Correria

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Pessoal, desculpem a ausência, a correria está grande…

Bom, Bianca, muito obrigado pelo comentário, você sabe que eu te admiro muito! Apareça sempre por aqui!

Estamos preparando um post sobre a reunião do conselho de defesa da UNASUL, só está meio difícil arrumar os dados…

Só a título de conhecimento, que história é essa de o Evo Morales estar querendo tirar a Coca da lista de drogas da ONU? (Clique aqui)

Pessoal, logo mais sairá um novo post! Até mais!


Categorias: Polêmica


Sobre cartas e escudos…

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Desde 2001, o escudo antimísseis norte-americano tem polemizado especialistas e governantes mundo afora. Começou como projeto lunático da plataforma de governo Bush, reeditando a Guerra nas Estrelas do presidente Reagan, para tornar-se a opção mais sensata para defender os EUA contra um ataque de mísseis balísticos intercontinentais provenientes de Irã e Coréia do Norte, principalmente. O projeto, amparado pela OTAN e acordado com a Polônia e República Tcheca, que hospedariam radares e interceptores, tomou outro rumo depois da eleição de Obama: os EUA estão em cima do muro.

Na quarta-feira passada, o presidente americano Barack Obama confirmou ter enviado uma carta à Moscou, na qual afirma que a instalação do escudo antimísseis na Polônia e na República Tcheca seria desnecessária caso a Rússia ajudasse a impedir que o Irã prossiga com seu programa nuclear. O Kremlin, no entanto, nega que seja este o conteúdo da carta.

O governo Obama vem até agora mudando muitas das pedras fundamentais do antecessor Bush, como no caso da assinatura de protocolos ambientais, leis trabalhistas e o fechamento de Guantánamo. Ocorre que no episódio do escudo, a posição do governo ainda é bastante nebulosa.

Durante a campanha, Obama mostrou-se cético quanto ao acordo assinado em agosto passado entre EUA e Polônia, preocupando autoridades polonesas no que se refere à efetividade do acordo, negociado por um ano e meio e fonte de muita barganha para o país europeu. A incerteza sobre o futuro do projeto americano gerou euforia do lado russo, que abriu portas para o diálogo ao suspender o desdobramento de foguetes táticos no Kaliningrado “já que o novo Governo americano não reforça os planos de colocar elementos de seu escudo antimísseis na Polônia e na República Tcheca”.

Chegou-se a especular que Obama faria o escudo após verificar a relação custo-benefício. Nem bem o presidente americano fez seu primeiro discurso e o seu colega polonês já deu declarações visivelmente desesperadas afirmando que os planos seriam mantidos. Os EUA deram sinais de disposição para retomar diálogo com o Irã; contudo, poloneses exigem uma posição definida sobre as instalações do escudo. A OTAN aceitou retomar relações com a Rússia, e é nesse contexto que surge a declaração do presidente Obama de que sem um Irã nuclear, a defesa antimíssil na Europa é desnecessária.

Ocorre que os EUA encontram-se numa sinuca de bico. O Irã muito provavelmente já tem tecnologia (provinda da Rússia) nuclear bélica: falta o míssil lançador. Agora que convenceram a Europa da necessidade do sistema (e mais que isso, depois que prometeram defesa aos aliados do velho continente), há uma pressão favorável à continuidade de políticas do governo Bush para o Obama, de forma a concretizar o acordo. Por outro lado, se os EUA levam a cabo as intenções da administração anterior, serão contraditórios em vários pontos como a reaproximação com o mundo árabe e a delicada reconciliação entre seu país com a Rússia.

Creio que o Obama vai cozinhar o assunto em banho-maria por um bom tempo, enquanto os maiores problemas de sua administração forem de ordem econômica. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…


Categorias: Política e Política Externa


Ele não sossega…

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Há um tempo ele causou um estardalhaço no mundo ao anunciar que tinha testado armas nucleares. Ficou bravo ao fazerem um bloqueio marítimo que impediu a chegada dos mimos que tanto gostava, entre os quais caviar de esturjão e duas (isso mesmo, sempre em duplas) modelos suecas (isso mesmo, suecas). Agora ele ataca novamente, com caviar, modelo e tudo o que tem direito. E mais, reeleito com 100 % dos votos, nem mesmo o presidente Lula, no alto do bolsa família, seria reeleito assim, só o Saddam… É ele mesmo, Kim Jong-Il.

