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Não tinha como deixar de ser, e o tema deste podcast, desta vez mais curto que o último, foram as declarações do presidente Lula, amplamente criticadas pela imprensa do mundo todo. Assim, acabamos mais ridicularizados e criticados, e o Brasil perde chances de mostrar que é um país que pode ser levado a sério.

Nosso presidente está mais por fora que cotovelo de caminhoneiro…

Clique aqui para ouvir ou acesse pelos links ao lado.

Até mais!

PS.: Esse post coloca a minha opinião pessoal sobre o assunto (Alcir Candido). E, obviamente, é passível de críticas e opiniões divergentes.

A culpa é sempre dos outros

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Segundo Lula, a culpa da crise é dos brancos de olhos azuis. Além disso, o presidente disse que nunca viu um baqueiro negro ou índio.

Sobre isso, sugiro que leiam o primeiro post da Página Internacional, chamado “Cuspindo no Prato que Come” aqui.

Além disso, não deixem de ouvir o comentário de Carlos Alberto Sardenberg na CBN de hoje de manhã aqui.

[desculpem a correria hoje!]


Categorias: Brasil, Economia


Quem quer dinheiro?

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A ONU anunciou que quer 1 trilhão de dólares do G-20 para combater a crise internacional. Segundo Ban Ki-moon, Secretário Geral das Nações Unidas, o mundo precisa de pelo menos US$ 900 bi para financiamentos aos países em desenvolvimento, uma vez que esse é o valor que, segundo dados do Banco Mundial, deverá deixar de ser ofertado a esses países.

Ainda hoje o presidente Lula junto o primeiro ministro Gordon Brown, do Reino Unido, anunciou que querem criar um fundo de US$ 100 bi para apoio às exportações.

Sinceramente, eu não acho que se deva deixar os bancos quebrarem, as exportações despencarem por falta de financiamentos, enfim. Não se pode jogar pro buraco o sistema financeiro internacional assim tão facilmente, as conseqüências para o mundo seriam catastróficas.

No entanto, é engraçado que agora todo mundo tenha dinheiro pra criar fundos, ajudar bancos, pagar bônus de executivos, enfim (veja um post legal aqui). Há um ano, se alguém ousasse pedir US$ 100 bi que fossem para um projeto assistencial de grande impacto na África certamente seria rechaçado…

Aliás, no ano passado, ainda em tempos de bonança, o que a Casa Branca mandou pra África foi uma quantia de menos de 4 bi de dólares. BEM menos do que os trilhares de dólares já investidos pelos EUA no salvamento de instituições financeiras e empresas ineficientes. E essa pequena ajuda já causa um impacto tremendo no continente, tanto que a popularidade do presidente Bush lá ainda é alta. Veja um post nosso comentando o assunto aqui.

Tem coisas que não se entende com tanta facilidade. No período de maior crescimento da economia mundial não se tinha dinheiro. Agora, durante a maior crise dos últimos 70 anos (como se gosta de falar), aparece dinheiro de todo lugar. Ele não deveria estar sumindo agora?


Categorias: África, Economia, Estados Unidos, Organizações Internacionais


Escrevendo certo por linhas tortas

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No início deste ano o Brasil fechou um acordo com a Bolívia para que fossem comprados 24 milhões de metros cúbicos por dia (mcd) de gás natural dos bolivianos.

Foi uma chuva de críticas contra o nosso governo, uma vez que a demanda aqui não estava passando de 19 mcd. O dinheiro podia estar sendo gasto na sáude, na educação, enfim, mas preferimos não contrariar o vizinho.

Pois é. Mas o Brasil é mais malandro. Embora tenha se comprometido formalmente com os bolivianos a comprar 24 mcd, compramos hoje somente 20. Ou seja, está-se dando uma de esperto pra cima deles.

Há quem diga que Deus escreve certo por linhas tortas, e o Brasil está tentando fazer o mesmo. Escrevendo certo ao comprar o que realmente precisa, ainda mais em tempos de crise, mas nas linhas tortas ao contrariar acordos firmados.

Isso, obviamente, só tem conseqüências ruins. Em primeiro lugar, reforça entre os vizinhos a idéia de que o Brasil só quer se dar bem às custas deles. Isso vai ter as devidas implicações quando precisarmos de apoio para qualquer coisa no âmbito internacional. Eles simplesmente não vão apoiar, como sempre fazem.

Em segundo lugar, como a gente quer que eles (não só a Bolívia) cumpram contratos se o Brasil não cumpre às escondidas?

