Post do Leitor

Post do Leitor – Tamiris Hilário

[Pessoal, esse é um texto da graduanda em Relações Internacionais pela Unesp, Tamiris Hilário, tratando da questão da arte como fator de transformação. Uma perspectiva muito interessante, vale a pena conferir! E, aos interessados em enviar posts do leitor e fomentar as discussões, basta enviarem um e-mail para [email protected]]

“uma fronteira não é o ponto onde algo termina, mas […] a fronteira é o ponto a partir do qual algo começa a se fazer presente”. Heidegger

A exposição paulistana “De dentro e de fora” , a ser exibida no MASP, de 17/08 a 23/12, apresenta trabalhos de arte contemporânea, dentre os quais se destaca a participação do fotógrafo francês JR , vencedor do TEDx2010 . JR, em face ao contexto vigente, oportunamente suscita a questão: poderia a arte salvar o mundo? De pronto, reconhece: não, não poderia. Isso porque, não se trataria de “salvar”, como afirma, mas de “mudar” o mundo. Vejamos de que maneira.

Parece confortável afirmar, hoje, que elementos culturais e artísticos se apresentam como transcendentes daquilo que se entende ou se convencionou chamar de fronteiras – físicas, sociais, econômicas, políticas e imaginárias. Carregam consigo, com isso, não apenas a idéia de agregação, mas também (e principalmente) de transcendência. Denso? Basicamente, estamos a falar da música, da fotografia, da dança, do circo, do teatro… como transgressores!

O Inside Out Projectde JR, por exemplo, é uma iniciativa a qual transforma fragmentos individuais pequeninhos em elementos artísticos. Qualquer um pode utilizar-se de fotografias em preto e branco para descobrir, revelar ou compartilhar histórias e imagens de sujeitos visivelmente invisíveis, ao redor do mundo.

Para além dos entraves e das burocracias tradicionais, comumente exigidas quando se quer mudar algo, neste faz-se necessária, apenas e tão somente, uma superfície sólida na qual a aplicação da imagem possa ser feita. Em grosso modo, uma parede. Testou-se assim, o poder da cola e do papel na África do Sul, Sudão, Serra Leoa, Libéria, Quênia, França, EUA, Inglaterra, Brasil, Índia…!

JR acredita que a arte se apresenta como um instrumento real para fomentar trocas e enriquecer discussões, tornando-se com isso capaz, não propriamente de alterar as regras do jogo, mas de modificar percepções.

Trata-se de um exemplo dentre a ampla gama de ações culturais transformadoras capazes de propiciar o aprendizado do convívio com a diferença, desencadear a formação de sujeitos criativos e transformadores e promover o sentimento de coletividade e de convívio social. A arte que “transforma” desenvolve assim um leque iniciativas mais inclusivas e que considera as diversas maneiras de fazer parte e de ser. Permite, com isso, que os espaços sejam realmente vistos – e entendidos – de forma mais humana.


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