Post do Leitor

Post do Leitor – Rafael Reis

[Pessoal, recebemos mais um post do leitor. Desta vez, quem nos enviou foi o graduado em Relações Internacionais pela Unesp-Franca, Rafael Reis, tratando das agitações no mundo dos negócios após a quebra do Lehman Brothers. Confiram abaixo!]

Como, quando e onde?


Dramática foi a quebra do banco Lehman Brothers. Mas passado é passado, e o presente é glorioso, talvez muito mais do que o futuro venha a ser. O aniversário de um ano do começo da recuperação das bolsas de valores ao redor do mundo, comemorado na semana passada, não podia vir em melhor hora – acompanhado da lista dos homens mais ricos do mundo. Entre os bem afortunados, Eike Batista, um mega empresário tupiniquim.

Genial em sua audácia transformou negócios “inexistentes” em companhias de sucesso que lhe renderam um patrimônio colossal. Curiosamente, em alguma entrevista à Exame há algum tempo atrás ele já prenunciava: “Minha meta é ser o homem mais rico do mundo em cinco anos”. Será? O importante é que é o mais rico do Brasil e um dos mais ricos do mundo. Mais importante ainda é notar que sua fortuna tem ligação particular com a Bolsa de Valores brasileira.

Sua ascensão começou ao listar suas empresas “recém-nascidas”. Passaram por um processo diferenciado – por não terem uma estrutura empresarial consolidada, a oferta pública inicial de ações teve limite mínimo para investimento de R$ 300 mil reais, ante os R$ 3 mil reais habituais, para garantir que somente aqueles com recursos abundantes, e teoricamente com conhecimentos de mercado, participariam da emissão “de risco”. Após listar as companhias, obter recursos no mercado, montar uma estratégia agressiva e inteligente, remunerar seus executivos com incentivos, e decolar no mercado internacional ávido por commodities, Eike Batista e seus acionistas enriqueceram. Muitos falam que seu pai, personalidade destacada no setor de mineração, lhe entregou o mapa da extração mineral no Brasil. Mas o mérito é inegável.

Um exemplo entre suas empresas é da MMX, do setor de mineração, que valorizou no último ano dos R$ 2,46 do dia 18/03/2009, para os R$ 13,43 do dia 18/03/2010, 445% de lucro em um ano! Todas as suas empresas estão focadas no setor de matérias primas: mineração, energia, petróleo e logística.

Esse setor é o ponto forte do Brasil. Mas não só ele. Com a diminuição dos juros e o aumento do poder de compra, os setores de consumo e de habitação também entraram para a mira dos investidores. Enfim, o Brasil é um ótimo destino para os recursos internacionais, ou assim se apregoa por aí, ratificado pela melhora do rating das agências de risco em relação aos títulos públicos brasileiros, e à economia brasileira, conseqüentemente. Mas e daí, o que isso significa? Basicamente que o custo para captação diminui. E assim mais recursos virão através do mercado de capitais e do mercado financeiro.

O mercado brasileiro se tornará cada vez mais integrado ao mercado financeiro internacional. Algumas conversas entre entidades e lideranças brasileiras tentam se antecipar aos fatos e planejam a instalação de uma estrutura que transforme o Brasil em um Hub financeiro, por onde passariam os recursos destinados à região, além de facilitar o acesso a bancos e veículos de investimento internacionais que precisam passar por outros Hubs – Londres, Nova Iorque, ou Hong Kong, por exemplo – para chegarem ao Brasil.

Crescendo a integração, crescerá também a exposição ao mercado de capitais e à sua especulação. E vem a preocupação: como proteger nosso mercado, muitas vezes composto por recursos economizados com muito esforço ao longo da vida por poupadores precavidos? Aí não cabe nenhuma solução mágica, proposta de bate-pronto.

Mas uma sugestão de debate se destaca: é preciso incentivar o crescimento do mercado de capitais. Vide a diferença do mercado atual para o de anos atrás, quando a Bolsa do Rio de Janeiro quebrou. Naquela época os preços eram facilmente manipulados, em razão da baixa liquidez e volume de negócios. Hoje é muito difícil manipular uma ação, de companhia grande, especificamente, por haver muito volume, o que impossibilita que poucos investidores possam distorcer o valor dos ativos – a Vale chega a bilhões de reais negociados diariamente, e seria necessário muito poder de fogo para distorcer os preços da ação, pressionando-o para cima ou para baixo, no médio prazo, sem ser “engolido” pelo restante do mercado.

Reflitamos então: como tornar o mercado mais popular? Como aumentar a participação da população brasileira no mercado de capitais nacional, investindo nas empresas nacionais? O acesso às informações já é disponibilizado: há várias formas de participação nas discussões do mercado, através do acesso às entidades de mercado (Apimec, Ibri, Ini, etc), bem como aos órgãos reguladores; de eventos como Expo Money; de teleconferências e de reuniões publicas (únicas no mundo), realizadas pelas companhias; do acesso aos sites de relações com investidores das companhias.

E agora a pergunta mais pé no chão: como aumentar essa participação num país emergente, onde o povo ganha pouco, e pouco sobra? Essa é difícil de responder. De qualquer maneira, uma coisa está clara: a bolsa de valores brasileira se torna cada vez mais importante, assim como as empresas nela listadas – nosso bilionário, que está entre os mais ricos do mundo, pode confirmar isso.


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