Por fim, tem uma implicação interna. Pra onde está indo esse dinheiro que o Brasil disse que ia gastar com o gás? Eu não sei quanto a vocês, mas imagino que não está na educação nem na saúde.

O Brasil tem de parar de ter medo de contrariar os outros pra conseguir apoios que não existem e colocar suas posições de forma firme e pública. Assim se tem respeito.

É isso aí, pessoal, Deus escreve certo por linhas tortas porque ele é Deus, nós mortais devemos escrever mesmo certo e bem em cima das pautas.

Veja a notícia toda aqui.


Categorias: Brasil


Qualquer semelhança NÃO é mera coincidência…

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Normalmente se retratam santos, como no caso acima o São Benedito (que é o da direita, não custa ressaltar), com auréolas.

Acho que não preciso detalhar muito o que símbolo da presidência dos Estados Unidos está fazendo aí atrás da Cabeça do Obama no dia em que ele detalhou seu pacote trilionário (que animou muito os mercados, diga-se de passagem). Essa é daquelas fotos raras que simbolizam tudo, do tipo que vale por mais de mil palavras.

Espera-se de Obama o mesmo que se espera dos santos…

Bom, não vou me ater muito ao pacote do Obama, quem deseja mais detalhes, ouça o comentário do Carlos Alberto Sardenberg na CBN de hoje de manhã aqui.

E veja aqui também o post em que citamos o artigo de J. R. Guzzo chamado ‘Não adianta rezar a Santo Obama.

*A foto saiu na capa do jornal Valor Econômico de hoje e, também não custa ressaltar, foi um lance pego por um fotógrafo sem que, acredito eu, tenha sido intencional por parte da Casa Branca.

E não se esqueça dos podcasts, link aí do lado!


Categorias: Economia, Estados Unidos


‘Change’ nem sempre é fácil

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[Pessoal, não se esqueçam dos podcasts! Os links estão aqui do lado]

A “The Economist” da semana passada trouxe uma reportagem interessante para aqueles que esperam mudanças na política dos EUA para a África. Seu título já diz tudo: “Não espere uma revolução”.

Faz todo o sentido. Em primeiro lugar, Bush desfruta de uma popularidade ainda alta na África, segundo a revista. Muitos programas, entre os quais o PEPFAR (muito polêmico mas que dá muito dinheiro, veja detalhes aqui em inglês), injetaram quase 4 US$ bi em 2008.

Além do mais, a situação na África é espinhosa demais. Em primeiro lugar tem a questão do Sudão. O presidente do país está com mandato de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (veja aqui posts do nosso blog sobre o assunto). Acontece que Bush foi um ferrenho opositor do TPI e não dá pra mudar as coisas assim de uma hora pra outra, além disso, pega mal para os africanos um presidente negro perseguindo outro, segundo a The Economist.

Na Somália o negócio não é diferente (veja mais sobre a Somália aqui). Os EUA apoiou durante o governo Bush a invasão da Somália pela Etiópia a fim de derrubar os rebeldes islâmicos que estão extra-oficialmente no poder por lá. De repente, Obama provavelmente continuará apoiando a Etiópia, o que é mais fácil do que enfiar a mão no vespeiro da Somália.

Novamente, há outro ninho de vespas por lá, o Quênia, nação do pai do Obama. O país sempre foi um aliado chave dos EUA na África, mas a situação está esquentando, o país tem ficado instável e, dificilmente, o novo presidente americano vai querer enfrentar os custos políticos e econômicos de apagar o fogo no Quênia.

Assim, é muito mais provável que haja continuidade nas políticas americanas para a África do que mudanças, seja pelo trabalho de Bush, seja pelos custos de se fazer mudanças.


Categorias: África


Imagem da semana

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Essa é daquelas!

O Putin, no tempo em que ele trabalhava para a KGB espionando o presidente Reagan, e olha o visual de turista dele. E esse menino? Nada como o tempo para fazer as coisas aparecerem…

Quer mais detalhes? Clique aqui.

Essa foi a imagem que mais me chamou a atenção nesta semana. E aí? tem alguma sugestão? [email protected].

E não se esqueça do nosso podcast! Os links estão aqui embaixo e do lado.


Categorias: Post Especial


Podcast

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Finalmente ele saiu! Clique aqui.

Agora, sim, temos nossos podcasts!

Na primeira edição, comentamos a chegada e as conseqüências políticas da Crise para alguns países da América do Sul.

