Post do Leitor

Post do leitor – Ana Elisa Thomazella

[Galera, mais um post do leitor! Desta vez, quem nos escreve é a Ana Elisa Thomazella. Boa leitura a todos!]

Desastre no Haiti: muito além da relação Brasil X EUA

Após o terremoto no Haiti, muitas discussões foram geradas acerca do papel das Organizações Internacionais e de outros países em relação à ajuda humanitária no caso de desastres e conflitos de grande impacto sobre a população civil. Freqüentemente, os meios de comunicação e analistas das Relações Internacionais apontam para a importância da atuação brasileira no caso haitiano, tanto no período anterior ao desastre – período no qual o Brasil retomou sua participação, de forma significativa, em operações de manutenção de paz – e também, no período posterior ao terremoto, proporcionando assistência básica para garantir a sobrevivência da população civil, em um primeiro momento; e, mais tarde, a reestruturação do país.

Nesse mesmo sentido, o foco recaiu também sobre a atuação dos Estados Unidos que, não só mantém um longo histórico de intervencionismo no Haiti – tanto por meio de tentativas de implantação e consolidação do modelo político-democrático, como de controle de uma importante rota do narcotráfico que tem sua origem na América do Sul – mas também está dando assistência tecnológica na coordenação do aeroporto haitiano, como nenhum outro país seria capaz de fazer de imediato.

Inicialmente, portanto, é importante conduzir as reflexões de modo que, longe de deixar de lado os interesses geoestratégicos de ambos os países nesse contexto de atuação internacional, fique evidente qual o real posicionamento desses atores, quais são os outros atores envolvidos nesse processo e quais as necessidades do Haiti para se restabelecer como Estado soberano.

No curto prazo, a coordenação das atividades ligadas à assistência humanitária pela ONU é essencial para garantir que os países hajam de acordo com as regras internacionais estabelecidas com base no Direito Internacional. O envio de recursos, de alimentos, de água e de medicamentos é indispensável à população; assim como, projetos de realocação das famílias e de contenção da violência.

No longo prazo, a recuperação das Instituições Nacionais torna-se um elemento fundamental para que o processo de reestruturação do país se consolide e se legitime. Além disso, há a necessidade da criação de iniciativas de cooperação e coordenação entre a população civil e o setor militar, como forma de facilitar o trabalho de agências civis, no que diz respeito à ajuda humanitária e aos projetos de desenvolvimento, de segurança, da organização de eleições e da garantia dos direitos básicos.

Nesse sentido, países como o Brasil, por meio da atuação na Minustah, e os EUA são atores de grande participação nesse processo. Entretanto, não se pode esquecer que, sendo o Haiti um país onde aproximadamente 80% da população vive abaixo da linha da pobreza, várias Organizações Não-Governamentais (ONGs) – muitas das quais de origem canadense – já exerciam um papel de grande destaque para diminuir as conseqüências das péssimas condições de vida da população.

Daí a necessidade de intervenções bem coordenadas pelas agências da ONU, como forma de garantir que o povo haitiano, que já sofria com graves problemas relacionados à fome e à falta de infra-estrutura básica, muito antes do terremoto, tenha o mínimo amparo jurídico e material para resgatar os direitos fundamentais previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos.


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