Post do Leitor

Post do leitor – Diego Antonio Perini Milão

[Hoje a reflexão no blog fica por conta do leitor Diego Antonio Perini Milão, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), graduado em Direito pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) e bolsista CNPq. Neste ótimo texto, a polêmica atual envolvendo o Corinthians é apresentada sob a perspectiva da soberania, em uma interessante análise. Aproveitem a leitura!]

 

Futebol e o Soberano (não, não estamos falando do São Paulo)

O Sport Clube Corinthians Paulista parece estar cada vez mais “internacional”. Depois da invasão corinthiana no outro lado do planeta e da conquista do título de campeão do mundo, o clube de Itaquera se envolve agora em outra questão de grande relevância global.

Apesar da trágica morte de um jovem torcedor boliviano de quatorze anos provocada por um sinalizador disparado da arquibancada alvinegra, da prisão de doze corinthianos na Bolívia e da dificuldade da imprensa em explicar o motivo pelo qual o garoto de dezessete anos que se entregou como autor do disparo não pode ser extraditado para responder pelo suposto crime (bastaria, ao invés de recorrer a tratados internacionais para tanto, lembrar que a Constituição Federal proíbe a extradição de brasileiros natos), não são esses os fatos, ao menos não diretamente, que constituem o assunto que queremos abordar.

A grande questão está na pena atribuída pela CONMEBOL ao Corinthians, determinando que os jogos do clube na Libertadores ocorressem com os “portões fechados”, e na decisão liminar concedida pela justiça brasileira em favor de seis torcedores, permitindo que esses adentrassem ao estádio e acompanhassem a partida de futebol. Trata-se, assim, de um tema que faz parte do âmago do Direito: no fim das contas, tudo é uma questão de soberania.

Justamente devido ao conflito entre uma decisão da justiça brasileira em respeito ao ordenamento pátrio – baseada no Código de Defesa do Consumidor e no Estatuto do Torcedor – e a determinação de um tribunal (ou juiz isolado) desportivo “supranacional” é que a questão da soberania se coloca. Resta saber qual irá prevalecer. A ameaça de uma nova pena – por parte da CONMENBOL – ao Corinthians justificada pela presença dos referidos torcedores só reforça a problemática.

Seria uma aberração punir o clube por respeitar a lei e uma determinação judicial de seu país (e não, eu não sou corinthiano, nem torço por nenhum time e, pra falar a verdade, nem gosto de futebol). Mas de qualquer forma, se isso acontecer, será uma “bola cheia” para o estudo do Direito Internacional e um cartão amarelo para a soberania brasileira. A soberania do Brasil já foi estraçalhada pela FIFA e por sua Lei Geral da Copa, resta saber se a CONMENBOL sofre da mesma síndrome estadista e, o mais importante, se tem o mesmo “poder”.

Como observa Giorgio Agamben – apesar de um contexto totalmente diferente (mas vou parafrasear mesmo assim, pois o paralelo com o termo lingüístico é mais do que evidente) –, o campo é o lugar por excelência do estado de exceção*. Desse modo, não seria nada espantoso se as leis brasileiras e a soberania nacional fossem suspensas no Pacaembu. E não venham me dizer que a soberania do Brasil estaria mantida mesmo com uma nova pena ao Corinthians imposta pela confederação do futebol sul-americano, argumentando que se trata de um tribunal do órgão que regula o esporte no continente e que a decisão da CONMEBOL prevalece sobre o regulamento jurídico brasileiro e as determinações de seus tribunais. Até onde eu sei (corrijam-me se eu estiver errado), foram apenas os times que assinaram o documento que cria o referido tribunal da CONMEBOL, e não o Brasil, representado pela União, sujeito de direito internacional próprio para assinar tratados e submeter matérias e casos a uma jurisdição internacional. Como exemplifica todo bom professor de Direito Internacional, o Ronaldinho não exerce essa função (o exemplo não poderia ser mais oportuno).

