Por uma cultura de não violência

Por

“Existe apenas uma verdade universal, aplicável a todos os países, culturas e comunidades: a violência contra as mulheres nunca é aceitável, nunca é perdoável, nunca é tolerável.” 

Ban Ki-Moon, Secretário-Geral das Nações Unidas 

A mensagem de Ban Ki-Moon reflete o espírito de 25 de novembro: Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher. Esta data foi instituída em 1999 pela Organização das Nações Unidas (ONU) em homenagem às irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal), três dominicanas ativistas políticas que, ao se oporem à ditadura de Leonidas Trujillo (1930-1961), na República Dominicana, foram brutalmente assassinadas em 1961.

A história de valentia destas mulheres alcançou repercussão para um problema que, mesmo nos dias de hoje, frequentemente permanece inaudível e invisível aos olhos da sociedade. Os números que ilustram o cenário atual de violência contra a mulher, contudo, não passam despercebidos. Pelo contrário, são impressionantes.

Segundo a ONU, aproximadamente 70% das mulheres no mundo sofrem algum tipo de violência ao longo da vida, sendo que existem cálculos que apresentam a triste estatística de que uma em cada cinco mulheres no mundo se tornará uma vítima de estupro ou tentativa de estupro na vida. Em casos de conflito, a prática da violência sexual se torna recorrente: no caso da República Democrática do Congo, cerca de 1.100 estupros são relatados por mês – uma média que choca e traz à tona a gravidade do tema.

Na própria ONU, existe o segmento ONU Mulheres, antes presidido pela chilena Bachelet e agora pela sul-africana Phumzile Mlambo, dentro do qual existe uma comissão específica sobre o Status da Mulher, cúpula que revisa os progressos na luta pela igualdade de gênero e pelo empoderamento das mulheres no mundo, também se dedicando à avaliação de estratégias para eliminação da violência contra a mulher.

No Brasil, a Lei Maria da Penha é uma das mais conhecidas pela população no país, completando 7 anos de existência para encorajar a denúncia de violência contra mulheres no ambiente doméstico – onde grande parte dos casos ocorrem, a Justiça não chega e a vergonha ou o temor usualmente inibem qualquer iniciativa por parte das vítimas.

Que este 25/11, hoje ainda necessário para a conscientização e denúncia dos casos de violência contra mulheres, possa vir um dia a se tornar, na verdade, uma data de celebração da cultura de não violência pelo mundo afora na medida em que o assédio – de todo tipo – deixe de constituir parte da rotina feminina… 


Categorias: Assistência Humanitária, Direitos Humanos, Organizações Internacionais


2 comments
Anonymous
Anonymous

Gostei muito do assunto abordado e acho importante a divulgação do mesmo. Parabéns pela oportuna lembrança desta data!!!!Nadia Cristina

Anonymous
Anonymous

Parabens pela materia. A luta tem que continuar. Conscientizaçao e denuncia sempre.Harley