Post do Leitor

Post do leitor – Bruno Theodoro Luciano

[Pessoal, mais uma vez apresentamos um post do leitor. Desta vez a colaboração é de Bruno Theodoro Luciano, graduado e mestrando em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB). Em uma interessante análise, ele fala como determinados países europeus observam a crise do Euro e, consequentemente, o próprio desenvolvimento da integração regional. Caso queira contribuir com a Página Internacional também, envie seu texto para [email protected]. Aproveitem a leitura!]

Respostas à crise europeia: mais ou menos integração? 

As reações dos países e dos grupos sociais europeus, em decorrência dos efeitos da crise econômica que tem assolado o continente nos últimos anos, têm apresentado naturezas das mais diversas. Enquanto países governados por grupos euro-céticos e setores populares afetados diretamente pelas medidas de austeridades vêm adotando uma percepção negativa quanto às atitudes e instituições supranacionais, os países líderes do bloco têm assumido uma posição favorável à ampliação das competências europeias, tal qual a construção de uma união fiscal, como instrumento de solução para a crise da zona do euro. 

A insatisfação popular em relação aos altos níveis de desemprego e às medidas de austeridade tomadas pelos governos dos países mediterrâneos, como Portugal e Espanha, tomou proporções transnacionais, com a organização de paralisações conjuntas dos trabalhadores desses países. As greves e manifestações nesses Estados representam dura crítica à política de cortes de gastos e de redução de salários dos governos ibéricos em busca de maior equilíbrio nas contas públicas. 

Em países de tradições euro-céticas, como o Reino Unido, a primeira resposta quanto às conseqüências da crise é um apelo por menos integração, por afastamento do país das decisões conjuntas dos Estados que atualmente utilizam o euro como moeda oficial. A crise europeia não deixa de ser uma oportunidade para os partidos contrários ao aumento de integração, como o Partido Conservador, demandarem uma reavaliação da postura britânica como membro do bloco europeu. Uma saída britânica da UE, no entanto, é impensável na atualidade, já que 50% do comércio desse país é feito com seus parceiros europeus

Em recente discurso no Parlamento Europeu, a primeira-ministra alemã Angela Merkel ressaltou a necessidade futura de federalização da integração europeia, como forma de se alcançar uma solução para a crise no velho continente. O aprofundamento da Europa, para a líder alemã, torna-se condição essencial para resolução da crise dentro dos países da zona do euro, mesmo que traga a necessidade de uma nova revisão dos Tratados Europeus em vigor. 

Enquanto determinados grupos e partidos entendem que a crise dos países da zona do euro é decorrente da alta ambição na constituição de uma moeda europeia comum, outros setores veem a culpa da crise, na realidade, na falta de ambição em tornar a moeda europeia mais forte, sem o respaldo de uma união fiscal e política. Ou seja, as respostas quanto a um mesmo problema podem ser totalmente contrárias, com base na ideologia e na visão que determinados grupos possuem acerca da integração. Do mesmo modo que é difícil encontrar representantes de partidos de tradição euro-cética favoráveis à manutenção da moeda europeia na atual conjuntura, é impossível visualizar representantes das instituições europeias apoiando o fim da zona do euro. 

Os rumos da integração europeia estão nas mãos dos grupos que estiverem no poder de Estados-chave para a Europa, ou seja, Alemanha e França. Enquanto a liderança política desses países for favorável à manutenção ou ao aprofundamento do bloco, não há razões para se pensar em um mundo sem uma Europa unida.


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