Em uma análise teórica, a soberania brasileira configura-se como um elemento a favor do “bando de loucos”, ou, ao menos, serve para defender os interesses desse. No entanto, a prática costuma se resumir no fato de quem tem mais força para fazer o outro obedecer. Assim, pergunta-se: quem será o efetivo Soberano?

A escolha do juiz da partida nunca foi tão relevante para o resultado do jogo.

*AGAMBEN, Giorgio. Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua I. Tradução de Henrique Burigo. Belo Horizonte: UFMG, 2007.


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Culpado ou inocente?

Por

Fonte: operamundi.uol.com.br

“Nós nascemos iguais…”. Essa frase, dita assim, resume algumas ideias de Alexis de Tocqueville e se remete diretamente a um pensamento histórico norte-americano. Estou falando da chamada Tradição Liberal. Para os estudiosos de Política Externa dos Estados Unidos, tal corrente é algo já há muito sabido. A velha máxima de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” conhecida por muitos faz parte de um movimento mais amplo, mas fácil de entender. É o Excepcionalismo Americano, cujas ideias se resumem da seguinte forma: os EUA são um país diferente de qualquer outro do mundo. Lá, todos são iguais. 

Não é à toa que exista forte patriotismo no país. Fugir desta lógica implica em quebra social e em uma postura um tanto quanto “repressiva” (não sei se este é o termo correto para se aplicar aqui) por parte do governo. É só observar, por exemplo, que em todas as eleições presidenciais norte-americanas existem várias pessoas com aquelas bandeirinhas do país sendo agitadas para todo mundo ver. O mesmo ocorre com os filmes hollywoodianos, quase sempre aparece a bandeira dos EUA em alguma cena. 

Obviamente, tanto a Tradição quanto o Excepcionalismo acabam sendo bem mais um discurso do que uma prática, mas o primeiro influencia o último e vice-versa. Três episódios recentes colocaram boas dúvidas quanto à imagem de “bom mocinho” dos EUA, sejam eles a Prisão de Guantánamo, a Prisão de Abu Ghraib e o caso Wikileaks. Sobre os dois complexos penitenciários, talvez tenha sido bem melhor George W. Bush ter assumido a culpa e afirmar que aquilo fora uma faceta vergonhosa para a política norte-americana. Não o fez e isso feriu ainda mais a moral de seu governo.

Já o Wikileaks vem causando bem mais polêmica na atualidade. A penúltima delas foi, inclusive, tema de destaque aqui na Página Internacional, conforme pode ser visto no texto “Assange no Equador?”. Disse penúltima porque a última é o tema ao qual quero chegar neste texto: anteontem, dia 28 de Fevereiro, o soldado norte-americano Bradley Manning (foto) declarou-se culpado por ter vazado uma série de informações diplomáticas sigilosas dos EUA ao site Wikileaks.

Culpado ou inocente? Há ainda denúncias que colocam Manning como “ajudante do inimigo”, dentre eles a própria al-Qaeda, e, caso a justiça norte-americana confirme esta hipótese, o soldado poderá ter decretada sua prisão perpétua. Não só parece como é contraditório o caso Wikileaks. Manning está preso desde 2010 e seu futuro é incerto. Ele tornou público nada mais nada menos do que 260 mil páginas de documentos sigilosos!

Não há resposta certa para a pergunta do título. Por fim, repito aqui as palavras do parlamentar norueguês Snorre Valen sobre o Wikileaks ser “uma das maiores contribuições para a liberdade de expressão e transparência” no século XXI. E isso não se remete a um dos pilares da Tradição e do Excepcionalismo por mim apontados anteriormente? Na frase “Nós nascemos iguais…”, o “nós” exclui Manning e quem mais colocar à prova a estratégia de política externa estadunidense.


Categorias: Estados Unidos, Mídia, Polêmica


Post do Leitor

Post do Leitor – Victor Uchôa

[O leitor e graduando em Ciências Sociais pela Unicamp, Victor Uchôa, nos brindou com um um excelente texto sobre a política e eleições na Europa. Lembrando a todos que, se quiserem postar na Página Internacional,  basta enviar um texto para [email protected]! Boa leitura!]

