Post do Leitor

Post do Leitor – Bianca Fadel

[Galera, mais um post da leitora Bianca Fadel. E atenção, leitores, logo anunciaremos novos colaboradores da equipe da Página Internacional, aguardem!]

A Croácia e seus novos desafios

A Croácia conheceu neste domingo seu mais novo presidente. Trata-se de Ivo Josipovic, especialista na área de Direito Internacional e, curiosamente, premiado compositor de música clássica, tendo sido o candidato da oposição pelo Partido Social-Democrata. De acordo com os resultados oficiais do segundo turno do pleito eleitoral, Josipovic foi eleito com aproximadamente 60% dos votos válidos, na disputa frente a seu adversário conservador Milan Bandic, presidente da Câmara Municipal de Zagreb, capital do país.

Durante a campanha eleitoral, os principais temas discutidos envolveram a luta contra a corrupção e o crime organizado; o desejo de tornar a Croácia um país-membro da União Européia; e as iniciativas para a superação da crise econômica no país. Uma das destacadas propostas realizadas pelo presidente eleito foi a luta contra a corrupção e a criminalidade organizada, tendo se dirigido aos cidadãos do país, após sua vitória, nos seguintes termos: “Não temam, superaremos a crise econômica, combateremos a corrupção e a pobreza”. São promessas ambiciosas e bastante conhecidas em tempos eleitorais, porém deverão ser efetivamente seguidas para que a Croácia possa atingir aquele que se constitui, na opinião de muitos, no maior objetivo nacional para os próximos anos: a entrada do país na União Européia.

A independência da Croácia aconteceu apenas em 1991, com a dissolução da ex-Iugoslávia, constituindo-se em um país de economia relativamente pequena, cuja composição populacional representa apenas 1,2% da população da União Européia, sendo a distribuição caracterizada por 53,3% de população urbana em contraposição a 46,7% de população rural (maiores informações aqui). O país possui elevado Índice de Desenvolvimento Humano, porém, em termos econômicos, os croatas têm enfrentado situação complicada de recessão nos últimos tempos, com graves conseqüências locais, tais como o aumento do desemprego e da dívida externa.

Desde 2000, o sistema político croata é republicano parlamentar, sendo que o mandato presidencial tem duração de 5 anos (com limite de apenas uma reeleição) e, apesar de seu caráter protocolar, constitui um cargo de notável prestígio. Ivo Josipovic, terceiro presidente desde que o país se tornou independente em 1991, possui certamente muitos desafios a enfrentar a partir de fevereiro, quando assumirá efetivamente seu mandato de presidente na Croácia, ao lado da primeira-ministra conservadora Jadranka Kosor.

As grandes expectativas a respeito da entrada do país no bloco europeu mostram-se otimistas com o cumprimento dos requisitos necessários para tanto, esperando-se a total transposição das regras comunitárias ao direito nacional em meados deste ano. Resta-nos, então, acompanhar os novos desafios e o andamento das negociações para avaliar se a Croácia será, efetivamente, mais um país pós-comunista a compor a União Européia, bloco integracionista de incomparável sucesso no mundo atual.


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