Quando vale mais o silêncio

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Às vezes, uma imagem vale mais do que mil palavras. Outras vezes, mil palavras revelam a imagem que há muito não se tem sido capaz de enxergar. Entre aumentos de contingentes militares em missões de contra-insurgência, pressões internas para o enrijecimento da estratégia no Afeganistão e pressões globais para a realização do movimento oposto, que aos poucos, a verdadeira imagem da estratégia de contra-insurgência e dos Estados Unidos em terrtório paquistanês e afegão se materializa à frente de Obama.


Recentes eventos resultaram em mais um clarão na obscura iniciativa da guerra do Afeganistão. O vetor de uma suposta crise foi o general estadunidense responsável pelas operações, Stanley McChrystal, em polêmica entrevista à revista Rolling Stone (clique aqui para ler o artigo na íntegra). Nesse interessante episódio, o militar perdeu uma boa oportunidade de manter-se em silêncio. Realizou comentários jocosos sobre seus superiores e mais uma vez ridicularizou a estratégia estadunidense na região, defendendo uma ofensiva maior. Tudo isso culminou no resultado que se esperava, a demissão do militar e sua substituição.


Frente a esses eventos, poderíamos pensar estarmos próximos a qualquer inflexão ou mudança da posição estaunidense na guerra, já que a personagem principal do enrijecimento das operações, McChrystal – pivô do envio de contingente extra ao Afeganistão -, está fora de jogo. Todavia, o novo responsável pelas operações, David Petreaus, fora também o idealizador do atual plano de ação dos EUA. Em outras palavras, pouco, ou nada será alterado nas atuações na região. Agora, a Obama é garantida a prerrogativa de proceder com a estratégia – como declarou o secretário de Defesa, Robert Gates – sem grandes polêmicas por parte de seu contingente, e a única dita inflexão reside no rearranjo de outros militares que terão o mesmo destino do general afastado.


O episódio expõe, mais uma vez, as falências e fraquezas dessa empreitada da guerra ao terror e as escancara ao mundo. Exemplo disso, foi a declaração do presidente russo, Dimitri Medvedev em recente visita aos Estados Unidos de que apesar de reiterar o apoio à ação estadunidense, defendeu que o assunto era assaz complicado, de grande dificuldade para lidar e que carecia de qualquer sugestão.


Em situação como essa, para o governo estadunidense melhor seria se a estratégia prosseguisse sem maiores exposições, do que com a promoção da imagem apresentada – que continua a descreditar a posição de Obama. Melhor seria para os EUA se McChystal tivesse ouvido a advertência do interessante provérbio indiano: “quando falas, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio”. E para ambos, parece que valia mais o silêncio.


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