As margens da solução

A esperança é a última que morre, afirma o ditado popular sem que ninguém o conteste. Pelo menos até o surgimento da crise econômica europeia. O continente está há meia década mergulhado em problemas sem soluções, tempo suficiente para que fossem feitas as mais diversas análises. Ainda assim, o tema e a crise estão longe de serem esgotados. 

A eleição italiana ocorrida no final de semana foi a mais recente demonstração de como esse momento afeta a confiança da população quanto aos atuais líderes governamentais. Independentemente da vitória apertada da coalização de centro-esquerda, seguida de perto pelo partido conservador de Silvio Berlusconi, o que mais chama atenção é o comportamento do eleitorado quanto à aceitação de partidos até então inexpressivos. Uma coalizão liderada por um humorista alcançou o terceiro lugar e uma forte representação na câmara. 

Desde o início da crise, as eleições em grande parte dos países europeus, com exceção a Grã Bretanha, vêm apresentando uma tendência de crescimento dos pequenos partidos. O caso francês do crescimento do antes secundário partido nacionalista Frente Nacional, liderado pela família Le Pen, é o maior exemplo desse fenômeno. O crescimento das pequenas legendas diante dos anteriormente detentores do poder parece bastante comum. Ainda mais em tempos de crise e piora de qualidade de vida, em que o descontentamento é crescente. Mas se observarmos mais de perto, veremos uma anormalidade. O que não é comum é o posicionamento político desses partidos. 

Nos últimos 20 anos, a política europeia construiu uma forte estabilidade entre as bandeiras defendidas pelos partidos políticos dominantes em cada país. A alternância do poder funcionou mais como revezamento de líderes do que de ideias. Não à toa sempre ouvimos e lemos sobre a vitória de um partido de centro-esquerda, de centro-direita ou de apenas centro. O termo “centro” poderia ser facilmente substituído por “igual ao anterior”. A verdade é que, enquanto governo, foram todos mais ou menos idênticos. Na maioria das vezes a grande divergência entre esses partidos se deu quanto ao alcance das políticas assistencialistas e a dimensão do apoio a políticas liberais, o que definia qual palavra viria à frente do termo “centro”. Isso até a crise. 

A piora econômica não somente desacreditou a população europeia quanto à política. Ela ameaça detonar a convergência de ideias dominantes criada pelos países europeus, e com ela toda a estabilidade. Os partidos que crescem são, na maioria das vezes, os de extrema-direita, marxistas, comunistas ou até mesmo de identidade próxima ao nazismo. Por vezes ocorrem casos menos “ameaçadores”, como foi o italiano, em que a surpresa foi a aceitação da população de promessas populistas. 

A extrema direita foi a que menos amenizou as suas defesas ideológicas para vencer a batalha eleitoral. Ao contrário, as utilizou como trunfo. A afirmação de que as mazelas sofridas pelas nações europeias ocorrem por culpa dos imigrantes, das minorias ou até mesmo de conspirações internacionais contra seus países, como a criação da zona do Euro, são cada vez mais comuns. A Europa ressuscita fantasmas do passado para garantir o futuro. 

O retorno dessas ideologias antes limitadas ao gosto de pequenas minorias sem poder de decisão política abre algumas questões. A convergência de ideias entre os partidos foi por muito tempo contestada como antidemocrática. Até mesmo hoje, quando o sistema financeiro internacional reage mal às pesquisas eleitorais que colocam na liderança partidos fora do estabelecido, há quem enxergue uma imposição de interesses de grupos poderosos sobre a vontade do povo. 

Distante da discussão de que o ressurgimento de certos partidos e ideais segue uma tendência mais plural e democrática de divisão de poder político, uma dúvida mais urgente ainda paira. Com a chegada desses partidos ao poder, teremos mais soluções ao momento difícil da população europeia ou esta será assombrada por outros fantasmas ainda piores? Os partidos fora do centro crescem à custa da esperança do fim da crise. Cabe a eles, pois, a tarefa de fazer com que a população que os elegeu continue acreditando que a esperança é a última que morre.