Pobre daqueles que pensaram que ele tinha sossegado ao ter o país retirado do eixo do mal pelo então presidente Bush ao aceitar um acordo em que desistia de seu programa nuclerar…

Eu, pessoalmente, não acredito que um país pobre como a Coréia do Norte tenha intenções boas em investir em armamentos nucleares enquanto o povo morre de fome. Do mesmo jeito que tenha minhas dúvidas quando um Aiatolá sentado no petróleo e que tem, portanto, energia de sobre, diz que vai investir em energia nuclear para fins pacíficos… Enfim, não vou entrar necessariamente nesse mérito.

O fato é que o problema na Coréia do Norte não é necessariamente eles terem o armamento nuclear. Tudo bem que é caro construí-lo, o investimento em tecnologia nuclear é muito alto. Mas, não adianta se ter uma bomba dessas debaixo da cama. Aliás, perto de si é que não se quer esse tipo de artefato nunca.

O problema é quando se tem um míssil capaz de carregar uma ogiva nuclear, principalmente quando esse míssil é de longo alcance. Porque será que quando o Irã consegue testar um míssil eles gravam, colocam no youtube, vai pra TV e os EUA ficam doidos, principalmente no tempo do Bush e de suas doutrinas de segurança?

No caso da Coréia do Norte, míssil suficiente para atingir os EUA, a Coréia do Sul, Japão, enfim… o suficiente para colocar mais mais lenha na fogueira de uma região com 4 potências nucleares e problemas demais com que se preocupar.

E há com o que se preocupar, sim, pois há uns tempos atrás a Coréia do Norte fez um teste com outro míssil que passou por cima do Japão antes de cair no mar. Quer ameaça maior do que essa? É mole? É mole mais sobe, como diz o macaco simão, e no caso do míssil sobr mesmo, o duro é onde ele vai cair…

Portanto, é isso que está acontecendo por lá nessa semana. O tal do Kim Jong-Il inventou que quer testar um satélite. Os serviços de espionagem da Coréia do Sul dizem que, na verdade, ele quer testar um míssil. E pra complicar ainda mais, é óbvio que não querem deixar ele fazer o teste, que ocorreria bem na época em que EUA e Coréia do Sul estão realizando um exercício militar por lá, olha que coincidência!

Tanto que se cogita, inclusive, que, ao anunciar essa semana que não daria mais segurança ao aviões que sobrevoassem seu espaço aéreo, a Coréia do Norte deixou o espaço aéreo do país limpinho pra lançar o que queria propositalmente, já que as empresas aéreas foram obrigadas a refazer as rotas.

Resumindo, a situação por lá está tensa. A Coréia do Norte está até ameaçando de guerra quem derrubar o tal satélite-míssil… O povo está, como se diz por aqui, de cabelo em pé.

Aliás, o ditador por lá também está de cabelo em pé… clique aqui

Pra descontrair um pouco, olha essas fotos” que eu achei do cara pela internet… o povo gosta dele!

Dançando tango

Em Thriller

Fazendo uma ponta em Heroes

Vestido de matrix

E, pra terminar, pego em uma hora não muito boa…

Até mais!


Categorias: Ásia e Oceania, Estados Unidos


Imagem da Semana

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Olá, pessoal. Desculpem a ausência por hoje. Passei a manhã tentando colocar um podcast aqui no site. Está tudo ok, a partir de semana que vem teremos podcasts semanais! O que vcs acham? Sobre as postagens, bem, não tive muito tempo hoje… Além disso, a Telefônica resolveu ‘brincar’ com a internet aqui de casa e fiquei uns dias offline.

Bom, vamos ao que interessa, post rápido.

Escolhi uma imagem que nomearia como a “imagem da semana”. Mais uma vez, isso é o que eu acho, se alguém tiver alguma imagem para compartilhar, fique a vontade.

Pela polêmica que causou, para os que defendem a decisão pelo marco que representa tanto para os que dizem que se trata de uma daquelas para ‘inglês ver’, acho que esta semana ficou marcada pela decisão oficial do Tribunal Penal Internacional em ordenar a prisão do presidente em exercício do Sudão.

