Que fazer?

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Esta sugestiva pergunta deu vida ao livro de Vladimir Ílitch Uliánov, mais conhecido como Lenin, no qual o autor a respondia por meio da revolução. Fica agora a pergunta para Israel, Palestina e a comunidade internacional responder, ou seja, como pôr fim ao conflito histórico no Oriente Médio.

O presidente Lula está deixando a região, após visitar Israel, Jordânia e Cisjordânia, e enviar o chanceler Celso Amorim à Síria para trazer novamente o país na mesa das negociações pela paz entre israelenses e palestinos. Os Estados Unidos, por sua vez, ontem enviaram Hillary Clinton para a Rússia. A princípio, a Secretária de Estado norte-americana foi incumbida de discutir com Serguei Lavrov, ministro de relações exteriores russo, o novo tratado de desarmamento nuclear e a questão iraniana – na qual não conseguiu postergar o prazo de implantação de uma usina nucelar russa no Irã (aqui). Amanhã, em Moscou, ela se juntará aos representantes da Rússia, Nações Unidas e União Européia, compondo o Quarteto de Mediadores – nem tanto fantástico -, para debater o processo de pacificação do Oriente Médio.

Não, os Estados Unidos não querem deixar de participar das negociações, mesmo saindo derrotados na semana passada. Hillary Clinton chega para jogar com a assertiva de Lula, qual seja que o atrito entre Israel e Estados Unidos acerca da expansão dos assentamentos judaicos pode ser providencial para a solução do conflito, como se fosse magia (aqui). Mahmoud Abbas aproveita para dar umas alfinetadas no presidente brasileiro, bem como em todos os países latino-americanos, ao sugerir o boicote econômico a Israel, enquanto não se criar o Estado Palestino soberano (confiram a entrevista).

Nem magia, nem feitiçaria e a Joana Prado que me desculpe, mas tampouco é tecnologia. Embora os ânimos tenham se animado com a visita do presidente Lula – diferentemente da de Joe Biden -, a paz parece voltar-se ao futuro. O presidente da Síria, Bashar al-Assad, já foi categórico ao afirmar que a paz com Israel agora é impossível, em decorrência do expansionismo descomedido israelense, que traz consigo mais guerra e tensão. Ademais, acresce-se ao conflito Israel-Palestina a questão iraniana. Podemos até parafrasear um artigo de Clóvis Rossi, mudando o país “É o Irã, estúpidos”, como se acalmá-lo fosse tomar medidas acautelatórias para a segurança de Israel e Palestina. O Brasil adota a negociação em seu viés diplomático para com o país, contrariando a adoção de sanções, e ao presidente Lula já foram delegadas duas missões quando retribuir a visita de Ahmadinejad em maio: votar a favor do ingresso do Irã ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, a pedido do governo iraniano, e afastar o Irã do Hamas.

Retomemos a questão da mediação: quem vai segurar a batata-quente? Os Estados Unidos já propuseram a formação de uma coalizão de mediadores. A Síria manifesta-se favorável à condução de negociações indiretas pela Turquia. Os árabes delegam a função ao Egito. O Brasil se propõe ao diálogo aberto entre todas as partes envolvidas, envolvendo até mesmo mais países se for preciso, mas não assume a posição de mediador. Aliás, envolver mais países no rol das negociações é a opinião de um analista jordaniano (aqui).

Há uma miscelânea de confusão e frustração na arena política em torno do conflito Israel-Palestina. Até agora, só temos assistidos a uma espécie de “negociações bumerangues”, que vão e voltam da mesma maneira, começando e terminando sem solução. Assim como iniciamos o artigo, cabe-nos concluir: que fazer?


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