Categorias: Europa, Política e Política Externa, Post do leitor


Consumidor de Defesa

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A economia do mundo vai mal, especialmente no setor de Defesa. As maiores indústrias militares são de países desenvolvidos, e estão puxando o freio com seus maiores compradores deixando de gastar em armas pra pensar em coisas mais frugais como conter o desemprego. Não deixa de ser um negócio bilionário, mas a tendência é a retração. Por isso destoa nesse cenário a ascensão da Embraer, que vai contra tudo nessa tendência, e diz um pouco de como está esse mercado atualmente. 

Ontem, por exemplo, confirmou-se a vitória da empresa e sua parceira norte-americana para um contrato de venda de aviões de treinamento para a força aérea dos EUA. Já tinha vencido em 2011, mas o processo foi embargado pela concorrente e acabou minguando. O negócio não é apenas um feito incrível, com a entrada no mercado da maior potência militar do planeta, mas garante 430 milhões de dólares no caixa e é mais um sucesso de uma menina dos olhos da empresa, o Super Tucano, em operação da Colômbia à Indonésia. 

A tendência é a melhora, especialmente com a expectativa de vendas do KC-390, aeronave de transporte médio, que deve sair ano que vem e já tem entre prováveis compradores Colômbia e República Tcheca. A maior parte dos clientes desse setor são justamente países onde os gastos militares não tiveram muita redução. A Embraer, inclusive, teria compras infladas pelo próprio governo brasileiro, mas tem um mercado potencial na América do Sul e na Ásia. Ironicamente, a melhora nesse ranking dos fornecedores de armas não acompanha a venda de aeronaves civis, que tem mais abrangência (leia-se, mais clientes que hoje estão em crise) e impacto na renda da empresa (que teve prejuízo em 2011). 

Disso tudo fica a percepção de que bem ou mal as indústrias de defesa sempre têm um porto seguro. Seus maiores compradores são os Estados, e teoricamente nunca vai faltar comprador. O interessante disso é ver que, mesmo em tempo de crise, especialmente na Europa, outras regiões do mundo, especialmente os países periféricos, continuam com os gastos militares a todo vapor. Necessidade ou displicência? A questão é ver até onde aguentam manter esse ritmo.


Categorias: Brasil, Defesa, Economia, Estados Unidos, Paz, Segurança


Comprometamo-nos!

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Pessoas que marcam o cenário internacional constroem suas trajetórias todos os dias. Através de suas obras, decisões e posicionamentos, delineiam o curso da história e reavivam a esperança de melhoras e mudanças positivas. Em um dado momento, porém, estas pessoas inevitavelmente nos deixam, perpetuando-se na forma de seus legados.

E ontem foi a exemplar trajetória de Stéphane Hessel que se eternizou, levando-nos a realizar merecidas homenagens póstumas. Após sobreviver aos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial, este franco-alemão iniciou sua carreira diplomática, fortemente marcada pela defesa dos direitos humanos e de causas humanitárias. Um marco importante foi sua participação na elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, contribuindo, a partir daí, durante toda sua vida para o avanço dos direitos humanos pelo mundo.

Já ao final de sua vida, talvez uma de suas mais importantes contribuições tenha ainda ocorrido: seu livro “Indignai-vos!” (2010) foi um chamado à resistência dos jovens, uma forte crítica para que se indignem contra a situação atual de forte dominação do capital e das altas finanças econômicas. Este livro (disponível aqui), com cerca de quatro milhões de exemplares vendidos pelo mundo afora, foi a inspiração dos movimentos mundiais contra as injustiças sociais e econômicas, tal como os “Indignados” espanhóis.

Mais importante ainda que a indignação, seu chamado ao comprometimento dos jovens representa um esforço que deve ser perpetuado por todos nós, cada qual em seu contexto e através de seus instrumentos. Indignados e inspirados pela trajetória deste pensador, comprometamo-nos, pois, em busca de também fazermos a diferença em nossos próprios entornos sociais. 


