Que futuro é esse?

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Prever o futuro sempre atendeu a um anseio de muitos, seja por possibilitar uma preparação para tempos difíceis, seja para sonhar um futuro de grandes perspectivas. Em ambas as escolhas, projetar um futuro crível foi tarefa para poucos. Ao contrário do imaginado, por exemplo, veículos voadores ainda não dominam o tráfego das grandes cidades. Apesar de tudo, é possível inferir que aquele futuro trouxe grandes conquistas para a humanidade. Saindo da perspectiva mais científica, cabe lembrar que mesmo em questões mais conectadas ao dia-dia é inevitável alguns equívocos diante dos fatores tão dinâmicos da contemporaneidade. Um bom exemplo disso são as previsões econômicas anteriores à crise de 2008.

Uma interessante análise do futuro o divide em três fases: passado, presente e futuro. Para Santiago Bilkins, o primeiro reservou avanços lentos, que ensejaram grandes esperanças que pouco foram transformadas em realidade. Deste tempo, no pós-Revolução Industrial, surgiram as visões do que seriam os anos 2000. Passando para o presente do futuro, o homem parece ter enfim encontrado algo que avança exponencialmente: a tecnologia. O que hoje é um aparelho de última geração, logo será obsoleto frente aos novos inventos. Assim, o que fora desesperança pela não consubstanciação de nossos anseios (passado do futuro), nos leva a partir do presente para um futuro em que a ciência dá mostras que seguirá o ritmo da tecnologia, podendo talvez gerar vida artificial, modificar nossa espécie ou mesmo criar condições para a perpetuação da vida humana.

Contudo, as perspectivas que são ponderadas não criam dilemas estritamente científicos, mas atingem muitas questões atinentes à convivência em comunidade. Qual seria o futuro da educação, o modelo formal conseguirá sobreviver à profusão de informação imediata a que se tem acesso? Existe ou deveriam existir limites para a modificação ou criação da vida? Enfim, são temas que não produzem grande interesse no curto prazo e por este motivo, em sua maioria, seguem seus cursos de desenvolvimento longe dos tomadores de decisão. A história do futuro, como apresentada por Bilkins, nos leva a crer todo o conhecimento construído ao longo dos anos, especialmente nas últimas décadas, teve e tem o poder de gerar intensas transformações na forma em que vivemos. Neste sentido, seria uma estratégia lógica incentivar o intercâmbio entre cientistas/empreendedores e setor público. Isso poderia ser novamente a diferença entre transformar o presente em decepção (passado do futuro) ou em avanços exponenciais (futuro do futuro).

Enquanto especialistas ainda tentam interpretar as previsões relativas ao fim dos tempos, algumas temáticas dão mostras da profundidade dos debates que enfrentaremos no futuro. Oscar Pistorius, sul-africano que compete com próteses de carbono, entrará na pista a partir de hoje no Mundial de Atletismo (Daegu, Coréia do Sul) para tornar-se o primeiro atleta paraolímpico a disputar uma competição de tal porte em seu esporte. Em 2007, o mesmo Pistorius fora impedido de participar de competições não paraolímpicas em decorrência de possíveis vantagens que levaria contra os demais atletas. Em outro caso notável, pessoas escolheram substituir um membro por alternativas biônicas. A partir disso, as possibilidades de oferecer uma substituição ao corpo humano têm como princípio oferecer condições similares às pessoas saudáveis. Cabe ressaltar, como no caso de Pistorius, que talvez seja possível aperfeiçoar as habilidades humanas por meio da mesma tecnologia, justamente o debate travado por especialistas sobre o corredor sul-africano.

Como então analisar e projetar um mundo que substitui a linearidade pela exponencialidade?


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