Pela liberdade

Por

O que mais os países são capazes de realizar pela liberdade? Guerras, restrições de manifestações pacíficas, limitação de liberdade religiosa, intervenções internacionais? Muito já parece ter sido contemplado. O tempo passa e as motivações encontram-se com as práticas e mostram contradições daquilo que se pode fazer pela liberdade, pelo “livre-desenvolvimento” de algum princípio ou valor cultural que se defenda.

A questão é que atualmente temos nos deparado com situações no mundo que são difíceis de lidar. Desde as intervenções humanitárias desumanas (para mais sobre isso clique aqui) no mundo árabe às proibições de véus para proteger a liberdade e a segurança de grupos. Como o primeiro já foi bem tratado no blog, vamos ficar no segundo caso. A França consolidou a proibição de diversos véus islâmicos. A burca e o niqab (para entender a diferença clique aqui) foram os principais atingidos. Acusados de atentar contra a liberdade das mulheres e seus direitos, de representar uma ameaça por esconder o rosto da pessoa que os usa e coibir o livre-desenvolvimento da cultura francesa, as manifestações culturais foram suprimidas e já reprimidas.

Mas podem argumentar, como Gilles Lapounge em artigo para O Estado de S. Paulo, que muitas mulheres passaram a usá-lo somente após as discussões sobre a proibição emergirem. E outra, a França é um país laico e manifestações religiosas fora de templos não podem ser permitidas. Ora, essa é uma discussão que se estendia desde a década de 1980, quando entendia-se que manifestar religião em escolas e tentar converter outros alunos seria condenado.

Culminou, em 2004, com o então primeiro-ministro francês, Jean-Pierre Raffarin, afirmando que o uso de véus islâmicos em escolas públicas seriam afrontas aos ideais de igualdade e fraternidade franceses (clique aqui para um artigo interessante sobre o tema). Alguma semelhança com o que está ocorrendo hoje? O problema é que a defesa da liberdade pela supressão de outra não se justifica. Ser laico suprimindo toda e qualquer manifestação religiosa também não. Segundo Lapounge se cristãos ou budistas utilizassem máscaras na rua que encobrissem seus rostos também seriam multados. A questão é que essas religiões não fazem uso de vestimentas que encobrem o rosto e parece claro um atentado contra um grupo que não representa nem 6% da população.

Muitos já afirmavam que a globalização tem seu lado perverso. Miscigenação e pluralidade não afrontam identidades nacionais nem culturais. Mas parece que muitos povos percebem ao contrário e materializam a perversidade globalizatória. Por isso, volto a perguntar. O que mais os países são capazes de fazer pela liberdade?


Categorias: Oriente Médio e Mundo Islâmico, Polêmica, Política e Política Externa