A foto aí em cima está no Estadão (clique aqui). Na ocasião, o presidente do Sudão, Omar Hassan-Bashir, estava com seu tradicional chapéu de penas fazendo um discurso em que desafiava a decisão do tribunal, para mais informações, acesse o link acima.

Bom, pessoal, é isso. Mais umas notícias que achei legais:

Sobre as relações entre EUA, Irã e Síria, demontrando as mudanças do Obama (clique aqui);
Sobre a Rússia e EUA, o recomeço… (clique aqui)
Sobre os pedidos do Lula para o Obama na reunião do dia 14 de março (clique aqui)

Até mais!


Post do Leitor

Post do leitor – Adriana Suzart de Pádua

[Olá, pessoal. Mais uma vez temos um post dos nossos leitores! Desta vez quem escreve é a Adriana Suzart de Pádua, graduanda em Relações Internacionais na UNESP-Franca e membro do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional – GEDES. Redatora do “Observatório de Política Externa Brasileira”. Quer escrever aqui também? Envie e-mail para [email protected]]

Interesses nacionais

Embora esse não seja um espaço acadêmico, optei por recorrer a alguns conceitos teóricos para cumprir um dos objetivos desse blog, que é também, além de promover um espaço para discussão, informar os leigos nas áreas de Política e de Relações Internacionais, para que estes entendam como esses assuntos afetam sua vida.

O conceito que gostaria de tratar aqui é o de Interesses Nacionais. Para tanto, se os autores anteriores me permitirem, usarei alguns tópicos já abordados neste espaço para demonstrar o tema proposto.

Interesses nacionais, ou objetivos nacionais, são aqueles que devem ser atingidos por um país, tanto em âmbito interno quanto externo, visando garantir o bem comum e a segurança da comunidade que o compõe. Isso quer dizer que o Estado, por meio de seu corpo político, eleito democraticamente ou não, deve assegurar que os indivíduos tenham condições de exercer todas suas atividades vitais, isentos de perigos, riscos ou prejuízos de qualquer natureza.

Em tese, os interesses nacionais deveriam ser determinados pela sociedade que integra o Estado-Nação. No entanto, na prática, o que se percebe é que apenas alguns grupos de interesses, por meio de sua influência econômica, política ou cultural determinam os rumos das políticas e metas adotadas pelo Estado.

Dias atrás, um jornal de circulação nacional trouxe uma notícia relatando o otimismo do Itamaraty com a retomada discreta da rodada de negociações para a reforma, com possível ampliação de assentos permanentes e temporários, do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Apesar do desejo antigo do Brasil de compor este Conselho, é a partir de 1993 que essa intenção assume o status de prioridade e passa a ser perseguida como um interesse nacional. Mas por que o status de prioridade em 1993 e não antes? E em que um assento permanente no Conselho de segurança da ONU atenderia os interesses nacionais?

A nova ordem mundial, instalada a partir dos anos 90, abriu a possibilidade de países emergentes, como o Brasil, se manifestarem com maior liberdade no cenário internacional, sob a bandeira da democracia empunhada pela potência do norte. É neste contexto que a reivindicação de ampliação do Conselho de Segurança não só brasileira, mas também de outros países desenvolvidos, ganha corpo.

O interesse do Brasil de fazer parte do Conselho reside na possibilidade de fazer-se ouvir no fórum internacional mais importante na atualidade. Pertencer à elite internacional, sem dúvida, é reflexo de influência e poder, mesmo que sejam apenas potenciais e não reais, como no nosso caso. Digo potenciais porque a percepção de influência e poder passam, antes de tudo, por um entendimento subjetivo do outro.

Não se pode negar que, influência e poder exercidos no âmbito e por meio de uma organização internacional, como a ONU, apesar de eventualmente ignorada como foi pelos Estados Unidos (EUA), confira grande legitimidade às ações tomadas. E é isso que o Brasil busca. Reconhecimento internacional em fórum legítimo.