Categorias: Assistência Humanitária, Direitos Humanos, Post Especial


Post do Leitor

Post do leitor – William Soares Gonçalves

[O leitor William Soares Gonçalves, da Escola Estadual Profª. Zeicy Apparecida Nogueira Baptista, em Taboão da Serra/SP, participa hoje mais uma vez do blog com um novo post sobre a temática do tráfico. Este assunto já foi apresentado no blog em dois ótimos e recentes posts do leitor (do Victor Uchôa e da Tamiris Batista) e hoje é reforçada em mais essa reflexão. Boa leitura a todos!]

 
 
 
 
 
 
 

A mais pura verdade

Estou mais uma vez escrevendo para o blog, falando um pouco sobre os diversos tipos de tráficos que existem na nossa sociedade nos dias de hoje. Infelizmente esta prática criminosa vem ganhando forças em suas diversas formas de praticidade, o que deixa claro que, quando falamos em tráfico não estamos apenas falando em tráficos de drogas, o qual é bastante noticiado em telejornais.

A prática do tráfico de drogas é, sim, uma das principais que geram “fonte de renda” e também a mais conhecida. O que a maioria das pessoas não sabe é que não existe apenas o tráfico de drogas, mas também os tráficos de pessoas, animais, órgãos, flores, plantas, dentre outros.

O tráfico de pessoas é um assunto muito sério, e que tem alcançado maior repercussão com a exibição atual de uma novela que retrata principalmente este drama (leia mais aqui e aqui). Muitas das pessoas traficadas trabalham como “escravas”, sofrendo exploração – muitas vezes sexual para as mulheres – e demonstrando a gravidade da situação. Estas pessoas, muitas vezes levadas para o exterior, são frequentemente indivíduos que não possuem condições financeiras adequadas e recebem falsas ofertas de empregos para o exterior. Lá chegando, descobrem que o sonho pode virar o pesadelo…

Nesse tipo de tráfico fica a dica: se receber uma proposta de emprego para o exterior, tenha cuidado se precavendo e se prevenindo para evitar armadilhas. Já sobre o tráfico de drogas, devemos nos conscientizar que esse caminho gera muitas desilusões e problemas sociais. Se tiver suspeita de tráficos de animais, órgãos, pessoas dentre outros, denuncie para que os envolvidos sejam responsabilizados.

Links úteis:

 

[1] Disque-Denúncia – Tráfico de Pessoas;

 

[2] Disque-Denúncia – Tráfico de Mulheres;

 

[3] Disque-Denúncia – Tráfico de Animais Silvestres. 


Categorias: Brasil, Post do leitor


Imagem da Semana

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E o centro das atenções no último domingo foi o Oscar. Assim, a “Imagem da Semana” não poderia ser diferente. Só que não estamos falando do tombo na escada da atriz Jennifer Lawrence. Veja abaixo: 

Fonte: AFP/Getty/Fars (theguardian.co.uk)

À esquerda, tem-se a imagem original, na qual Michelle Obama, primeira-dama norte-americana, apresenta o prêmio de melhor filme, cujo vencedor foi “Argos”. À direita, tem-se a imagem mostrada pela mídia iraniana. Lá as mulheres só podem aparecer na TV com o hijab, um tipo de véu islâmico que cobre cabelo, braços e pernas. Considerada manobra política por muitos, a aparição de Michelle foi tomada como segredo de Estado. Ninguém sabia de nada e o Irã aproveitou para tomar a frente nos noticiários outra vez.


Post do Leitor

Post do Leitor – Victor Uchôa

[O leitor e graduando em Ciências Sociais, Victor Uchôa, nos brindou com mais um excelente texto sobre fraudes no meio científico. Dissertações de mestrado, teses de doutorado, artigos emuitas outras produções falsas são o tema desse excelente post. Lembrando a todos que é possível postar na Página Internacional! Basta enviar um texto para [email protected]! Boa leitura!]

