Post Especial – Bertha Becker (1930-2013)

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Esta semana, quando preparava meu post, encontrei por acaso a notícia do falecimento desta grande geógrafa brasileira. Um dos jornais mais importantes de São Paulo reservou 5 linhas, em edição online, para apresentar a notícia. Estas 5 linhas passam longe de fazer justiça ao legado deixado por Bertha Becker.  

A Amazônia foi seu foco de interesse desde a década de 1970. Tratava-se de estudar uma região, que na época já despertava grandes expectativas e preocupações. Lembro que durante meu trabalho de conclusão de curso sobre a Amazônia, deparei-me com um autor que dizia que esta fronteira (mesmo que em território brasileiro) era a versão brasileira de “Destino Manifesto”

Entre as notas de homenagem a esta “cientista da Amazônia”, como ficou conhecida, muitas falam de suas qualidades que iam muito além dos trabalhos acadêmicos, o simples entender este tesouro nacional. Becker desempenhava o papel político, sem trabalhar diretamente para o governo, de forma a debater políticas públicas e combinar o conhecimento científico com sua aplicação à realidade.  

Lembro de ouvir que ler Bertha Becker era importante para compreender os rumos da Amazônia, mais ainda para escrever um trabalho tendo como temática a região. Isto iria desde livros mais antigos, como “Geopolítica da Amazônia” (1982), até seu mais recente “A urbe amazônica” (2013). Ainda em 2013, participou da concepção do “I Simpósio – Relações entre Ciência e Políticas Públicas para o Desenvolvimento da Amazônia”.


Entre os pontos destacados de seu trabalho, chamou-me atenção em especial seu foco no qualitativo, ao invés do quantitativo. Afastou-se, portanto, de um movimento que acompanhou sua vida na Geografia: a expansão de estudos por modelos e fórmulas lógicas expressas por índices estatísticos, que considerava o homem como uma das variáveis existentes, o que para a autora significava destituí-los de expressão social ou histórica.  

As energias de Becker, sobretudo voltadas à Amazônia, centraram-se nos atributos humanos, culturais e econômicos. De fato, existem elementos que não se contam por hectares.   

Notas: 1, 2, 3, 4


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