Post do Leitor

Post do Leitor – Cairo Junqueira

[Pessoal, recebemos mais um post do leitor de Cairo Junqueira, recém-formado em Relações Internacionais pela UNESP – Campus Franca. Dessa vez, ele faz uma breve e interessante retrospectiva dos acontecimentos que marcaram em 2011. Vale a pena conferir!]

2011: O ano de todas as quedas!

Inicio dizendo que o título deste post foi copiado de uma matéria do Le Monde intitulada “2011, l’année de toutes les chutes”. Na verdade, estava eu procurando alguma notícia que serviria de inspiração para uma retrospectiva do ano que se passou e esta frase me agradou bastante. Nela aparecem fotos retratando as mortes de Bin Laden e Kadafi, bem como as quedas de Mubarak, Berlusconi e Strauss-Kahn.

Foi um ano ímpar para a Política Internacional e, evidentemente, para as relações internacionais. Não só pelos fatos retratados no parágrafo anterior. Com as personificações, quando são apontados nomes de ditadores, políticos ou figuras públicas, torna-se bem mais fácil entender o que se passou nos últimos doze meses. Entretanto, meu intuito no presente tópico é mesclar tais acontecimentos com outros que também merecem análise aos leitores da “Página Internacional”.

Comecemos pela morte de Bin Laden. Talvez, somente neste episódio os Estados Unidos mereceram grande atenção por parte da mídia internacional. Quero dizer que 2011 não foi um ano “à moda” norte-americana, uma das poucas atitudes destacadas foi a retirada das tropas do Iraque. Mesmo assim, na última semana, saiu a notícia de que a solicitação de seguro desemprego no país diminuiu consideravelmente, alcançando níveis mais baixos desde 2008 e evidenciando uma possível recuperação e reestruturação política interna muito divulgada por Obama. Não acho que os EUA ficaram um pouco inertes no cenário internacional, sua presença é e continuará a ser necessária para as relações internacionais, contudo, outros acontecimentos abafaram sim algumas de suas ações.

Falemos do Fundo Monetário Internacional e da crise econômica na União Europeia, por exemplo. Era só abrir o jornal ou ler qualquer newsletter que lá apareciam os elevados índices de desemprego na Espanha, chegando à casa dos 25%, o suposto calote grego e as “mãos de ferro” de Sarkozy e Merkel para tentar controlar o abismo econômico e financeiro apresentado pelo bloco. Não sou especialista no assunto, mas o que eu destaco nestes episódios resume-se em dois simples fatos: de uma maneira ou de outra, a Europa aguentou a pressão, todavia… o medo de uma recessão econômica chegou aos países desenvolvidos! Juntamente com os presidenciáveis, Strauss-Kahn representou um pouco esta desordem nunca antes imaginada, principalmente no século XX, nos países do norte. Sinal dos tempos modernos ou, quem sabe, pós-modernos…

T

ambém na Europa ocorreu um episódio que, para mim, teve papel central neste ano: o duplo atentado na Noruega. Aquele massacre na Ilha de Utoya trouxe ao debate algo muito visado nas relações internacionais, seja ela a questão multicultural. O autor do ataque identificou-se como nacionalista extremo e ultradireitista, mas o mais notável foi tudo isso ter acontecido em um país que tem uma cultura e um histórico voltados para a paz. Quero dizer que ninguém esperava estes acontecimentos que demonstram os sinais dos tempos. Para o bem ou para o mal, a interdependência entre os países existe e o ataque com carro-bomba em Oslo demonstrou, também, que nenhum país passa ileso pelas questões contemporâneas envolvendo, além da supracitada questão cultural, movimentos racistas, pressões governamentais e problemas com segurança internacional.

Mudemos para o Oriente Médio e a África. 2011 foi, com certeza, o ano da Primavera Árabe. Manifestações públicas, guerra civil, descontentamento com governos autoritários, renúncia de Mubarak e morte de Kadafi representaram a volta pelos anseios democráticos. Este é o principal ponto para minha análise: a democracia! Não entrarei no mérito de especificar o que é ou o que dá as bases para um governo democrático, mas usarei o pensamento de Robert Dahl, professor emérito de Ciência Política da Universidade de Yale, para analisar este processo. No Egito e na Líbia, principalmente, foram vistas lutas para uma mudança total da organização política e, consequentemente, social, culminando em aspirações democráticas, tanto no âmbito real, quanto no ideal. Pelo primeiro, evidenciam-se as bases para um sistema representativo de governo e, para o segundo, estabelecem-se valores universais a serem alcançados para o bem-estar geral. Ambos foram vistos este ano na região, as manifestações objetivaram a queda dos governos e, ao mesmo tempo, uma maior participação política da sociedade.

A Ásia passou por uma série de turbulências. O tsunami que devastou o Japão talvez tenha sido a materialização de como 2011 foi um ano “incomum” no continente. Perdeu o posto de segunda maior economia mundial para a China e, tendo o nível de tecnologia reconhecido mundialmente, falhou por não ter previsto a dimensão da catástrofe natural. A morte de Kim Jong-Il entrou para o rol histórico e colocou ainda mais dúvidas sobre o futuro político e nuclear da Coreia do Norte. Somente os chineses continuaram a sua caminhada de liderança, fortalecendo os BRICS e ganhando reconhecimento e prestígio internacionais.

Passemos à América Latina e ao Brasil. No meu primeiro post aqui no blog já havia comentado sobre a integração na nossa região. Continuo destacando estas iniciativas neste ano, pois CELAC e UNASUL procuraram e deram uma nova roupagem positiva para o subcontinente nas relações internacionais. No nosso país, o que ficou em evidência foi a crise nos ministérios, sete ministros deixaram seus postos, todavia a presidente Dilma não perdeu sua popularidade. Mesmo assim, não foi nada bom para a imagem do Brasil no exterior, que fechou o ano como a sexta maior economia do mundo, ultrapassando o Reino Unido, de acordo com o Centre for Economics and Business Research.

E por ai vai… 2011 também foi o ano em que Steve Jobs faleceu, mas as redes sociais alcançaram patamares incríveis de popularidade evidenciados, principalmente, no movimento Occupy WallStreet. Foi o ano em que nasceu mais um Estado, o Sudão do Sul, e que outro, a Palestina, foi reconhecido pela UNESCO. Foi o ano que marcou uma década dos atentados de 11 de Setembro e duas da queda da União Soviética. Por fim, reafirmo que foi o ano das quedas e, ao mesmo tempo, o ano da elevação da classe média, segundo Eric Hobsbawm. Foi o ano em que o “11” passou a ser bem mais que um simples número.


Categorias: Post do leitor, Post Especial


1 comments
Anonymous
Anonymous

TEXTO MUITO BEM ELABORADO. DENTRO DA COMPLEXIDADE DOS ACONTECIMENTOS ATUAIS , UM BELO E AMPLO RELATO.MEUS PARABÉNS.E, UM ANO DE 2012 DE MUITA PROSPERIDADE .MUITAS REALIZAÇÕES... PAZ...MUITA PAZ.FADEL, HARLEY L.