Mas, e as ações bilaterais ou mesmo unilaterais não atendem os interesses nacionais? Sem dúvida que atendem. Entretanto é preciso pensar no custo/beneficio que trazem. Era interesse nacional dos EUA garantir o suprimento de petróleo do Iraque. Para isso, promoveu a destituição de um governante déspota e de uma guerra, que deveria ter sido rápida e com pouquíssimas baixas, mas que já dura mais do que o desejado e com mais mortes do que as previstas. A consecução desse interesse nacional desagrada mais a cada dia que passa a população estadunidense, que não vê a hora de ter seus soldados em casa, pouco se importando com a obtenção do óleo negro.

Outro exemplo envolvendo novamente os EUA. A invasão do Afeganistão também visou atender o interesse nacional norte-americano de capturar o agressor da pátria, responsável pelo inesquecível atentado às Torres Gêmeas. Bin Laden nunca foi capturado e os resultados dessa ação foram gastos norte-americanos, morte de alguns colaboradores do terrorista e destruição de uma população já sofrida devido a própria condição de Estado afegão. Tenho minhas dúvidas se qualquer país do mundo, em sã consciência se arriscaria a colocar a mão nesse vespeiro sozinho. Certas situações atualmente só são passíveis de resolução sob o respaldo de uma organização internacional, e mesmo assim a duras penas.

Para que as ações bilaterais atendam aos interesses nacionais é preciso que haja antes de tudo consentimento e cooperação. Os EUA “presumiram (?)”, que garantindo seu suprimento de petróleo, estariam libertando uma população oprimida. Mas será que perguntaram para a população iraquiana (não digo a elite) se ela queria se livrar de Saddam Hussein? Da mesma forma, quando pensamos em ajudar Estados falidos como o Afeganistão, visando nossos interesses, temos que primeiro pesar se as consequências dessa ajuda será útil para os dois lados, e principalmente, se será aceita pela outra parte.

A política externa de um país é o seu cartão de visitas. É por ela que um Estado é medido e rotulado. O objetivo brasileiro é exercer influência sem fazer uso da força ou violar a autodeterminação dos outros Estados. Para isso fóruns multilaterais como a ONU são altamente favoráveis.


Categorias: Post do leitor


A tal da Tortura

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Senador Leahy, de Vermont acaba de requisitar uma comissão da verdade (“comission of truth”) para lidar com as acusações de tortura que os EUA recebem diariamente. Diz que nada danificou mais a imagem dos EUA do que o mundo saber que eles “cruzam a fronteira da lei e do poder executivo” para obter informações. Mas só os EUA fazem isso? E até que ponto isso é errado?

Em relação a primeira pergunta, é bem difícil que nenhum país tenha utilizado de meios “não-ortodoxos” para obter informação, exceto é claro, na Disneylândia e no Hopi Hari. Afinal, em situações com baixo tempo de resposta + alto risco é a tendência do ser humano ir alem dos limites de sua moral para garantir a sobrevivência, além da justificativa normalmente empregada “machucar um para salvar vários”. Não estou querendo justificar Abu Ghraib e Guantánamo (longe disso, esses locais são aberrações), mas nós aqui no Brasil não estamos ou acreditamos estar sob ameaça de forças além-mar. Nós aqui no Brasil torturamos sim, não só para obter informações (de forma não oficial, claro), mas para moldar oficiais (quem conhece a formação de militares do Brasil deve concordar com isso).

“Ah! Então é correto torturar?”. 26% dos brasileiros dizem que se fossem policiais torturariam criminosos para obter informações (IBOPE – Mar/08). “Tropa de Elite” foi um grande sucesso, chegando a ser mais sado-masoquista que 24 horas. Ambas obras de ficção que tem heróis fãs da violência com suspeitos.

“Então a tortura ser relativamente legitimada pela população deveria torná-la melhor vista por seus opositores?” Nunca. Obviamente existem limites para essa prática e situações, de certa forma bem definidas, de quando ela deve ser usada, como em casos de extrema urgência ou quando os meios de negociação formais falharem. E apenas em crimes graves que envolvam perdas iminentes de vidas, e assim vai.

Melhor parar por aqui senão podem acusar este que vos fala de apologia à violência ou algo assim. Mas pelo menos pensem se não estão sendo hipócritas antes de tudo.


