Qual o preço da esperança?

Por

Esta é uma pergunta difícil, ainda mais nestas eras divididas entre a incerteza – não apenas econômica, mas política – e a perspectiva de mudança. O incerto pode tanto ser o ponto de partida da mudança, como conseqüência dela. Quatro eventos são de interesse deste post: os atentados na Rússia, o novo premiê libanês e as manifestações na Tunísia e no Egito. Como mudar e o que esperar?

Ontem, a Rússia esquentou. Um atentado terrorista no aeroporto de Domodevo, em Moscou, matou 35 pessoas e deixou 180 feridas. Nenhum grupo assumiu a autoria do atentado, sabe-se apenas que foi um homem-bomba e se suspeita que provenha do Cáucaso. Tal ato pode ser interpretado como uma pressão por parte de militantes separatistas para a independência de Estados do norte do Cáucaso e frear as ambições de Putin, que pretende voltar à presidência, com seu discurso de contenção dos separatismos pela violência.

No Líbano, o negócio está bem confuso. Uma hora, o país é cristão, noutra, é islâmico. Quando é islâmico, vem o impasse entre xiitas e sunitas. Nesta terça, os seguidores do ministro interino Saad al Hariri (sunita) protestaram contra a nomeação do novo premiê, Najib Mikati (xiita) (vejam o seu perfil), que é apoiado pelo Hezbollah. O protesto foi intitulado como o “dia de fúria”, em resposta à queda de Hariri do cargo, há duas semanas, quando o grupo político e paramilitar (para muitos, também terrorista) deixou de apoiar o governo em vigor.

Tunísia e agora o Egito retratam uma realidade interessante: a sociedade está se levantando do jugo do tempo e decidindo o próprio destino. Os protestos na Tunísia culminaram na renúncia do presidente Zine Al-Abidine Ben Ali e servem de exemplo para os egípcios. Hosni Mubarak está no poder desde 1981, seis a mais que Ben Ali. A síndrome faraônica, de governos vitalícios, pertence à história. À custa de muita revolta, o povo luta pela nação que construiu.

Diante do quadro que se esboça, percebe-se que a mudança é conduzida de modos diferentes, seja por meio da prática do terrorismo ou pela própria sociedade, travando lutas sangrentas. É natural que, no espírito evolucionário, a humanidade sempre busque a mudança – e para melhor –, todavia, quando dela se distancia, recorre a meios mais complexos, variando no preço a ser pago pelo que se esperar.


Categorias: Europa, Oriente Médio e Mundo Islâmico, Política e Política Externa