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Post do Leitor – Danilo Guiral Bassi

[Segue abaixo um ótimo post elaborado por Danilo Guiral Bassi, estudante de Relações Internacionais da USP, em que são analisados aspectos políticos mexicanos a partir da constatação de que 2010 é um importante ano comemorativo para o país. Boa leitura a todos!]

México: comemorações e aspectos políticos

2010 será um ano de dupla comemoração no México. Neste ano, os mexicanos comemorarão o bicentenário de sua independência e o centenário da Revolução Mexicana.

O longo processo de independência do México, iniciado em 1810, só seria concluído no final de 1836, após diversos conflitos e tentativas de reconquista do território pela coroa espanhola, tendo sido, ainda em 1829, efetivada uma última tentativa armada nesse sentido. Um século depois, outro processo de grande mudança do Estado mexicano teria início em 1910 e se arrastaria por pelo menos uma década: a Revolução Mexicana.

Com um saldo de mais de 2 milhões de mortos, a Revolução Mexicana deixou de herança um enorme orgulho nacional pelas conquistas do movimento, a constituição ainda vigente no México e a primeira da história a incluir em seu texto os direitos sociais (em 1917, dois anos antes da Constituição de Weimar) e o Partido Nacional Revolucionário.

O PNR foi criado em 1928, rebatizado, em 1938, por Lázaro Cárdenas, como Partido da Revolução Mexicana e, em 1946, passou a se chamar Partido Revolucionário Institucional (PRI). De forma ininterrupta, o hoje PRI governou o país de 1929 a 2000, quando a direita mexicana da oposição elegeu seu primeiro presidente, Vicente Fox, pelo conservador Partido Ação Nacional (PAN). Em 2006, o PAN se mantém no poder com a eleição de Felipe Calderón, num segundo turno acirrado entre Calderón e Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), partido fundado em 1989 por dissidentes esquerdistas do PRI e partidos pequenos, também de esquerda. Na ocasião, o candidato do PRD, alegando fraudes eleitorais, não reconheceu a vitória do PAN, declarando-se “Presidente Legítimo do México”.

Naquele momento histórico, o segundo turno não contou com a participação do PRI, após mais de sete décadas de hegemonia priista. Em 2010, com as eleições presidenciais e a possibilidade do retorno do PRI a Los Pinos, uma coligação de forma indefinida e surpreendente vem tomando forma. O PRD, junto com os partidos de sua aliança em 2006 – a Coalizão Pelo Bem de Todos, que incluía, além do PRD, o Partido do Trabalho e o Partido Convergência –, e o PRI estão firmando uma aliança eleitoral que culminará na oficialização nos próximos meses.

Em meio a essa situação curiosa – e inusitada –, Cuauhtémoc Cárdenas Solórzano, um dos fundadores e líderes do PRD, candidato três vezes a Presidência dos Estados Unidos Mexicanos e chefe do governo do Distrito Federal mexicano, anunciou hoje sua intenção de fundar um novo partido de esquerda, diante do que ele chamou de “crise da esquerda”. A criação do novo partido pode modificar o cenário de dualidade PRI / PAN-PRD que vinha sendo traçado para as eleições de 2010. O novo partido, que ainda não tem nome, será pautado em uma agenda política de 12 pontos; entre eles, o Centenário da Revolução e o Bicentenário da Independência.


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