Categorias: Estados Unidos, Política e Política Externa


Da ação do Tribunal para a inação do Brasil

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[Olá, pessoal. Este post foi escrito em colaboração com o Ivan Boscariol. Os trechos que ele escreveu estão entre aspas.]

É um avanço o Tribunal Penal Internacional ter expedido um mandado de prisão contra um presidente em exercício, isso não se pode negar. Ainda mais que a medida saiu uma semana depois de a mesma corte ter julgado os réus que sobravam da defunta Iugoslávia. No entanto, essa medida é demasiado ineficiente, aliás, é daquelas medidas tomadas por Organizações Internacionais somente pra que não se diga depois que nada foi feito, como quando a Assembléia Geral da ONU vota uma recomendação para que se pare alguma guerra.

(Clique aqui para a notícia. Clique aqui para o blog do Marcos Guterman sobre o Brasil e o Sudão neste caso.)

O Tribunal Penal representa o preenchimento de uma lacuna do Direito Penal Internacional. É uma instituição autônoma, embora mantenha uma espécie de “convênio” com a ONU. É a única corte em que se podem julgar os indivíduos acusados de crimes contra a humanidade, genocídio, entre outros. O único problema é que a Corte é ineficiente.

Em primeiro lugar, o cimininoso em custódia do TPI ou aquele contra o qual foi emitido algum mandado precisa ser entregue ao Tribunal e, na maior parte dos casos, ele encontra-se sobre jurisdição do próprio país em que cometeu os crimes. Em países em que houve mudanças no regime e o criminoso não está mais no poder, como no caso da Iugoslávia, isso não é problema. Acontece que, como no caso do Sudão, o Sr. Omar Hassan Ahmad al-Basir ainda é o presidente em exercíco e, sinceramente, eu acho muito difícil que o governo do Sudão, comandado por ele, aceite o entregar à jurisdição da Corte Penal.

O segundo problema é que o Tratado de Roma está longe de ser um consenso na Comunidade Internacional. “Os EUA, por exemplo, aprovaram um ato que ficou conhecido como “Ato de Haia”, que diz que qualquer norte-americano que for preso internacionalmente por órgãos não reconhecidos pelos EUA devem ser trazidos de volta a seu país, nem que seja a força. Ou seja, se um americano for preso pelo TPI os EUA já tem o ordenamento jurídico que autorizaria uma invasão de território caso o Tribunal não liberte o prisioneiro”

Além disso, o nosso vizinho do norte também pressiona vários estados, sobretudo na África, a aprovarem leis que os impeçam de entregar um americano à Corte em troca de ajuda humanitária. “São tratados bilaterais que que se o país não aceitar, a ajuda militar e humanitária será drásticamente reduzida (o Brasil não assinou e está ganhando 90% a menos do que recebia)” Clique aqui e aqui para mais informações sobre isso.

Então, embora represente um avanço, o TPI tem muito a melhorar. Está prevista para esses tempos uma conferência para revisar o Tratado de Roma, tomara que saia alguma coisa dessa reunião…

Mudando de assunto, para terminar, que palhaçada é essa de o governo brasileiro “reagir” às medidas protecionistas da Argentina adotanto “cotas de exportação”, isso mesmo, COTAS DE EXPORTAÇÃO?! Pois é, mais uma vez nosso governo baixa a cabeça aos argentinos… Ao invés de, pelo menos, fazer uma pressão que seja, o governo já chamou empresários de vários setores para “negociar” um acordo de restrições voluntárias às exportações.Isso tudo porque a Argentina tem adotado uma série de medidas protecionistas contra o Brasil como forma de se defender da crise, se bem que eles já estavam tomando esse tipo de medida antes da crise estourar…

Clique aqui e aqui para algumas notícias.

Ou seja, o nosso governo não somente aceitou o protecionismo da Argentina como também vai institucionalizar isso… É o primeiro caso assim de que se tem notícia. Aliás, não é o primeiro, o Brasil já fez isso antes com resultados não muito bons…

Bom, se alguém tiver alguma coisa a dizer a favor do nosso governo, por favor o diga, de verdade. Essa é a minha opinião pessoal e, obviamente, é passível de críticas. Inclusive, quem quiser fazer um post em que se posicione a favor da nossa política externa, envie para [email protected] que nós publicamos!


