Post do Leitor – Cairo Junqueira

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[Este é um post elaborado por Cairo Junqueira graduado em Relações Internacionais pela UNESP de Franca e mestrando em Relações Internacionais pela UnB. O texto versa sobre os projetos de integração regional na América do Sul. Lembrando que todos podem participar e enviar textos para nós! Basta que nos mandem uma mensagem no e-mail [email protected]]

Cadê a Integração Regional?


Recentemente, vi no site da Federação de Câmaras de Comércio e Indústria da América do Sul (FEDERASUR) e na própria Página Internacional, notícias sobre a criação da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), que tem como objetivo resolver os problemas de integração entre 33 países da região. Como venho observando e estudando já há algum tempo esta temática, achei interessante fazer uma pequena análise sobre as tentativas de fomento de processos integracionistas no subcontinente para refletir sobre qual é o patamar de interação e cooperação entre o Brasil e outros Estados.

É necessário distinguir “integração” e “integração regional”. Para Walter Mattli (1999), a primeira corresponde simplesmente a uma ligação voluntária, no campo econômico, entre dois ou mais países. Já a segunda faz jus à promoção de normas em comum, regulamentações e políticas para determinada região. Sendo assim, aqui cabe a primeira reflexão: existe realmente um processo de integração regional no subcontinente?

O MERCOSUL, há alguns anos, era a “menina dos olhos” dos seus membros e modelo a ser seguido pelos outros países. Mostrou, excessivamente, seu caráter econômico e deixou em segundo plano outras temáticas que são necessárias para o estabelecimento de uma unidade regional. A verdadeira integração regional, comparando-se com a União Europeia, por exemplo, vai muito além da Zona de Livre Comércio ou do estabelecimento de uma Tarifa Externa Comum (TEC); ela dá ideia de uma comunidade, de uma identidade entre diferentes países em busca de seus desenvolvimentos mútuos.

Pois então veio a União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), a qual, segundo comentários avulsos, seria o Conselho de Segurança da América do Sul! Opiniões à parte, seu cenário mostra-se positivo, porque ela está tentando incluir nas agendas estatais outras iniciativas viáveis à integração regional. Basta ver nos noticiários que suas propostas vão desde o aumento da infra-estrutura até o estabelecimento de uma rede de comunicações na América do Sul, da ampliação do comércio até a criação de uma Corte Penal.

São estes alguns fatores que dão destaque à UNASUL: ela busca promover na nossa região o que o MERCOSUL não conseguiu. É claro que não posso generalizar em nenhum momento, são organizações distintas, com pesos políticos diferentes e instituições ímpares, mas vocês repararam como a União ofuscou as ações do Mercado Comum?

Mas, para mim, a maior importância da UNASUL foi trazer a Venezuela para o cerne do debate. Li, também recentemente, no livro “Inserção Internacional: formação dos conceitos brasileiros” do Amado Luiz Cervo (2008), abro parênteses para indicar a leitura, que este país tem papel vital para a integração regional sul-americana. A tão almejada coesão regional não existirá sem o eixo Buenos Aires-Brasília-Caracas.

Bem verdade, volto à CELAC. O seu diferencial é promover o diálogo na região e, evidentemente, fazer isso sem a participação dos Estados Unidos e do Canadá. Tal fato promove identidade ao bloco, condição primordial para a unidade regional, mas será que ela não minimiza a “voz” política da região? Talvez não, pois foi desenvolvida como parceira do Grupo do Rio, o qual é um fórum de decisões políticas que estabelece contato com diferentes esferas internacionais, dentre elas a própria União Europeia, a União Africana e a CEI.

Por fim, escrevi estes breves parágrafos não para fazer inúmeras afirmações, mas sim para indagar a respeito da integração regional na América do Sul e no Caribe. A história é bem mais longa. MERCOSUL, UNASUL e CELAC são iniciativas contemporâneas na nossa região e são traços característicos deste processo que merecem ênfase em qualquer discussão sobre regionalismo. Nem ficção, nem realidade, a nossa integração regional parece estar inserida em um divisor de águas. As ações são múltiplas, o que falta é institucionalização e concretização das mesmas. O cenário é favorável e o diálogo torna-se pragmático.


Categorias: Américas, Organizações Internacionais, Política e Política Externa


4 comments
Lourdinha Lima
Lourdinha Lima

Excelente texto, ótima abordagem, Cairo Junqueira. Parabéns.

laura
laura

Muito Legal, Cairão...

Raphael Lima
Raphael Lima

Cairo,Meus parabéns pelo post! Sinta-se convidado a aparecer mais vezes por aqui. Um abraço,