Otimismo x Ação?

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“Being an optimist does not mean simply looking at the world through rose-tinted glasses, and declaring everything to be for the best, despite an endless array of misfortunes. Being an optimist, as I see it, means to refuse to make do with the status quo, and instead to consciously look for ways to make the world a better place and help address the practical challenges faced by people here and now. I call this ‘optimism by action’, and I believe that such a philosophy of life can provide the catalyst for our much-needed transformation to sustainable development”.

(Mikhail Gorbachev)

Otimismo: característica notadamente importante àqueles que acreditam em mudanças e trabalham para torná-las possíveis. Ação: meio através do qual tais mudanças se manifestam. Seriam estas duas palavras contraditórias? Em tese, não. Na prática, freqüentemente sim. A infindável discussão em busca de consenso acerca de um acordo ambiental para suceder o Protocolo de Kyoto que o diga…

O desenrolar (mal-sucedido) destas discussões desde 2007 já foi abordado aqui no blog (vejam os seguintes posts, por exemplo: 1, 2 e 3) e sabe-se que o desenvolvimento deste acordo tem predominado apenas no plano das idéias há meses, sendo que poucos foram os avanços dignos de destaque na mídia. Contudo, ao adotar-se o otimismo, deve-se acreditar que tais avanços são possíveis, desde que a mobilização político-estratégica internacional aos poucos volte sua atenção a esta demanda.

Deve-se destacar que, ao longo do século XX, vivenciou-se no cenário internacional uma considerável expansão da consciência ambiental, sendo que, segundo Castells, teórico de importância destacada para a análise das Relações Internacionais, a presença constante de temas ambientais na mídia dotou-lhes de uma legitimidade bem maior que a atribuída a outras causas. Entretanto, não basta que exista otimismo e legitimidade apenas no plano teórico enquanto na prática os obstáculos às ações efetivas ainda se mostram tão amplos.

Hoje foi anunciado pelas Nações Unidas que haverá uma “sessão extra” de negociações com a presença de representantes de quase 200 países na capital asiática de Bangcoc durante o mês de abril, precedendo a sessão já anteriormente prevista de conversações durante o mês de junho na Alemanha e no final do ano na África do Sul. Este será mais um momento em que as partes poderão avançar nas discussões para a efetivação deste acordo até o final de 2011. Seria esta uma perspectiva exageradamente otimista? Talvez sim… porém urge a busca por ações que possibilitem a assinatura deste acordo internacional com metas plausíveis para o desenvolvimento sustentável durante a próxima década.

Diante do caos climático vivenciado em tantas partes do mundo de maneiras tão distintas – provocando secas, enchentes e catástrofes de amplitude notável – espera-se que seja possível, a exemplo da citação inicial deste post, construir a perspectiva de “otimismo pela ação”. Apenas desta forma estes conceitos essenciais podem deixar de parecer antagônicos e virem a se complementar, almejando-se que os Estados busquem esta construção no sentido de promover avanços na discussão ambiental (e em tantas outras áreas de atuação).


Categorias: Meio Ambiente, Organizações Internacionais