Palco amazônico, marcha boliviana

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Amazônia. Por si só essa floresta já atrai os mais diversos olhares. Segundo Aziz Nacib Ab’Sáber, importante geógrafo brasileiro, “Trata-se [a Amazônia] de um grandioso anfiteatro de terras baixas, encerrado entre o arco interior das terras subandinas e o Planalto das Guianas e o Planalto Brasileiro”.

E eis que esse anfiteatro está sendo palco de mais uma polêmica discussão ambiental internacional. No momento, a peça em cartaz trata da construção de uma estrada amazônica em território boliviano – com fins estritamente comerciais e financiamento brasileiro.

Mais de mil indígenas nativos da Amazônia boliviana realizam há duas semanas uma marcha contra a construção dessa estrada, potencial causadora de inúmeros danos ao Meio Ambiente, segundo eles. Ao que consta, o projeto inicial da estrada divide ao meio o Território Indígena Parque Isiboro Sécure (TIPNIS), sendo o impacto ambiental a maior crítica dos manifestantes. O diálogo com as autoridades governamentais bolivianas ainda não possibilitou consenso a respeito do impasse, fazendo com que a marcha dos indígenas siga em direção a La Paz, capital do país.

Este não é o primeiro impasse em relação a impactos ambientais e prejuízo à biodiversidade local envolvendo o Brasil que vieram à tona em tempos recentes. Também as obras da usina hidrelétricas de Belo Monte têm gerado enorme discussão e revolta, questionando o custo benefício de um empreendimento deste porte (veja o post no blog sobre o assunto aqui e uma notícia atual aqui).

Como conciliar interesses econômicos com a preservação ambiental? A resposta a esta pergunta parece constituir um desafio diário. Em tempos nos quais o conceito de sustentabilidade tem sido cada vez mais utilizado por empresas e governos para determinar políticas e investimentos, cabe questionarmo-nos até que ponto este assunto se restringe ao âmbito da retórica, sem que efetivamente se reflita em decisões práticas.

A marcha dos indígenas bolivianos ainda deve acontecer por dias até que as possibilidades de diálogo sejam retomadas para a busca de uma solução adequada ao problema. O presidente Evo Morales demonstrou-se disposto a encontrar uma alternativa ao impasse. Resta saber se todos aplaudirão ao final de mais este de mais este desafio em palco amazônico.

[UPDATE: “Após distúrbios, Bolívia suspende construção de estrada que tem recursos brasileiros”, 27/09/2011.]


Categorias: Américas, Brasil, Meio Ambiente


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