Post do Leitor

Post do Leitor – Christiane Matos

[Olá, pessoal! Recebemos um interessantíssimo Post do Leitor esta semana. Desta vez, quem nos escreve é a jornalista e publicitária Christiane Matos, formada pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). O assunto em tela é o Facebook e as suas implicações para as comunicações e relações sociais Em especial, a leitora comenta boa parte do tão premiado filme “A rede social”. Não deixem de conferir!]

A face da nova era

Talvez já não surpreenda o fato de que se o facebook fosse um país ele seria o terceiro mais populoso do planeta, perdendo apenas para a China e para a Índia e desbancando os Estados Unidos, onde metade da população possui uma conta no site. Estima-se que uma em cada dez pessoas no mundo inteiro esteja cadastrada na rede social, disponível em 75 idiomas diferentes, mas ‘indisponível’ entre os chineses, pois, assim como o youtube e o twitter, o facebook consta entre os sites bloqueados pelo Governo Chinês.

A genialidade do facebook não é reflexo apenas da grande habilidade do seu fundador e diretor executivo, Mark Zuckerberg, em programar códigos de computador, mas também do seu senso de coletividade e da sua postura natural como líder. Arrogância e prepotência são características inerentes apenas ao Mark construído no cinema, no filme A Rede Social, lançado no final do ano passado. Com todo respeito aos produtores da obra, que recebeu o Globo de Ouro de melhor filme de drama no último domingo e está entre os favoritos para indicação ao Oscar, o roteiro não parece levar em consideração a verdadeira personalidade ou as reais motivações do seu principal personagem.

“O filme é legal, a história é interessante, foi bom relembrar coisas que me aconteceram nos últimos anos, mas estou certo de que a minha vida não é tão dramática assim”. De forma bem humorada, essa foi a resposta de Zuckerberg quando questionado sobre o filme durante entrevista no Oprah Winfrey Show.

Mark mora com a sua namorada, Priscilla Chan, numa casa modesta que fica a poucas quadras da sede do facebook em Palo Alto, Califónia. Ele faz questão de ir caminhando até o trabalho todas as manhãs, não dispõe de um escritório próprio em sua empresa, não usa anotações ou quadros para falar durante as reuniões e trabalha, em média, 16 horas por dia. O seu compromisso e a sua dedicação fazem de Mark um exemplo marcante de liderança.


Em entrevista para a revista Time, no artigo que Mark é apresentado como a personalidade do ano de 2010, o criador do facebook diz normalmente não gostar de falar muito sobre si mesmo e revela que o sucesso do seu projeto está no fato de o site ter como prioridade o estabelecimento de uma rede de conexão entre pessoas e não entre computadores. Aliás, o que pouca gente sabe é que antes de abandonar os estudos na Universidade de Harvard (como também fizeram Bill Gates e Steve Jobs), Mark cursava não apenas ciências da computação, mas também psicologia.

No artigo, Mark é descrito por seus colegas de trabalho como alguém bem quisto e que gosta de estar cercado por pessoas, e não como o geek obcecado pela aquisição de status apresentado no cinema. É inegável o fato de que manter uma conversa com ele não parece ser mesmo algo muito simples de se fazer, pois Mark fala rápido e pode facilmente perder o foco no assunto e se dedicar a outra coisa que julgue ser mais interessante. Sim, isso poderia torná-lo alguém frio e soberbo, mas, na verdade, indica apenas o quanto ele preza pela boa utilização do seu tempo, nada além disso.

“Quando as ordens são razoáveis, justas, sensatas, claras e consequentes, existe uma satisfação recíproca entre o líder e o grupo”. As palavras de Sun Tzu, em A Arte da Guerra, encontram sentido nas paredes da sede da empresa fundada por Zuckerberg, onde é comum a presença de frases de motivação como: Move fast, Take the risk, It’s ok to try big things ou Fail harder. Reafirmando a sua postura de líder, Mark entende a importância do uso de uma comunicação eficaz e do bom relacionamento entre os seus colaboradores para que todos possam alcançar os melhores resultados.

Muito se pode esperar de alguém que, aos 19 anos de idade, foi capaz de criar algo cuja missão consiste em “dar às pessoas o poder de compartilhar interesses comuns e de tornar o mundo mais amplo e conectado”. E por conectar mais de meio bilhão de pessoas ao redor do planeta, Mark Elliot Zuckerberg conquistou não apenas o título de personalidade do ano, mas também o reconhecimento pelo papel que exerce numa sociedade que ele tem ajudado a construir.


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