Pactuando…

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Os EUA e a Índia assinaram hoje acordos de cooperação militar, espacial e científica. O principal deles permite aos Estados Unidos verificar o uso de transferências de tecnologia militar para a Índia. Segundo o ministro de Relações Exteriores da Índia, Krishna, os dois países encontraram novas vias para um “diálogo significativo” em temas como mudança climática, desarmamento e não-proliferação nuclear.

É sabido que a Índia possui tecnologia para construir armas nucleares, mas nunca assinou o Tratado de não-proliferação de armas nucleares – TNP (quer saber mais sobre isso? Clique aqui). O mantra da não-proliferação têm sido entoado desde 2005, por ocasião de interesses em acordos com – advinha quem? – os EUA. Palavras vazias, até agora.

Em 2006, após 30 anos de boicote, os Estados Unidos reconhecem a Índia como potência atômica e assinam acordo de cooperação nuclear para fins civis. Para alguns, um tratado ‘histórico’, brilhantemente estratégico por contrabalancear a crescente influência chinesa na região e permitir que os EUA tenham o seu ‘pézinho’ fincado na Ásia. Para outros, uma afronta à comunidade internacional, já que possibilita a um país não-signatário do TNP produzir legitimamente ogivas nucleares. O acordo de 2006, no entanto, levanta perguntas: como continuar condenando o Irã pelo desenvolvimento de arsenal nuclear depois disso? A desculpa de que a Índia é uma democracia e o Irã não é muito esfarrapada. E o Paquistão? E se quisessem algo parecido?

Bem, o Paquistão, com seu histórico de conflitos com a Índia, capacidade nuclear e igualmente não-signatário do TNP, exigiu que os Estados Unidos alcançassem um acordo similar ao aprovado com a Índia para cooperação nuclear. Aí fica difícil…

Mas estamos em 2009 e a administração dos EUA está por conta do Obama. Mudanças? Bem, agora vem essa nova edição de acordos, numa época em que a Índia vai renovar boa parte da frota de sua Força Aérea. O negócio atinge a cifra de US$10 bilhões, com americanos, russos e europeus na arena. Sobre as armas nucleares, segue o discurso morno da Índia e a aquiescência dos EUA.

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