina. Neste artigo http://www.latinbusinesschronicle.com/app/article.aspx?id=5328 o autor diz que apóia o candidato justamente por suas ideias para a América Latina. Por enquanto, um prioridade no campo discursivo. O preocupante será se, por um "acaso", Romney tiver a chance de implementá-la.