Pela dignidade

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Marcha Espanha

Enquanto a Ucrânia tem sido ponto de pauta obrigatório da União Europeia nas últimas semanas devido à complexidade política e econômica do país em uma situação de conflito que se alastra, ontem os holofotes se dividiram e retrataram também a situação de crise da Península Ibérica, mais precisamente da Espanha.

Milhares de espanhóis foram às ruas ontem em uma das manifestações do movimento “Marchas pela Dignidade”, iniciativa que está congregando 300 organizações em protesto contra a (crítica) situação social vivida pelo país já há um certo tempo, sem perspectiva de soluções a curto prazo. Com uma taxa de desemprego estrondosa (26%, correspondente a mais de um quarto da população economicamente ativa da Espanha), e diante dos recentes e expressivos cortes do governo na área de saúde e educação, os espanhóis encontram-se naturalmente insatisfeitos perante a situação atual.

À semelhança, em certa medida, das manifestações de junho do ano passado no Brasil (dadas as devidas proporções motivacionais, essencialmente econômicas no atual contexto espanhol), vemos a população reunir-se nas ruas de toda a Espanha em direção à capital Madrid para externalizar um sentimento de revolta e buscar melhoras estruturais.

Ainda que pacífica, a marcha espanhola contou com o triste saldo de mais de cem feridos diante de confrontos entre manifestantes e policiais – qualquer semelhança não é mera coincidência em relação ao despreparo militar no “controle” de manifestações pacíficas…

As práticas de austeridade do governo conservador do Partido Popular desagradam na medida em que os cortes realizados para reduzir a dívida pública espanhola (que atinge o recorde de 979.316 milhões de euros!) parecem reduzir, na prática, apenas os direitos de grande parte da população do país com condições menos favoráveis ao acesso ao emprego, à saúde e à educação. Estratégia, no mínimo, contraditória por parte do governo.

Com a previsão de realização de debates e conferências sobre os temas relevantes durante a semana, a situação traduz as contradições de um governo impopular e imprevisível diante das demandas suprimidas da população. Diante de tudo isso, os espanhóis bradam às ruas: “Nem desemprego nem exílio nem precariedade. Marchas, marchas, marchas pela dignidade”. Sim, pela dignidade.


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