Pão e circo

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Desde a Roma Antiga, a expressão “pão e circo” é conhecida como uma prática política destinada a acalmar os ânimos dos cidadãos, sem que fossem articuladas rebeliões contra os governantes. Feriados, atrações, agrados, acrobacias, espetáculos, etc. são alguns exemplos de meios utilizados à época para distrair e inibir o povo em seus anseios políticos.

Mas será que essa prática se restringe aos áureos tempos romanos? Talvez o nome sim, mas o modo de agir certamente não. Em várias situações nos cenários nacional e internacional, esse tipo de manipulação se apresenta das mais diversas formas: eventos esportivos, programas televisivos, notícias sensacionalistas, e tantos outros tipos de “atrações” para a população são visíveis a olhares atentos/esclarecidos.

As tentativas de “pão e circo” que merecem destaque hoje se encontram, desta forma, no cenário mais polêmico da atualidade: o Oriente Médio em meio a revoluções populares históricas. Pelo menos é o que parece estar acontecendo na Arábia Saudita e no Bahrein, com as recentes atitudes de seus governantes receosos de serem os próximos a deixar seus (confortáveis) cargos.

O rei da Arábia Saudita anunciou um investimento social na casa dos bilhões, de forma a conceder subsídios a desempregados; ampliar notadamente os recursos do Fundo de Desenvolvimento que se destina ao financiamento de imóveis, casamentos e negócios aos cidadãos; e aumentar o salário dos funcionários públicos, por exemplo. No Bahrein, por sua vez, foram libertados 23 militantes xiitas acusados de práticas terroristas, adiando ainda processos contra outros presos políticos do país.

Diante de tamanha mobilização popular no Oriente Médio, monarquias e ditaduras – que têm permanecido no poder por décadas – estão se desfazendo por meio de protestos e revoltas que demonstram a vontade de populações silenciadas durante muito tempo. Talvez a política do “pão e circo” tenha sido muito utilizada no mundo inteiro e venha a se mostrar efetiva em diversas situações mesmo atualmente. Porém cabe questionar até que ponto os cidadãos do Oriente Médio ainda se encontram vulneráveis a esse tipo de estratégia, especialmente no momento em que as trocas de informação instantâneas demonstram empreitadas bem-sucedidas de seus vizinhos em situações semelhantes.

Afinal, segundo um provérbio taoísta, “Quanto mais instruído o povo, tanto mais difícil de o governar”… especialmente com base em políticas que evidenciam a fraqueza institucional de governos há muito estagnados no poder – em que se ressalte o impulso de um contexto social de anseios por melhoras significativas na representação popular.


Categorias: Conflitos, Oriente Médio e Mundo Islâmico


6 comments
Bianca Fadel
Bianca Fadel

Que bom, Everton! Volte sempre ao blog para ler e comentar os posts!Abraços!

EvertonBR
EvertonBR

Gostei. Era bem isso que estava procurando .Obrigado !

EvertoBR
EvertoBR

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Anonymous
Anonymous

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Anonymous
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Anonymous
Anonymous

este poste estava do jeito que eu procurava vlw