Para…o que? [Post 3]

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A Página Internacional finaliza a pequena série de postagens que aborda um tema recente nas Relações Internacionais: a Paradiplomacia. Neste terceiro e último texto, destacamos a relação existente entre os atores subnacionais e outras configurações de poder, dando ênfase aos blocos econômicos e às redes de cidades. 

As regiões e as cidades nas relações internacionais 



Nos dois textos iniciais sobre paradiplomacia (encontrados aqui e aqui), vimos como os atores subnacionais ganharam reconhecimento na esfera internacional no final do último século. Também mencionamos diversos exemplos deles, os quais perpassam praticamente todos os continentes, destacando-se as iniciativas dos países da América do Norte e da Europa, sem esquecermos o caso brasileiro, o qual já vem sendo desenvolvido e estudado de maneira intensa. 

Este terceiro texto é o último desta pequena série. Objetiva-se, aqui, analisar a inserção internacional das regiões e das cidades, inseridos na ótica de atores subnacionais, e as novas características que advém delas, ou seja, os blocos regionais e as redes de cidades. O MERCOSUL e a Rede Mercocidades ou a União Europeia e o Comitê das Regiões são exemplos avançados da importância dos dois temas tratados no presente escrito. Tanto a rede quanto o comitê são organizações que levam em conta a paradiplomacia e que nasceram no contexto de integração regional. 

Mas o que é região e o que é rede (de cidades)? O termo “região” pode ser definido como um bloco regional ou regiões – políticas, étnicas, administrativas, econômicas – dentro de um mesmo país ou atravessando países. Por sua vez, “rede” refere-se a uma série de nós interconectados, sugerindo uma teia de vínculos, relações e ações entre indivíduos e organizações. 

Das regiões provêm os processos de integração e formação de blocos regionais. A ligação entre dois ou mais Estados e a posterior formulação de regras, normas e ordenamentos em comum caracteriza ou tenta caracterizar os já mencionados MERCOSUL e União Europeia, bem como inúmeros outros exemplos: UNASUL, NAFTA, CARICOM (Comunidade do Caribe), ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), etc. E, das redes, propriamente ditas, derivam as redes de cidades, as quais correspondem a organizações entre municipalidades para articularem projetos em comum e minimizarem riscos de barganha, possuindo imenso alcance geográfico, ausência de um comando central, agilidade e aproximação entre os membros. Podemos citar inúmeros casos de redes de cidades das mais variadas proporções e tamanhos: Mercocidades, Metrópolis, C40, Prefeitos pela Paz, Cities for Mobility (CfM), etc. 

Para finalizar, é importante mencionar que tais configurações são apenas dois dos principais modelos de inserção internacional de atores subnacionais. Logo no início desta série de três postagens foi destacado o fato da paradiplomacia ser um tema plural e, genericamente, multidisciplinar. Buscou-se, acima, ver como este processo encontra-se vinculados com outros, destarte, as regiões e as redes. Na literatura especializada sobre integração regional, há a defesa de que os fenômenos integracionistas estimulariam uma maior participação dos governos subnacionais, à medida que impulsionariam um aumento das interações transnacionais entre os países envolvidos. Isto é um novo tema nas relações internacionais e esta vinculação é sempre muito benéfica para o debate. 

Que o desenvolvimento da para…o que? Paradiplomacia! Esperamos que o desenvolvimento da paradiplomacia tanto nos estudos acadêmicos quanto no próprio “fazer da política” continue seu caminho ascendente nas relações internacionais. O futuro promete!


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