Por um futuro autônomo

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A Liga Árabe está reunida para discutir a colonização israelense. A posição do bloco é, de certa forma, conhecida. “[…] as negociações (com Israel) dependem do congelamento da colonização e, em particular, do cancelamento dessas construções”. A improbabilidade desses acontecimentos é grande, porém um fato chama a atenção: o desprendimento dos países árabes enquanto donos de suas decisões.

Por décadas, governos de todo o mundo (sobretudo norte-americanos) compareceram ao Oriente Médio em busca de consenso e acordos de paz. Recentemente, até mesmo nosso presidente Lula quis desempenhar o papel de apaziguador e promotor de diálogos entre palestinos e israelenses, sem sucesso duradouro.

Alem disso, há também o estigma criado sobre a imagem do árabe. Ainda é muito forte a idéia de que o povo seja fanático e extremista, que a região é subdesenvolvida e minada pela corrupção, incapaz de andar com as próprias pernas ou de se inserir no mundo atual e fechada em tradições retrogradas. Mais do que isso, acredita-se que o mundo árabe deva isolar o Ira e posicionar-se favoravelmente aos EUA e Israel.

O fato é que ambas as coisas podem ser equívocos de interpretação. Parag Khanna coloca que eles não se encontram de maneira alguma encurralados entre os pólos Ira e EUA, preferindo cooperar em assuntos de interesse comum com ambos ao invés de escolher entre o dualismo inventado do bem e mal. E não, não queremos interferência, mas queremos resolver nossos próprios problemas, diriam os árabes.

Prova disso vem com a Liga Árabe. A Liga Árabe é uma organização de Estados árabes fundada em 1945, com o objetivo de reforçar e coordenar os laços econômicos, sociais, políticos e culturais entre os seus membros, assim como mediar disputas entre estes. Atualmente, os membros são Líbano, Egito, Iraque, Síria, Jordânia, Arábia Saudita, Iêmen, Palestina, Sudão, Líbia, Tunísia, Marrocos, Kuait, Argélia, Iêmem do Sul, Bahrein, Qatar, Omã, Emirados Árabes Unidos, Mauritânia, Somália, e Djibuti.. O principal fator de união, que era a vinculação com o mundo árabe, passou a ser a religião islâmica.

Está na agenda a discussão de um Conselho de Segurança árabe, que incluiria Irã e Israel, bem como financiar escolas seculares. Os EUA, em nome de preservar a união contra o Irã, de minar lideres teocratas e mesmo de manter sua influencia na região, rejeita as propostas.

Poderiam as soluções ocidentais resolver os problemas do Oriente Médio?

 


Categorias: Estados Unidos, Organizações Internacionais, Oriente Médio e Mundo Islâmico


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