Post do Leitor

Post do Leitor – Leôncio de Aguiar

[Uma vez mais, contribui o leitor Leôncio de Aguiar Vasconcellos Filho, discorrendo sobre as oportunas relações entre Venezuela e Irã, as quais iriam muito além da influência no clube da OPEP. Lembrando que, para postar no blog, basta nos enviar um e-mail com seu texto.]

Venezuela e Irã: unidos por um inimigo em comum

Em 18/08/2009, em artigo publicado em outro meio de comunicação (aqui), mostrei por que penso ter o governo venezuelano uma meta final de comunização da América Latina. Tendo em vista os acontecimentos dos últimos meses, reforço este posicionamento.

O atual governo venezuelano pertence ao PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), agremiação cujos estatutos prevêem a transição, local e regional, do capitalismo para o modelo econômico de moldes cubano-soviéticos, conforme se verifica não só pelo texto, mas, conseqüentemente, pelas seguidas expropriações de fazendas, indústrias, empresas de comunicação e demais meios de produção em território venezuelano e pelo financiamento a candidaturas ideologicamente aliadas em nível continental (algumas das quais saíram vitoriosas, como a do boliviano Evo Morales e a do equatoriano Rafael Corrêa). Nos países em que essas candidaturas são rechaçadas, resta o apoio militar a organizações armadas de orientação marxista-leninista, como as FARC na vizinha Colômbia.

Ocorre que a parte internacionalista desta aventura esbarra num monumental empecilho: os EUA, que, durante a Guerra Fria, sempre propagaram que não permitiriam uma “Nova Cuba” na América Latina e Caribe (como bem provam a invasão de Granada, em 1983, e o financiamento aos guerrilheiros contra-revolucionários na Nicarágua nos anos 80, ambos os países então sob governos radicalmente esquerdistas). Como, provavelmente, as forças armadas dos EUA só poderiam ser dissuadidas de realizar uma eventual intervenção por receio de um contra-ataque nuclear, nada melhor para a Venezuela (que não domina a tecnologia armamentista atômica) do que um aliado fundamentalista, anti-capitalista (embora não seja marxista), anti-americano e que esteja em busca da bomba: o Irã.

Tal aliança é bastante conveniente: com armamento nuclear em seu território, a Venezuela teria um novo “equilíbrio do terror” a lhe garantir, de início, a não-intervenção direta dos EUA nos países latino-americanos que pretende comunizar. O Irã, por sua vez, teria uma base permanente na América Latina, geograficamente muito mais próxima do território estadunidense, o que tornaria muito mais factíveis suas ameaças ao coração do Ocidente. Por tudo isso, em uma das últimas reuniões realizadas em 2009 na AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), a Venezuela votou contra a condenação ao programa nuclear iraniano, já que o mesmo está explicitamente vinculado aos seus objetivos (assim como também votaram contra a condenação a Bolívia e Cuba).

Se os EUA não abandonarem sua imperial tradição de intervenção nos assuntos internos da América Latina e Caribe ao mesmo tempo em que o governo venezuelano, protegido pelo escudo nuclear iraniano, não desiste de seu objetivo continental de comunização, a única superpotência mundial, não intervindo diretamente, irá financiar candidaturas anti-comunistas e, onde há insurgência armada, como na Colômbia, apoiar as forças armadas locais e paramilitares de extrema-direita. A conflagração, de qualquer forma, será iminente. Como, infelizmente, um dia já declarou a alta liderança cubana, “é preciso criar vários Vietnans na América Latina”.


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