Os novos caminhos para a questão ambiental

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Meio Ambiente
A discussão acerca da temática ambiental ganhou relevância nas últimas décadas; não é mais exeqüível um projeto de desenvolvimento, seja econômico, social ou mesmo cultural, dissociado da análise apurada dos seus respectivos impactos no Meio-Ambiente. Neste sentido, pode-se inferir que o desafio do século XXI estará inevitavelmente subordinado à sustentabilidade. Veja o artigo de Ki-moon.

Em recente artigo na revista Time, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon expressou sua preocupação com relação à política internacional, na qual o mundo parece ser levado de crise a crise. Não é de todo surpreendente, portanto, que uma corrente pessimista gere uma visão sob a qual os problemas mundiais seriam impossíveis de dirimir. Contudo, ancorado na sua experiência diplomática, o sul-coreano avista possíveis caminhos, à medida que os problemas levados a discussão na comunidade internacional sejam tratados como intrinsecamente conectados.

Muitos dos desafios enfrentados, tais como a fome e os conflitos armados, têm ligação com questões ambientais, como o aquecimento global, e por isso enfrentar suas causas poderia ensejar benefícios em outras áreas. De forma expressa, Ban Ki-moon defende que a base em que se deve ancorar a segurança e paz para todas as nações é a segurança econômica e social, baseada em um desenvolvimento sustentável.

Com efeito, a valoração da problemática ambiental é chave para as Relações Internacionais durante o século XXI, uma vez que tem emergido uma clara percepção de ameaça existencial, a qual deve ser objeto de securitização. A necessidade de um concerto internacional efetivo decorre da própria natureza da ameaça que se apresenta, a qual justifica medidas extraordinárias para controlá-la. A concepção de segurança é abrangente, e o seu objeto não está circunscrito a esfera militar, mas também a garantia a soberania política, combate às ameaças advindas do setor financeiro, a manutenção de identidades culturais coletivas, assim como ameaças de rompimento do equilíbrio do meio-ambiente.

Tal corpo de preocupações é a base para as regulamentações dos Direitos Humanos no pós 2ª Guerra Mundial, tendo como parâmetros Tratados e Convenções Internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1966) e a Convenção Americana de Diretos Humanos (1966). O relacionamento dos seres humanos com a biosfera pode ser sustentado de maneira a não arriscar o colapso dos níveis de civilização atual, e de forma a resguardar o legado biológico ao usufruto das próximas gerações.

Muitos tratados e convenções existem, a mera existência pouco significa. Muitos destes são desrespeitados sem maiores constrangimentos. Seria diferente com a questão ambiental? Os países em desenvolvimento querer ancorar seu rápido crescimento nos mesmos princípios que nortearam o dos países ditos desenvolvidos. Vide a China, cresce, mas submete sua população a cidades entre as mais poluídas do planetas. O caminho para as discussões estão abertos, no final do ano ocorre uma nova conferência na Dinamarca. Já carregam o fracasso do encontro em Poznan, no final de 2008. Veja mais aqui.

O Brasil, usando a projeção internacional recente, pode e deve ter papel mais ativo na definição das novas diretrizes para o quanto mudanças climáticas. Isso poderá alçar-nos a uma posição de maior influência junto à comunidade internacional. Nosso principal trunfo: o uso de fontes energéticas renováveis. Nosso principal problema: construção de usinas nucleares e termoelétricas baseadas no carvão, além do incentivo pesado a indústria automobilística contra a crise econômica. Nesse jogo ambiental, todos apontam o “amigo” como responsável, e no final ninguém abre mão de seus próprios interesses. Quer saber mais? Veja aqui.

A economia verde não é somente uma questão de sustentabilidade, mas uma oportunidade de negócio também. A GE (General Electrics), através do CEO Immelt já enxergou um novo nicho de mercado, os produtos “verdes”, ou de baixo impacto no Meio-Ambiente. Os consumidores estão sensíveis a esta temática, e estarão dispostos a pagar mais por menos impacto ambiental.

Novos caminhos para o Meio-Ambiente podem oferecer alternativas à crise econômica também, ou até mesmo, como defendem alguns, a ter evitado, exemplo disso é Friedman: veja aqui.

Já é hora do jogo de empurra-empurra acabar. Enquanto o G-8 se reúne e discute metas para redução de emissões, fica claro que pouco ou nada de concreto deve ser feito, como usualmente. São poucos os indícios que avanços significativos surgirão até Copenhague, mesmo frente às grandes demandas da sociedade civil organizada. Sofrem mesmo os países com menos infra-estrutura para enfrentar desastres naturais, como no caso recente de Cuba, e os que têm a economia baseada em fatores sensíveis a mudanças do clima. O caminho está aberto, cabe agora o Brasil tomar atitudes em políticas públicas que o coloque como líder na temática, e que ajude a construir novos mecanismos para a redução do processo de aquecimento global.


Categorias: Direitos Humanos, Economia, Meio Ambiente


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