Categorias: Organizações Internacionais, Política e Política Externa


Impressões desde os Andes Peruanos

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Querido Alcir,
Desculpe a demora, enfim tomei vergonha na cara e escrevi algo sucinto para postar. (risos)

Gostei da sua sugestão de comentar algo sobre o que é ser Brasileiro aqui em Lima, Peru. Pensei em buscar artigos e temas mais teóricos para dar sustento ao que pensava escrever, mas analisando com mais atenção o blog cheguei à conclusão que o mais adequado seria comentar notícias, impressões e histórias pessoais com relação ao que venho experimentando por aqui.

Já cumpro dois anos em Lima, cheguei justo dois dias depois do terremoto de 15 de agosto de 2007 que teve muita repercussão internacional. Pude sentir as acaloradas histórias de familiares e amigos de como experimentaram o grande susto na capital, felizmente só um susto por aqui. Não tiveram a mesma sorte os moradores das cidades de Ica, Pisco e Chincha, região litorânea ao sul de Lima. Lá sim, diversas perdas humanas foram perdidas, total de 350 mortos e mais de 1000 feridos.

Além disso, cidades praticamente desapareceram do mapa como a cidade de Pisco a 290 km ao sul de Lima onde mais de 70% das habitações ficaram destruídas, ou seja, só ficou o pó das mesmas. Pude comprovar em Ica o grave que estava, estive por lá quatro meses depois do evento fatídico. Lamentavelmente, os trabalhos de recuperação das cidades afetadas ainda estão a passos de tartaruga. É inacreditável que por falta de interesse político e coordenação inadequada permita tal situação “nas coxas”. Só para vocês terem uma idéia do que estou falando vejam a notícia postada no dia 5 de fevereiro no site do diário El Comércio, um dos diários mais tradicionais do país. Clique aqui.

Aí vemos uma demonstração clara do descaso governamental quanto ao atraso na reconstrução das escolas públicas na região de Ica. Enfim, situação não muito diferente que encontramos nas zonas escondidas e esquecidas no interior do nosso Brasil, porém com a diferença que não temos terremotos. Até porque já bastam os “terremotos” diários de corrupção, clientelismos, mentiras e impunidades que recheiam as manchetes dos jornais do nosso país.

Enfim, tomando sua idéia Alcir, minha intenção neste primeiro post, assim como nos seguintes, é comentar minhas experiências e impressões do que é ser brasileira no Peru. Pra dizer a verdade peruano-brasileira já que sou resultado de uma “relação bilateral”, pai peruano e mãe brasileirinha.

Leitores da Página Internacional, podem contar com sua mais nova colaboradora internacional.


Categorias: Américas


Uribe e sua turma

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Todos adoram criticar o Chávez por querer a reeleição “infinita” para a presidência e etc., alguns considerando que suas sucessivas tentativas para atingir tal fim podem terminar por acabar com qualquer chance de estabilidade na América Latina. Já ouvimos até dizer que o “Sim” no referendo foi o pior que poderia ocorrer para nós e etc. Mas mais uma vez devemos prestar atenção em algo grave que está ocorrendo ao nosso redor que está sendo pouco noticiado.

Durante o carnaval saíram notícias em diversos jornais sobre a crise que está ocorrendo no DAS (Departamento Administrativo de Seguridad), o serviço de inteligência Colombiano. Foram denunciadas escutas ilegais realizadas em opositores políticos, na imprensa e até em membros do governo Uribe, incluindo sua secretária particular. Como nós sabemos, pela nossa experiência brasileira no assunto, escutas telefônicas ilegais são um excelente meio para atingir fins políticos da base governista.

O chefe por trás dessas escutas acredita-se ser a única pessoa que tem controle sobre o DAS, o Presidente Álvaro Uribe.

A tese mais aceita atualmente é de que Uribe esteja querendo minar qualquer tipo de concorrência que possa ter em um terceiro mandato, sendo que para essa re-eleição ser possível seria necessário uma mudança na constituição, a la Chávez. Tese reforçada pela instalação de escutas na secretária de Uribe e no Ministro da Defesa, ,altamente cotado para suceder Uribe.

Chega de resumir as noticias da semana, vamos comentar (afinal, é um blog).

