Post do Leitor

Post do Leitor – Jéssica Monteiro

[Pessoal, recebemos um interessante de Jéssica Monteiro sobre a questão dos refugiados no mundo atual. Vale a pena conferir e refletir sobre um tema ainda pouco abordado nas Relações Internacionais. Lembrando que todos podem postar na Página Internacional, basta que nos enviem um texto para [email protected]. Boa leitura!]

Em busca de um abrigo

Em 2011, ano em que a Convenção de 1951 sobre o Estatuto dos Refugiados completou 60 anos, foi divulgado pela Agência da ONU para refugiados (ACNUR) um relatório sobre a situação dos mesmos pelo mundo. Segundo ele, há cerca de 25,2 milhões de pessoas protegidas pelo ACNUR e aproximadamente 4,82 milhões de pessoas sob a égide da UNRWA, que é a agência da ONU que cuida dos refugiados palestinos. Dados do relatório revelam que os países em desenvolvimento acolheram perto de 80% dos refugiados do mundo.

Entretanto, as estimativas são de que esses números aumentem. No Norte da África, Primavera Árabe fez com que muitos buscassem abrigo em países vizinhos ou atravessassem o Mediterrâneo ilegalmente de barco (pagando cerca de 1500 euros) para chegar até a Europa. Esse fato pôs em questão o chamado Acordo de Schengen, pois muitos dos refugiados africanos chegavam à costa italiana e de lá iam rumo a outros países como, por exemplo, a França.

Dentre os países que mais acolheram refugiados estão Paquistão e Irã que receberam a maior parte dos afegãos. A Síria, antes dos últimos acontecimentos, também estava incluída nesse grupo, acolhendo grande parte dos iraquianos que fugiam da guerra e do caos que se instalou no país logo após a invasão da Coalizão. Contudo, o conflito político que atinge o país resultou em uma massa de pessoas fugindo, principalmente para o Líbano, da violenta repressão comandada pelo governo sírio.

Outros países, como os que se encontram no chamado Chifre da África (Quênia, Somália, Djibuti e Etiópia), também enfrentam sérios problemas com os refugiados. A Somália, que já foi tratada no blog diversas vezes, passa por uma crise política que, aliada à seca que castigou a região, culminou com um quadro de extrema miséria que fez com que houvesse uma fuga acentuada do país. Apesar da declaração da ONU sobre o fim da crise de fome, a situação para os somalis ainda não é nem um pouco estável.

A maioria das pessoas foge para o país vizinho, o Quênia, onde está instalado o maior campo de refugiados do mundo, que recentemente completou 20 anos, o campo de Dadaab (aqui e aqui), que, por sinal, está congestionado. Segundo Elena Estrada, assessora para assuntos humanitários dos Médicos Sem Fronteiras: “As condições estão abaixo dos padrões humanitários internacionais mínimos. Os refugiados têm acesso escasso à água, comida, itens não-alimentares e abrigo. Não existem latrinas, fazendo da defecação a céu aberto a única opção, e assim aumentando o risco de disseminação de doenças, particularmente nesse grupo vulnerável que já está fugindo de guerra há anos”.

Há, nas várias partes do globo, muitos países que passam por problemas que originam essa situação de refúgio. O Brasil mesmo vem recebendo uma grande quantidade de haitianos e de colombianos. Outros países africanos e asiáticos que não foram citados também recebem diversas pessoas fugitivas de conflitos em seus países.

Diante disso, não se pode esquecer o papel das organizações humanitárias, que é indispensável para levar ajuda a essas pessoas que tanto necessitam. Essas organizações enfrentam enormes desafios perante um panorama mundial caótico e complexo. Assim, independente do país, é fato que há um problema e que ele tem que ser resolvido. Quantos mais terão que deixar suas casas em busca de segurança, de um lugar digno para se viver?


Categorias: África, Assistência Humanitária, Brasil, Defesa, Direitos Humanos, Oriente Médio e Mundo Islâmico, Post do leitor


1 comments
Bianca Fadel
Bianca Fadel

Obrigada por sua ótima contribuição, Jéssica! Apareça sempre por aqui!Abraços!!