Você, claro, está convidado a baixar e a ouvir, são só 13 mb, não vai matar a conexão de ninguém! E, aqui do lado, está o link direto para ele e, quando houver mais, para os próximos.

E, quem quiser comentar, criticar, corrigir, enfim, fique a vontade comentando aqui.

Estamos recebendo sugestões para a próxima edição em [email protected]

Ouça o comentário de Arnaldo Jabor citado no podcast aqui.

Atualização: veja aqui os principais pontos do pacote de Chávez. O aumento da gasolina não saiu…

Esse tem cara de gente!

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Olá, pessoal. As declarações do Obama para o Irã de fato foram muito impactantes. Renderia um bom post. Mas eu acho que o Marcos Guterman escreveu um post tão bom, chamado ‘O Grande Satã estende a mão’ (veja aqui), que eu me isento de postar sobre isso.

Mas ela estava entre nós hoje, e isso também é muito importante. A bela e elegante presidente da Argentina Cristina Kirchner esteve hoje no Brasil, em uma reunião da FIESP sobre oportunidades de negócios entre Brasil e Argentina.

Os poucos que esperavam que algo importante sobre a recente tensão comercial e a moleza do Brasil para com a Argentina fossem comentados se decepcionaram. Nenhuma novidade, nada do que a gente já não saiba. O Brasil tem pressionado o setor privado a negociar, produto a produto, setor com setor, cotas de exportação com a Argentina, e é isso que vai ocorrer, vamos baixar a cabeça de novo.

O pior é que a contrapartida que o Brasil espera da Argentina diz respeito ao desvio do comércio. Isso é muito simples. Nós deixamos de vender para lá e eles começam a comprar de outros países, como a China, que tem custos muito menores. Ou seja, o que era para proteger a indústria local acaba piorando ainda mais a situação, uma vez que o comércio se desvia beneficiando outro que nem da região é. E parece que a Argentina não quer barrar a entrada de produtos chineses…

Mas, pra variar, quem chamou mesmo a atenção foi nosso presidente. Talvez abalado pela queda em sua popularidade, ele resolveu ‘improvisar’.

Isso aqui não é um convento de freiras, são duas nações soberanas (sobre as tensões comerciais entre Brasil e Argentina. O que ele tem contra as freiras?)

Agora os EUA têm um presidente com cara de gente (sobre o fato de os Estados Unidos terem um presidente do povo, que fala como a gente, etc.) – Sem comentários.

Concorda que agora eles têm um presidente que tem cara de gente? E os outros, cara de que tinham?


Categorias: Américas, Brasil, Oriente Médio e Mundo Islâmico


Raposa Serra do Sangue

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O STF aprovou hoje a demarcação contínua da Raposa Serra do Sol. O problema é que a reserva está em uma área de fronteira. Não entrarei no mérito da decisão em termos da ‘dívida histórica’ que temos com os índios. Vou apenas comentar tendo em vista as questões internacionais.

Tudo bem que há um certo zum-zum-zum. A fronteira é com a Guiana e a Venezuela, não há risco imediato de que por ali entrem tropas que ameacem seriamente a soberania nacional. O problema é o precedente que isso abre. Além do mais, há outro problema maior, que é a atuação de ONGs com ‘más intenções’ junto aos índios, os problemas de exploração ilegal de minérios, enfim, isso é inegável.

O fato é que, uma vez demarcada, a reserva ficará impenetrável para quem não foi índio. Eu quero só ver se alguém vai entrar por lá sem provocar um conflito. Mas o nosso judiciário é muito mais esperto e já previu isso. Colocou entre as 19 condições da demarcação a de que a União, o exército, enfim, poderão entrar na reserva. Podíamos fazer um teste: levar o Gilmar Mendes com o texto da decisão lá na semana que vem e ver se ele entra…

E eles ainda criaram outro problema: os arrozeiros não vão deixar o local tão facilmente, mesmo o STF tendo ordenado a saída IMEDIATA. Há índios trabalhando nas fazendas ainda. Enfim, o clima está criado para mais um conflito. E fronteira ruim é fronteira conflituosa.

Não importa se a fronteira tem índio, branco ou quem quer que seja, desde que esteja povoada por brasileiros (e com a expulsão dos arrozeiros isso se complica, uma vez que os índios não são suficientes para ocupar a região) e em paz. E isso pelo jeito está longe de acontecer por lá.


Categorias: Brasil