Post do Leitor

Post do Leitor – Bianca Fadel

[Hoje temos uma estréia especial neste blog. Há muito tempo, a aluna do 3º Ano de Relações Internacionais da Unesp-Franca, Bianca Fadel, nossa fiel leitora, disse que nos enviaria um post. Agora, o post chegou. Ela faz uma análise da questão étnica na China. Vale a pena conferir. Ótima leitura a todos!]

Etnicidade nas relações internacionais: o caso da China

Na contemporaneidade, a importância da reflexão acerca da(s) etnicidade(s) se mostra crescente, na medida em que se fortalecem os processos de interdependência característicos de uma era de globalização acentuada. A análise dos recentes conflitos relativos ao grupo étnico dos uigures na China pode ser utilizada como bom exemplo para o aprofundamento dos aspectos relativos a tal discussão no âmbito das Relações Internacionais.

No último dia 24 de dezembro, véspera de Natal, outros 5 representantes da etnia uigur receberam uma sentença nada festiva. Estes se juntaram aos 22 uigures que foram anteriormente condenados à pena de morte pelos conflitos étnicos ocorridos em julho deste ano – que deixaram aproximadamente 200 mortos e milhares de feridos na região noroeste da China (maiores informações aqui). Para compreender a situação, é importante uma breve contextualização a respeito do tema.

A província de Xinjiang é a maior da China, sendo considerada estratégica por suas características naturais de forte impacto econômico – a região concentra 15% das reservas nacionais de petróleo e 20% de suas reservas de gás (maiores informações aqui). Esta província foi incorporada à China no século XIX, comportando grande quantidade de uigures, povo de vinculação muçulmana e língua turca. Historicamente, o ‘medo chinês’ dos uigures é antigo, sendo que, em tempos mais recentes, a China possui como principal temor que o crescimento do movimento separatista uigur venha a incentivar conflitos entre a etnia dominante no país (chamada han) e as variadas minorias existentes na localidade (maiores informações aqui).

Em meados de julho deste ano, protestos com motivação cultural envolvendo a etnia uigur provocaram inúmeros casos de mortes e ferimentos no país. Os protestos ocorreram em resposta à morte por linchamento de dois uigures no começo do mesmo mês, sendo que estes criticam a discriminação por parte da etnia han, dominante no país. É preciso ressaltar as grandes diferenças entre os dois povos, o que acentua as animosidades.

Vale apontar, ainda, que a posição norte-americana, antigamente caracterizada por oposição aos abusos de direitos humanos em Xinjiang, modificou-se notadamente após os atentados de 11 de setembro, com vistas ao combate aos fundamentalistas islâmicos na desenfreada Guerra contra o Terror.

Considerando que cada uma das quatro pequenas estrelas da bandeira da China representa suas províncias autônomas, dentre as quais se encontra a de Xinjiang, é preciso refletir acerca dos efeitos da globalização na acentuação dos conflitos étnicos no país. Neste sentido, é interessante o posicionamento de Rebiya Kadeer, exilada uigur nos Estados Unidos e uma das principais vozes da etnia no mundo, a qual sugere que o momento, apesar de crítico, deve mostrar-se propício ao diálogo (maiores informações aqui). Este ponto de vista, no entanto, não tem caracterizado a atuação do governo chinês no que tange a punição aos uigures, tal como sugere o crescente número de representantes da etnia condenados à pena capital.

Percebe-se, pois, que apenas a partir da disposição das partes envolvidas em prol do alívio das tensões étnicas é que as ‘estrelas’ da bandeira chinesa poderão se complementar não apenas de forma simbólica, mas, principalmente, com o objetivo da coexistência política, econômica e social de forma harmoniosa, indiscriminada e benéfica a todas as partes envolvidas.


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3 comments
Giovanni Okado
Giovanni Okado

Bom, podemos mudar a expressão, Bianca, se você quiser... hehehe. Mas o importante é que você postou. Muito obrigado pela colaboração!Beijos, até mais!

Bianca Fadel
Bianca Fadel

"Estréia especial" ? hehe... finalmente, né ?! ^^"Até mais ! ;)