Perfumes revolucionários?

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Perfumes

Uma das notícias intrigantes da última semana havia sido o anúncio, por parte da empresa pública de cosméticos cubana Labiofarm, do lançamento de duas novas fragrâncias intituladas… Ernesto e Hugo. A dita “homenagem” ao cubano Ernesto Che Guevara e ao venezuelano Hugo Chávez chamou a atenção – não pelo tipo de fragrância ou pelo interesse dos amantes de perfumes pelo mundo afora, mas principalmente pelo impacto político de se transformar o nome dos líderes revolucionários comunistas em marcas para venda no mercado internacional…

Segundo o laboratório, a escolha dos títulos se deu após pesquisas junto ao público e as famílias de Che e Chávez teriam autorizado o uso de seus nomes para este fim. Nas palavras de Mario Valdés, diretor da área de investigação e desenvolvimento da Labiofarm, “Hugo tem notas cítricas e amadeiradas que dão uma expressão de masculinidade” e “Ernesto tem algo de essências frutadas com elementos de carvalho, que dá um sentido varonil” […]. Por mais que possa parecer irônico, os produtos foram efetivamente anunciados com previsão de lançamento no mercado no início de 2015.

Ontem, contudo, o governo cubano se pronunciou por meio de nota no jornal estatal Granma, caracterizando como “irresponsável” o anúncio dos perfumes, proibindo sua fabricação sob a justificativa de que “os símbolos da revolução são e sempre serão sagrados”.

Discussões entre o governo cubano e suas empresas à parte, o episódio traz a particularidade de mostrar como importantes símbolos políticos podem ter sua imagem capitalizada por empresas que alcançam um nicho de mercado em ampla expansão. Quem nunca viu alguém usando uma camiseta com a clássica estampa de Che Guevara sem nada saber sobre sua história em si? A ideia de “revolução” se torna, cada dia mais, uma mera marca para ser comercializada em prateleiras pelo mundo afora enquanto a real importância política de figuras marcantes (ainda que polêmicas) parece se banalizar diante de aparências que maquiam a complexidade dos interesses políticos e econômicos em jogo…

[PS: Dois outros modelos femininos estavam também sendo produzidos pelo laboratório: Amalia, em referência a Amalia Simoni, importante nome feminino durante a Revolução Cubana, e Alba, em alusão à “Alternativa Bolivariana para as Américas”…]


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