Pleito hondurenho

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[No intervalo de Cop15 e Irã…]

Depois de muito teretetê com as eleições em Honduras, o Tribunal Eleitoral anunciou que o Porfírio Lobo foi, sim, legitimamente escolhido para ocupar o leme do país latino. Saída de Zelaya e renúncia de Micheletti: isso é o que o futuro mandatário exige desde já. A partir dessa declaração, também advogou por uma saída ‘honrosa’ do [desgastado] morador da embaixada brasileira.

Se o comparecimento às urnas fosse alto, a diplomacia brasileira teria um impasse pela frente: defender Zelaya mesmo frente a eleições democráticas e representativas? Por sorte, manteve-se o mesmo nível da eleição anterior – menos da metade da população.

Ora, a Frente de Resistência ao Golpe de Estado em Honduras proclamou uma “vitória sobre o golpe”. O líder Rafael Alegria chegou a dizer que “está claríssimo que há uma rejeição à legitimação do golpe, o povo deu um golpe no golpe de Estado”. Não. Foi simplesmente a população hondurenha sendo “cidadã” em seu padrão normal.

Por sorte, o Brasil não teve que passar por mais essa saia justa. A América Latina inteira classificou como ilegítimas as eleições hondurenhas. Aliás, até agora, apenas Colômbia, Costa Rica, Panamá e Peru – além do mentor de todos eles, EUA – aceitaram este pleito. Os demais, desde líderes de esquerda aos discursos do Brasil e Argentina, questionam e condenam a realização das eleições.

Não entrando no mérito substancial da legitimidade das eleições em Honduras, o fato é que essa atitude por parte do governo americano remonta tempos não muito distantes. A discrepância de reações no continente americano lembra os contrapontos unilaterais que os EUA assumiam na administração Bush. Nós e eles. Apesar da natureza dos discursos e da postura americana parecer alterada na Era Obama, posições radicalmente opostas de EUA e América Latina no que concerne a situação política deste mesmo ambiente desperta desconfiaça por parte de analistas, governantes e – devo confessar – da minha parte também. Após ouvir do Nobel da Paz que a guerra é, sim, um meio de manutenção da paz, quem nos garante que a polarização na América tenha, de fato, seu prazo de validade vencido, como nos afirmou Obama?

Será mesmo?


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