É impressionante como um país consegue se esquivar de notícias e comentários simplesmente por ter um governo de direita e aliado dos EUA. Porque dificilmente um país de esquerda conseguiria passar por um escândalo desses sem ter que ouvir os discursos que esquecem a existência do Ato Patriótico. Até mesmo de organismos internacionais que estão mais do que felizes em encontrarem mais um assunto para escrever um relatório ou uma carta de repúdio.

Estamos vendo as ações de um governo que ao lutar contra as milícias paramilitares infringiu leis internacionais, levando a sério o Plano Colômbia. Um governo que constantemente descobre parlamentares e etc. envolvidos diretamente com paramilitares, sejam elas de esquerda ou de direita.

Devemos lembrar de uma característica importante do DAS – essa agência é subordinada apenas ao Presidente, então das duas, uma : 1. Uribe ordenou essas escutas ou 2. ele não tem controle sobre esse Departamento. È difícil saber qual é pior. Lembrando que houve um escândalo de escutas em 2005 relacionados a uma suposta ajuda do DAS às milícias paramilitares de direita.

Será que Uribe realmente ordenou as escutas? Já vimos pela história regentes serem consumidos por uma missão e fazerem de tudo para proteger seu território, sempre caminhando por áreas cinzentas. Seria Uribe um desses? Ou apenas um homem sedento pelo poder, que tem na luta contra as FARC o trunfo que precisa para se manter no poder?

Se essa denúncia fosse no governo Chávez (que certamente deve ter escutas em seus opositores) estaríamos vendo capas de jornais comentar o assunto, revistas semanais com capas estilizadas do rosto do Presidente Venezuelano e assim vai.

E se não foi ele? Ou isso for o provado pelas autoridades? No Brasil isso não deu em quase nada, e duvido que lá vá dar também. No máximo uma notícia aqui e acolá, como sempre…


Categorias: Américas


Queimada, mas orientada…

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[Post rápido. Desculpem não estar mais presente por aqui quanto gostaria, é que as coisas estão meio corridas. Ainda bem que temos colaboradores. Quer mandar um post, uma dúvida ou uma sugestão? O endereço é: [email protected]]

Antes de eu entrar na faculdade, lembro de ter visto uma entrevista com o ministro Celso Amorim. Como sempre, a gente lembra mais das coisas que não tem tanta importância e, de tudo o que ele falou, ficaram na minha cabeça duas ‘curiosidades’.

Amorim disse que viajava muito e, por isso, vivia se queimando nos chuveiros dos hotéis, já que as torneiras eram muito diferentes de um lugar para o outro e isso dificultava a regulagem da temperatura da água. A outra coisa é que, devido a tantas viagens, às vezes ele acordava sem saber onde estava. Se bem que às vezes eu acho que ele está muito bem acordado, mas ainda assim age como se não soubesse em que mundo está…

Bom, se é verdade que quem viaja muito se queima (sem ser pejorativo), uma que deve estar toda queimada é a Hillary Clinton, que, desde que Obama assumiu, está viajando bastante. Agora mesmo ela está no Egito e já passou pela Ásia.

Isso tudo sinaliza a mudança de foco da política externa do governo Obama. Mandar o chanceller pra algum lugar em início de governo quer dizer muito. E a Hillary foi pra China, por exemplo, pra uma reunião preliminar sobre mudanças climáticas, algo impensável no governo Bush. Aliás, Obama também tem sinalizado que está mesmo disposto a negociar um novo acordo sobre mudanças climáticas, e tem também tomado medidas internas sobre o mercado de carbono, algo muito bom.

Essa viagem quer dizer muito: mostra que os EUA estão dispostos a negociar, e, além disso, mostra que a Ásia e a China têm um peso importante para seu governo.

Além dessa, o governo Obama também anunciou hoje a intenção de reduzir os subsídios agrícolas, o que certamente vai dar muito pano pra manga ainda porque o lobby do setor agrícola é muito forte no congresso e não vai deixar essa passar assim tão fácil.

Pois é, pessoal, a Hillary deve estar se queimando pelos hotéis por aí. Tomara que, ao menos, ao contrário do nosso ministro, ela saiba onde está…


Categorias: Estados Unidos