Petróleo e Chávez: as eleições na Venezuela

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A participação do petróleo no debate público venezuelano é antiga. Seus impactos também. Já na Grande Depressão, discutia-se a questão dos ingressos advindos do óleo natural. Naquela época, a solução foi um novo sistema de royalties. Além disto, deste país saíram 60% do suprimento das forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial. Desta dinâmica decorre o fato do país ter incrementado o nível de vida de sua população, aumentado suas reservas e os rendimentos reais dos trabalhadores no pós-Guerra.  

Voltando a um período mais recente, posterior a redemocratização do país (1958), a pujança petroleira teve continuidade. A criação da OPEP, em 1960, foi elemento fundamental. Os choques impostos por esta organização, em 1973 e 1979, foram o motor dos avanços internos e externos. No primeiro âmbito, os benefícios sociais eram tangíveis, o crédito aos empresários farto e a inflação estava controlada. No cenário internacional, a Venezuela pode engajar-se no movimento dos não-alinhados e no chamado terceiro-mundismo.  

Contudo, a prosperidade durou pouco. Na década de 1980, o quadro inverteu-se em parte devido ao impacto na demanda por petróleo decorrente da desaceleração econômica mundial. A Venezuela viu o desemprego fortalecer-se, os investidores abandonarem o país e sonho petroleiro ser interrompido. Os venezuelanos não estavam acostumados aos sacrifícios que viriam. Frente este cenário, Chávez comandou uma tentativa fracassada de tomar o poder. Sua figura, a partir de então, tornou-se onipresente. Mais antigo e recorrente na vida venezuelana só mesmo o petróleo.  

Com sua chegada ao poder, pelo via democrática, Chávez pode colocar em prática sua revolução. Conforme debatido à exaustão por analistas, sua linha pautou-se na redistribuição da riqueza gerada pelo petróleo. Para os seus defensores, inaugurou uma era que levaria os interesses de seus cidadãos ao comando, contra grupos (nacionais e estrangeiros) que agiriam em favor próprio. Para seus críticos, representa um governo que monopoliza meios de comunicação, busca perpetuar-se e fragilizou a economia do país.  

Neste domingo, estarão frente a frente Maduro, herdeiro de Chávez; e Capriles, líder escolhido pela imensa coalização opositora. Estes descrevem a disputa como uma luta entre Davi e Golias. Aqueles, preferem adotar a defesa que trata-se de dar continuidade ao conjunto de princípios deixado por Chávez. A vantagem, nas recentes pesquisas, segue confortável em favor dos governistas. O principal perigo talvez nem seja o opositor, mas a abstenção.  

Em um país de altos e baixos, que viveu o melhor e o pior em termos econômicos, depender do petróleo mostrou seus lados bons e ruins no decorrer de sua história. Mesmo ganhando o herdeiro oficial, os desafios econômicos serão grandes e caberia uma reflexão de como enfrentá-los. Caso contrário, Maduro precisará mais do que recados enviados por “passarinhos” pelo seu padrinho político, terá de refinar seu exercício de mediunidade para explicar ao povo venezuelano como o Comandante faria para reavivar a economia. Ele não descansa, nem morto.  

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