Post do Leitor

Post do Leitor – Cairo Junqueira

[O leitor Cairo Junqueira mais uma vez nos brinda com um interessante texto. Desta vez escreve sobre a política externa brasileira para 2012 e as relações com Cuba. Vale a pena a leitura! Aproveitamos a oportunidade para lembrar que todos podem postar na Página Internacional, basta que enviem seus textos para contato @paginainternacional.com.br]


Brasil e Cuba: o retrato do multilateralismo

Nem bem o ano começou e a agenda diplomática brasileira já iniciou seus trabalhos envolvendo a futura ida da presidente (ou presidenta, como quiserem) Dilma Rousseff a Cuba. O Ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, esteve em Havana nos dias 16 e 17 deste mês e conversou com o Chanceler Bruno Rodríguez sobre os caminhos das relações bilaterais dos países no ano que se segue.

Desconheço os acordos e as histórias existentes entre o Brasil e os cubanos, mas meu enfoque neste post é outro: o multilateralismo brasileiro na prática. Em meio ao cenário internacional atual, com os rumores das eleições norte-americanas, a tensão existente na política externa norte-coreana e a tímida comemoração dos dez anos do euro, nosso país mantém seu enfoque e reafirma seus ideais.

Isso não quer dizer que estamos nos desvinculando ou colocando em segundo plano estes aspectos citados acima, muito pelo contrário. O principal ponto é justamente verificar como o Brasil continua com a sua postura de multilateralidade bastante nítida nestas reuniões em Cuba, uma vez que é um país ímpar nas relações internacionais, seja devido ao seu sistema político interno, à sua estrutura social e urbana ou até mesmo à sua posição geográfica e diplomática.

As intenções do Itamaraty para com o país são visíveis: relacionamento bilateral, integração regional, cooperação técnica internacional e infraestrutura. São temas centrais da nossa política externa, bem como do nosso papel emergente. O estágio contemporâneo do multilateralismo brasileiro mescla a reciprocidade entre países hegemônicos e em desenvolvimento, sem deixar de lado aqueles considerados “terceiro mundistas”.

O aspecto plural de nossas relações exteriores é mais benéfico que a bipolaridade e representa a autodeterminação nacional. Começar 2012 com a visita a Cuba não é algo escolhido aleatoriamente. Para mim representa, e muito, o novo contexto internacional e o novo papel que o Brasil vem desempenhando na política mundial. Parece que nosso país quer dizer o seguinte: “estamos de olho em tudo e em todos”.


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