PSB e Marina, tudo a ver?

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Nesta semana, a principal personagem foi, sem dúvida, Marina Silva. Assim como no caso do voto de minerva de Celso de Mello sobre os tais embargos infringentes, muitos já apontavam a virtual rejeição do registro da Rede Sustentabilidade em sessão do TSE. Pois bem, na quinta-feira, de fato, veio a resposta negativa. Assim, um grande força para as eleições presidenciais ficava de fora da disputa. Sem o registro até o início deste vez, ficou inviabilizada a participação da Rede nas eleições em 2014.  

O grupo composto pelo Rede Sustentabilidade, que provavelmente conseguirá o registro no futuro próximo, transformou-se em um movimento político de relativa importância em um cenário pré-pré-eleitoral, mas ficou impedido de participar no jogo quando ele realmente começasse. Na sexta-feira, as propostas para filiação de Marina Silva pipocaram. Na prática, parecia que ela poderia aterrissar numa legenda (de aluguel), para assim colocar em marcha sua candidatura à presidência em 2014.  

Não foi o que aconteceu. Em um lance surpreendente, Marina escolheu juntar-se a um partido que tem candidato, o PSB. Na coletiva para anunciar a aliança, Eduardo Campos contemporizou ao afirmar que a decisão de quem iria ser candidato ocorreria futuramente, por outro lado Marina demonstrou e afirmou saber que não encabeçaria um chapa do PSB em 2014. A virtual candidatura de Campos, atual governador de Pernambuco, até mesmo provocou o rompimento com o governo e um racha interno com o grupo contrário a um voo presidencial solo. Por isto, faria pouco sentido ver o atual governador de Pernambuco como vice de Marina.  

No contexto atual, resta saber se o eleitor se convencerá que existe um alinhamento (ou pelo menos compatibilidade) entre os programas dos dois partidos. Além disto, se o eleitor aceitará votar em uma coligação que se inicia entre um partido formalmente inexistente e outro partido que aluga espaço para um grupo político que obviamente tem projeto próprio. Contudo, existem os lados positivos também. Campos quer apresentar-se como um personagem que fez parte do governo, mas que vê problemas na condução da política econômica. Marina, por sua vez, muito popular nos últimos meses, poderia significar um aporte importante ao referendar o primeiro. 

Parece cedo para prognosticar qualquer cenário, porém é evidente que a corrida fica mais interessante com Marina Silva. Apesar da surpresa, a união entre Rede e PSB, no final das contas, pode até parecer lógica. Resta saber se a união permanecerá estável e, no caso afirmativo, por quanto tempo.  


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