Os lêmingues

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Não hão nada que possa ser dito sobre os lamentáveis atentados na França que já não tenha sido comentado nesses últimos dias. Hoje, a caçada humana teve fim, com os irmãos suspeitos pela chacina do Charlie Hebdo sendo mortos em uma fábrica e apesar de notícias inconclusivas, os reféns de um mercado judaico em Paris teriam sido libertados, também com a morte do sequestrador, em ações simultâneas.

É necessário muita cautela com relação a notícias dadas em tempo real. De barrigadas a imprensa da era da internet está cheia. Mas o que se sabe é que os envolvidos em ambos os casos possuíam ligação, e existe uma tendência preocupante nisso tudo. Me valho de um exemplo tolo, mas que é bastante ilustrativo dessa dinâmica. Sou um cara grande, então quando vou a algum evento onde se pague ingresso para comer, como feiras e jantares comunitários, faço o máximo para aproveitar, o que às vezes significa repetir o prato. É interessante reparar que, após a primeira rodada, geralmente as pessoas se sentem pouco à vontade para entrar na fila novamente. Eis que fiz uma aposta com meu pai certa vez – “vou entrar na fila, e vamos ver o que acontece”. Dito e feito: logo após surgir na fila com o prato em mãos, outras pessoas começam a seguir até que se forme uma nova fila para os repetecos. Não sou nenhum especialista, mas sei que existem vários estudos sobre psicologia de multidões que reforçam esse tipo de dinâmica: na ausência de liderança, basta alguém fazer o papel de vanguarda para que outros sigam.

Para o bem ou para o mal, o ser humano é social, e tende a repetir comportamentos. E infelizmente é o que vimos nesta semana – sem novidade alguma: desde os tiros em Columbine, cresceram assustadoramente os ataques armados a escolas e afins nos EUA. Para um fenômeno como o terrorismo, que atualmente pode surgir de maneira “espontânea” com agentes independentes (lembrem dos atentados em Boston, na Austrália, e por aí vai), vemos como basta um único atentado para inspirar outros a segui-los. Infelizmente, podemos esperar que mais eventos dessa natureza possam acontecer em outras partes da Europa nos próximos dias ou meses. Como os lemmings (ou lêmingue, um simpático animal com fama injusta de ser suicida), do jogo eletrônico, em que as criaturas seguem instruções para seguir objetivos mesmo que isso cause sua morte, os terroristas do futuro estão à espera desses pequenos estímulos, impulsos, para que executem sua tarefa abominável.


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