O Preço da Ciência

A renúncia da ministra da educação alemã, Annete Schavan, foi o capítulo final de mais uma história envolvendo política e fraudes em pesquisas. A denúncia de plágio de uma figura do alto escalão do governo alemão pegou de surpresa a comunidade científica internacional. Mas a verdade é que os escândalos envolvendo essa comunidade estão se tornando cada vez menos chocantes, dada à quantidade de casos descobertos. 

No Brasil, país um tanto famoso pelo tipo de comportamento a que carinhosamente apelidamos de “jeitinho”, as fraudes científicas e curriculares para a obtenção de vantagens são bastante comuns. No passado recente, até mesmo a então provável futura presidente da República, Dilma Roussef, teve de admitir erros em seu histórico acadêmico, que apontava dois títulos de pós-graduação nunca adquiridos. O currículo do atual ministro da educação, Aloísio Mercadante, sofreu do mesmo engano. Em outro escândalo ainda maior, grande parte da alta cúpula da USP esteve envolvida em denúncias de plágio, alteração de dados, de notas e de todo o possível. 

Problemas com fraudes científicas muitas vezes são mais prejudiciais do que os casos que levam alguma obtenção de vantagem pessoal. Afinal, pesquisas por muitas vezes definem políticas públicas, leis e posicionamentos de grupos de poder, a respeito de diversos temas. As pesquisas sobre o aquecimento global são um grande exemplo. Determinados resultados de pesquisadores, depois de alterados, aumentaram o status do problema de negativo a catastrófico, com verdadeiras projeções apocalípticas para a humanidade em um curto período de tempo. Com isso, doações a grupos envolvidos no tema dispararam, o que fez crescer a descrença nas boas intenções de algumas ONGs e no crédito de alguns cientistas que davam embasamento aos seus discursos. 

Evidentemente, não só entre os ecologistas se escondem os pesquisadores que abraçam as ideias e o dinheiro de determinados grupos enquanto apresentam seus resultados. Talvez esteja na exploração dos campos de areia betuminosa, no Canadá, o caso de enganação científica mais nociva ao planeta atualmente. Com a apresentação de relatórios nebulosos e a omissão de alguns dados, alguns cientistas tiveram papel determinante na vitória das empresas interessadas na exploração da matéria-prima, a despeito da catástrofe ecológica que essa ação pode acarretar. A areia betuminosa, segundo alguns resultados científicos, consegue ser cerca de três vezes mais tóxica e nociva ao meio ambiente do que qualquer outro tipo de produto para combustíveis. 

A utilização política da ciência, inclusive com mentiras, não é nenhuma novidade do século XXI. A Medicina e a Anatomia já foram utilizadas para a comprovação da superioridade de raças, a defesa da eugenia e do papel da mulher como apenas reprodutora e mantenedora do lar, entre outros absurdos. Realizava-se a medição do crânio, algumas partes do corpo, inventavam tantas outras observações, e ali estava a prova. A antropologia é outra ciência de um passado para ser esquecido. O seu nascimento serviu exclusivamente a legitimação de que os europeus dominassem povos primitivos, segundo alguns pensadores “incapazes de cuidarem de si próprios”. 

O aumento das denúncias de fraude assusta. Ainda mais em tempos em que o alcance da ciência e da tecnologia é tamanho, que ações de ambas podem influenciar decisivamente aspectos a vida na Terra, para o bem ou para o mal. O prejuízo de fraudes em pesquisas que servem ao interesse de grupos egoístas pode ser muito maior do que a alteração de quem vai permanecer ministrando cursos em sala de aula, ou que vai obter um cargo na direção da instituição, quem irá trabalhar em um ministério ou ser o próprio ministro.


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Há um ano...

