Os males de Mali

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A próxima moda do noticiário de intervenções armadas vai ser o Mali. O que surpreende um pouco já que a coisa estava feia por lá desde o ano passado (e pouco se comentou por essas bandas). Como havia comentado em outro post, o Mali se tornou uma espécie de mini-Afeganistão, com grupos islâmicos radicais ligados à Al Quaeda tomando a porção norte do país e com tudo levando a crer que formariam um novo santuário terrorista. Pra evitar maiores problemas, a ONU deu um aval tácito a uma intervenção e só faltava alguém para sujar as mãos. Quem se voluntariou foi a França, que justificou a ação com base em “estar em guerra com o terrorismo” (já não vimos isso antes?) e o fato de o Mali ser uma ex-colônia, o que incorreria nesse “dever” histórico de ajuda. Claro que tem outros interesses por trás, e a França não se faria de rogada pra fazer propaganda bacana dos Rafale. 

O fato é que os ataques começaram na semana passada pra valer, com bombardeio a campos de treinamento e coisas do tipo. A expectativa é que a intervenção acabe em coisa de semanas, mas a julgar pelo histórico desse tipo de expediente é bom pegar uma cadeira pra ver o que vai rolar. Países como Reino Unido e EUA estão ajudando (novidade), o CS da ONU vai discutir o assunto nessa semana para dar respaldo e até mesmo tropas africanas (lideradas pela Nigéria) se preparam para entrar no Mali e conter a insurreição. 

É mais uma questão de manda quem pode, obedece quem tem juízo. Mesmo que haja problemas de legalidade na ação francesa (e toda aquela questão de soberania), quem vai impedir? A impressão que fica é de que a ação é “boa” pra todo mundo (que não seja a Al Quaeda), então tanto faz, nessa terra de ninguém da política internacional que é a África subsaariana (apesar de ficar na região do Saara…enfim, é aquele caos que todos conhecemos). Ironicamente, o único resultado concreto, até agora, foi a troca de uma possibilidade de ameaça pela certeza dela, já que os grupos que tomaram a região anunciaram que a França está atacando o Islã, e vão revidar. Sacrebleu!


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