Ou isto ou aquilo?

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[Esse post poderia ser sobre o Brasil e o Oriente Médio, ou a intenção do Chávez de controlar a internet, mas esses vão ficar pra depois, mesmo porque o post do Giovanni dispensa maiores esclarecimentos. Dessa vez, vou comentar um assunto que veio à tona essa semana: a não-sexualidade].

Norrie May-Welby (may well be, trocadilho para ‘pode ser’ em inglês) nasceu na Escócia e foi registrado como homem. Aos 23 anos, ele passou por um tratamento hormonal e cirurgias para mudar de sexo, e foi registrado na Austrália como mulher. No entanto, Norrie ficou insatisfeito com a mudança e interrompeu seu tratamento, preferindo denominar-se “neutro”. Segundo ele,”Não me encaixo no conceito de homem ou mulher. A solução mais simples é não ter nenhuma identificação sexual”. O governo do estado de Nova Gales do Sul, então, emitiu uma certidão de “Gênero Não-Específico” a Norrie May-Welby, o que na prática significa que o governo não reconhece Norrie como homem ou mulher.

A transexualidade é classificada pela OMS como um transtorno de identidade de gênero, tem causas médicas e psicológicas, e ocorre quando uma pessoa, nascida como homem ou mulher, encontra-se insatisfeita com seu próprio gênero por identificação com o gênero oposto. A mudança de sexo é o extremo dessa condição. A França, esse ano, foi o primeiro país a retirar a transexualidade da lista de doenças mentais.

Esse ponto levanta uma discussão. Há muito, é difícil afirmar que as coisas são ou não são, que existem duas opções apenas, que o mundo é bipolar. Segundo muitos autores, nossa realidade contém várias em uma só. Nada é um dado, tudo pode ser múltiplo. O que é o real, afinal de contas? Essa é uma das muitas perguntas que buscam desconstruir a objetividade e o referencial que possuímos sobre dos mais variados aspectos. O mote aqui é subjetividade e simultaneidade, podendo um elemento significar diversas coisas, sem prejuízo de conceituação.

À parte da [bem superficial] explanação acima, parece que o conceito de simultaneidade realmente está sendo levado às últimas conseqüências. Talvez a resposta para esse caso seja uma androginia, pois poderia ser uma mistura de dois sexos, não sendo nem um, nem outro. Os dois gêneros, gênero como ‘indeterminado’, assexualismo (e você que pensava que isso era coisa de anjo, hein?).

Ah, Cecília Meirelles… Quem disse que só se pode ser isso ou aquilo? Se a moda pega, qual vai ser o próximo país a adotar tal medida? E se antes buscava-se uma terceira via, qual seria o terceiro sexo?


Categorias: Polêmica


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