Post do Leitor

Post do Leitor – Danillo Alarcon

[Pessoal, nesta semana, recebemos um post há muito aguardado. Nosso amigo Danillo Alarcon, graduado em Relações Internacionais pela Unesp-Franca e mestrando também em Relações Internacionais pela UnB, faz uma análise sobre a repercussão do 11/09 para as relações internacionais, do terrorismo às invasões ao Afeganistão e Iraque e ao esconde-esconde de Bin Laden. Confiram abaixo! Lembramos a todos os leitores que, se quiserem escrever para o blog, basta mandar o texto para o e-mail da Página Internacional – [email protected]. Não deixem de postar!]

Um lugar confortável para um terrorista


Neste final de década é importante pensar em alguns eventos que mudaram o curso das relações internacionais entre 2001 e 2010, ou que tiveram relevância suficiente para reunir os principais players do sistema internacional em sua discussão. O 11 de setembro de 2001 poderia ser apontado por muitos como o exemplo simbólico de uma data que marcou profundamente as consciências humanas e reuniu número considerável de Estados na luta contra o terror, e em uma missão em um país longínquo, que quiçá aqueles que nasceram no final da década de 1980, só ouviram falar mesmo em 2001: o Afeganistão.

Houve consenso internacional quanto à necessidade de algum tipo de ação no país, e os Estados Unidos, com respaldo de seus principais aliados, Reino Unido e Canadá, se lançaram logo a bombardeios e tudo apontava, já no final de 2001, para a derrota do Talibã. O ano de 2002 trouxe novos desafios para o Afeganistão, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) se envolveu profundamente com o país, e foi criada a International Security Assistance Force (ISAF).

Não fosse, todavia, a obstinação de certos homens e mulheres dentro da presidência de George W. Bush, e do próprio presidente em tomar algum tipo de medida, e de preferência o destronamento de Saddam Hussein no Iraque, o 11 de setembro de 2001 poderia sim manter o seu posto de uma das datas mais importantes para esta década que se finda – claro, em termos de segurança global. A introdução do tema Iraque e Saddam Hussein na agenda internacional dos EUA, coloca o dia 20 de março de 2003 – data da invasão americana no Iraque – como um ponto crucial para o desenrolar das relações internacionais no restante da década e que repercutirá – mesmo com o fim das ações no país – por considerável tempo.

A invasão americana do Iraque retirou esforços e recursos que poderiam ter sido guiados para o Afeganistão. Além do mais, a atitude quase unilateral dos EUA em perpetrar ações contra o regime de Bagdá minou o seu ‘soft power’ (isto é, a influência externa por meio de idéias e valores) em ações no Oriente Médio e mundo islâmico no geral. A oposição dentro de outros países muçulmanos às duas ações aumentou, mesmo que a de Cabul tivesse motivos completamente adversos da outra. Ao Afeganistão foi então sendo renegado um nível de compromisso que fez aumentar a insurgência e levar o país de volta ao caos, situação nada propícia para sequer a reconstrução do Estado, quanto mais para uma democracia.

Quando esta semana se divulgou o relato de uma fonte da OTAN dizendo que Osama Bin Laden viveria em uma confortável casa no Paquistão, não se deveria ficar espantado. O Paquistão tem ao longo da década permitido a reorganização do Talibã em seu território, assim, como o fez na década passada. Agora, se os americanos resolveram mudar o foco, não é injusto que bin Laden ficasse por quase uma década congelando em alguma caverna na fronteira entre o Afeganistão ou Paquistão?


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1 comments
Jéssica
Jéssica

OOiiPrimeiramente gostaria de falar que acho muito bacana a inicitiva do bolg de permitir que nós leitores formulemos posts.Em segundo gostaria de dizer que sobre o Bin Laden e seu suposto desaparecimento e esconderijo, que levando esse assunto meio que pra Teoria da Conspiração( se eu estiver errada me corrijam por favor) acho que se o serviço secreto dos E.U.A ou alguma autoridade(exército, FBI...) ou algo parecido quisesse encontar o dito cujo acho que ele encontraria sim, mas por algum motivo ( interesses economicos ou políticos)os E.U.A fazem meio que corpo mole e não dão satisfações sobre o paradeiro dele ou algo parecido. Eu sei que o território afegão é cheio de montanhas e cavernas mas mesmo assim no mundo das R.I sempre tem algum interesse por trás, ou uma conspiração de interesses e eu acho que nesse caso não seria diferente.Abraços!!