Os quatro elementos

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Ar, fogo, água e terra. Eis os quatro elementos. Místicos e repletos de significações. Pensou-se até mesmo que esses elementos eram formadores da matéria, na medida em que eram combinados. No entanto, ponto comum entre as mais diversas interpretações sobre eles é que eram imprescindíveis à vida. Em tempos recentes, carregam também uma faceta da morte e da destruição.

No começo do ano, uma agência de meteorologia previu uma temporada mais intensa de furacões em relação a 2009, devido à diminuição do fenômeno El Niño. Mal saiu a previsão e já ocorreu o primeiro furacão, o Alex, entre o México e o sul do Texas. Pela terra, os terremotos no Haiti e no Chile permanecerão como uma triste lembrança por um bom tempo. A água e fogo resolveram se manifestar também. Não bastasse o Nordeste brasileiro ter enfrentado chuvas torrenciais devastadoras, agora é a vez do Paquistão. Chegou a 1.500 o número de mortos e excede 3 milhões o de desabrigados e afetados pelas inundações. A Rússia vive a pior onda de calor, desde junho, e o fogo anda tomando conta de seu imenso país: há mais de 500 focos de incêndio cobrindo uma área de 170 mil hectares (cerca de 10% do território russo), que já ceifou a vida de 41 pessoas.

Materialmente, estes elementos não se combinaram de maneira positiva. Não obstante, do ponto de vista hermético ou exotérico, acredita-se que os elementos perfazem um ciclo. Ar: mundo das idéias, origem. Fogo: transformação. Água: emoções inconscientes. Terra: manifestação concreta. Portanto: Ar -> Fogo -> Água -> Terra. Em algumas situações da política mundial, é preciso que o ciclo se complete, como o anúncio de Obama do cumprimento da retirada do Iraque, findando uma guerra desnecessária. Noutras, o elemento fogo deve agir imediatamente, de modo a evitar a deflagração de um conflito entre Israel e Líbano, Colômbia e Venezuela, ou a discriminação européia para com os imigrantes, algo erroneamente suposto como nocivo à integração. São coisas que precisamos acreditar vendo, nos dizeres do Sílvio Santos, recuperada no belo post do Ivan (aqui).

Do ar, veio também uma das iniciativas mais belas que o mundo assistiu (aqui): crianças palestinas, numa manifestação pela paz e pela vida, tentaram quebrar o recorde do número de pipas empinadas simultaneamente, perfazendo um total de 7 mil, em Gaza (não tenho a informação se conseguiram):

Da matéria às idéias, os quatro elementos encontram as suas analogias na política internacional. Muitas vezes, perdura a dúvida se boas idéias se materializarão. Mas é bom tê-las. Assim demonstra Galeano na metáfora utopia/horizonte: quanto mais se corre em direção ao horizonte, mais ele se afasta. Porém, ele está lá, como uma referência, e não se pode deixar de caminhar.


Categorias: Meio Ambiente


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