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Há um ano, o blog estava movimentado por temas bastante diferentes entre si…

Primeiramente, em ritmo de Carnaval, a homenagem da escola de samba paulista “Gaviões da Fiel” ao ex-presidente Lula recebeu nossa atenção (reveja aqui). Após um ano, Lula continua estampando capas de revistas e artigos de jornais, porém principalmente devido às denúncias em relação ao mensalão que voltaram à tona nos últimos meses e foram acompanhadas de perto pela sociedade brasileira. O procurador responsável pela investigação de seu caso foi escolhido esta semana, mas suas atividades ainda não possuem prazo de finalização, devido à grande quantidade de material a ser avaliado para levar (ou não) a uma condenação. Será? Resta-nos aguardar.

Também nesta época durante o último ano, a Líbia celebrava as eleições municipais como uma conquista histórica – novidade para o povo líbio, após 40 anos (reveja aqui)! Agora já estamos comemorando o segundo aniversário das revoltas sociais que derrubaram Kadhaffi em 2011. Clima de tensão ainda permanece no país, mas a luta pela descentralização do poder e pela justiça social ainda é grande e parte de um longo processo.

Já nos Estados Unidos, enquanto há um ano avaliávamos que a corrida eleitoral seguia indefinida, hoje Obama luta no momento contra a questão dos cortes automáticos de gastos no país, enfrentando desafios em um segundo mandato durante o qual se aguarda o cumprimento de muitas de suas promessas.

Ainda, uma interessante reflexão sobre o estudo e os investimentos em educação superior no Brasil e no mundo em tempos de crise econômica foi um post dessa época que merece ser relido, mantendo ainda sua atualidade após um ano.

Por fim, há pouco mais de um ano anunciávamos a entrada de Cairo Junqueira como colaborador do blog, reforçando a equipe e contribuindo amplamente para a qualidade dos textos publicados por aqui!

É isso, pessoal, postando e relembrando na nossa Página Internacional! 

 


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Carnes, ovos e tomates

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Protesto contra o governo na cidade de Sofia, na Bulgária

Fonte: Retirado de vídeo disponível em pt.euronews.com


A questão da carne de cavalo comercializada em lasanhas à bolonhesa virou polêmica pelo mundo na última semana. Cogita-se que pelo menos quinze países europeus tenham encontrado traços desta carne não declarada em pratos congelados. O problema não é ser de cavalo, até porque existe mercado pra isso e, por exemplo, o Brasil foi o 12º maior exportação de carne de equídeos (cavalo, jumento e mula) no ano passado. Entretanto, a discussão gira em torno da substituição de uma carne por outra sem aviso prévio e direto ao consumidor. 

E agora isso está sendo descoberto em países do leste europeu. Romênia e Bulgária entraram nesta lista ontem mesmo. É ruim para o mercado internacional e principalmente para dois atores: União Europeia e Brasil. O bloco regional, um dos maiores importadores de carne bovina, está encontrando resistência de consumo. Nosso país, o segundo maior exportador de carne bovina do mundo, poderá encontrar dificuldades comerciais no curto prazo. 

Mas, e os outros ingredientes? Então, voltando à Bulgária, ontem o seu parlamento aceitou o pedido de renúncia do primeiro-ministro conservador, Boiko Borisov. Em razão das medidas de austeridade econômica e do aumento das tarifas de energia, a população ficou revoltada, foi às ruas e protestou veementemente contra o governo. A expressividade foi tamanha que parece ser o maior protesto nos últimos quinze anos. Na capital, Sofia, jogaram ovos e tomates nos prédios governamentais. 

Borisov disse, no dia da renúncia, as seguintes palavras: “The people gave us power, and today we are returning it […]”. Democracia? Talvez sim, talvez não. O que o povo quer é o básico: nova constituição, diminuição dos custos parlamentares, envolvimento civil na política e assim por diante. Nem mesmo a oposição socialista esperava a saída do ministro, mas, às vezes, parece pura manobra política. 

Com carne, ovo e tomate, lá na Bulgária, a princípio, parece que as coisas não terminam em pizza. Isso porque o país é o mais pobre da Europa com salário médio de 350 euros. Mas a batata na Europa continua assando, seja na economia, mais aliviada, ou na política, mais agitada ultimamente.


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