Polemizando a Segurança

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Fonte: pragmatismopolitico.com.br


Outrora já havia escrito um texto (veja aqui) que tratava brevemente sobre a questão dos drones. Para quem não conhece, os drones são aeronaves de combate não tripuladas e foram utilizadas pela primeira vez na década de 1980 no conflito Irã-Iraque. Desde então, por inúmeros motivos, dentre os quais se podem citar uma nova visão do que seria uma ameaça internacional, a representatividade da transferência desse tipo de tecnologia dos Estados Unidos para seus aliados e o fato de se estar combatendo um “inimigo invisível”, a prática de se usar este tipo de armamento vem causando inúmeros debates em tudo que envolve Segurança Internacional. 

Me aventuro a escrever sobre isso, pois a Página Internacional não poderia deixar de destacar o que polemizou a semana nos mais variados cantos do mundo acerca desse tema. Primeiro, talvez o mais importante, o secretário de justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, assumiu publicamente que drones mataram quatro cidadãos norte-americanos no Iêmen, país vizinho da Arábia Saudita localizado próximo ao Golfo Pérsico. Obviamente, os alvos tinham ligação direta com a organização terrorista Al-Qaeda, todavia dois mortos não faziam parte das estratégias dos ataques. Um adolescente de 16 anos fora vítima fatal. 

Mesmo assim, o presidente Barack Obama promoveu um discurso defendendo a legitimidade dos ataques realizados por drones. Em vídeo, mostrou que os Estados Unidos estão em guerra contra o terror e que a utilização de drones é parte da estratégia do país após os atentados de 11 de Setembro. Em suas palavras, afirmou que há pessoas matando norte-americanos e que eles devem detê-los. Ou seja, a frase “doing nothing is nothing on option” relembra muito os anos da Era de Bush Filho. 

Segundo, até o Irã embarcou nesta jornada. No início do mês apresentou o “Hamaseh”, o primeiro avião não tripulado do país. Autoridades disseram que ele será capaz de realizar operações para reconhecimento de território e até transporte de mísseis. Resta saber se não é mais um blefe do presidente Ahmadinejad. 

Drone da FAB. Fonte: Tahiane Stochero/G1

Terceiro, até aqui no Brasil os drones foram novidade. Pela primeira vez a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Polícia Federal colocaram em operação três drones para monitorar as fronteiras com o Paraguai. O intuito é reprimir crimes e facilitar o deslocamento terrestre para combater o tráfico de entorpecentes. Algo bastante útil e que deve ser comemorado por estas bandas. 

Somente com os exemplos dos Estados Unidos, do Irã e do Brasil, vê-se que os drones têm inúmeras utilidades. Evidentemente, a primeira é a mais polêmica e continuará sendo muito criticada pelas Nações Unidas. Lutar contra um “inimigo invisível” e adentrar territórios soberanos são temas inquietos e de longa data nas relações internacionais. Mesmo de forma pequena e sem quase perceber, o governo brasileiro mostra o outro lado da moeda: o uso de drones para observação de fronteiras. 

Continuam existindo mais contras do que prós em relação aos drones. E, enquanto ocorreram mortes de civis, a polêmica não terá um fim. Dependerá das políticas exteriores de cada Estado. E, novamente, se derivar dos Estados Unidos e o seu eterno combate ao terrorismo, drones se multiplicarão entre seus aliados ressuscitando a ordem internacional do fim do século passado.


Categorias: Conflitos, Defesa, Paz, Segurança


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