Post do Leitor

Post do Leitor – Álvaro Panazzolo Neto

[Olá, pessoal. Mais uma vez, o aluno do 4º Ano de Relações Internacionais da UNESP-Franca, Álvaro Panazzolo Neto, nos prestigia com um post de sua autoria. Desta vez, ele trata da escolha da próxima sede das Olímpiadas e dos bastidores dessa escolha; acreditem: há mais interesses envolvidos do que a própria apreciação do esporte. Confiram logo abaixo!]

Queimando a Largada

Ok, vamos tratar de um assunto que está causando uma celeuma midiática: a escolha da sede olímpica de 2016. Apesar de romper com o meu tema habitual do FX-2, está relacionado, como verão.

Vai ser em Copenhague, na Dinamarca, nesta sexta-feira, etc. Basta ligar na globo que você vai saber de tudo, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) tem um importante marqueteiro por aqui.

Sou contra esta candidatura inoportuna, e poderíamos falar das vultuosas somas envolvidas em contratos publicitários e no uso do dinheiro público (quer queiram quer não, ocorrerá, como sempre), o direcionamento levemente parcial da mídia nessa busca imbecil por prestígio internacional, a ida do Obama para praticamente confirmar a escolha de Chicago ou o fato de que o zoológico do Rio vai ter que triplicar o tamanho por causa dos trocentos elefantes brancos que vão surgir se a cidade for escolhida. Mas não tenho o gabarito para tal, e gente competente já está lidando com o assunto em outros meios.

Agora, vejamos: nesta sexta, quando todos estiverem vendo o Galvão Bueno rasgando seda para a ” cidade maravilhosa”, as empresas participantes do FX-2 vão entregar os relatórios finais de melhora das ofertas à comissão do Projeto. Provavelmente é a etapa final antes do parecer técnico da FAB (sim, a compra não foi finalizada como o Lula saiu alardeando no 7 de setembro), visto que esta queria finalizar o processo em outubro para divulgar o vencedor no dia do aviador (dia 23).

A questão é que Lula causou constrangimentos suficientes para o Ministério da Defesa queimar a largada e atropelar o processo técnico para iniciar a negociação com os franceses. Agora, em Copenhague, estará ao lado de Obama, que certamente não perderá a oportunidade de promover a oferta final da Boeing, que provavelmente terá um preço muito mais atrativo que o francês e que diz que fará do Brasil um parceiro estratégico dos EUA, não um comprador – e isso não é pouca coisa. Se houver mesmo a tal trasnferência de tecnologia, esse seria um negócio extremamente vantajoso. Nem vou citar a oferta sueca, que ao que parece vai custar a metade do preço final dos concorrentes e supostamente tem a melhor opção para o Brasil desenvolver tecnologia própria, e eles levam tão a sério que o Ministro da Defesa sueco vem ao Brasil para ser sabatinado pelo Senado.

Portanto, independentemente da escolha da cidade, Lula vai ter o maior lobista dos EUA no seu cangote, e provavelmente vai ter que se explicar sobre a escolha levemente precipitada de flertar com Sarkozy, ignorando o bom senso e todo o cronograma da FAB. Para além da escolha da sede olímpica, muitas emoções ainda nos aguardam este mês, esperem e verão.


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