Os homens da bomba

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Atacar uma embaixada é uma das coisas mais baixas que se pode fazer quando pensamos em Direito Internacional. Afinal, imunidade diplomática é tradição que vem lá do início da formação do Estado moderno, em que os governantes precisavam começar a criar laços de confianças sem que seus emissários voltassem cheios de flechas nas costas (quando voltavam). Isso vale até hoje e não é definido por nenhuma regulamentação específica, mas um costume. Isso por mais estranho que seja – eu e mais dois colaboradores desse mesmo blog lembramos bem da vez em que um carro de placa azul passou a um palmo de nós atravessando uma avenida (e sem se preocupar muito com o resultado, pelo visto).


E eis que as embaixadas de Israel na Índia e na Geórgia foram alvo de bombas (apesar de só uma ter explodido). Como sempre acontece aquele déjà vu, pra variar o Irã está envolvido. Israel acusa o Irã de ter patrocinado os ataques. O Irã rebate… dizendo que foi Israel. Eu não duvido de nada – ainda sustento aquela minha teoria da conspiração de que Israel soltou presos do Hamas pra que voltassem a atacar e justificar uma ação mais dura. Ao mesmo tempo, o Irã já tem precedentes com aquele vandalismo na embaixada do Reino Unido. Mas seja quem for que ordenou isso escolheu uns capangas bem atrapalhados. A ação até pareceu coisa de filme de James Bond (com suspeitos grudando um “dispositivo magnético” com a bomba em um dos casos), mas o fato de uma bomba ter sido desarmada e de no outro terem visto claramente quem as colocou significa que os terroristas foram bastante descuidados… ou queriam ser vistos? Como nesse tipo de ataque o que pesa mais é a repercussão que o dano em si, acho que poder causar esse tipo de especulação já pode ser considerado um sucesso pra eles.


Aliás, esse negócio de atacar missão diplomática não está dando certo faz algum tempo – basta lembrar aquela história do ataque planejado ao embaixador saudita dos EUA em que tentaram contratar traficantes mexicanos pra executar o serviço e acabaram encontrando um agente do FBI disfarçado (e no fim das contas o caso caiu no esquecimento…). Ou aquela história meio mal-contada dos ataques a embaixadas na Síria (que assim como o caso das embaixadas de Israel, não se sabe ainda quem foi, seja vândalos ou forças do governo, que instigou isso). Mas parece que esses últimos anos deram início a uma tendência nada saudável na relação entre alguns países.


No fim das contas, os panos quentes entram em cena, e a intenção provavelmente é chantagear ou intimidar o outro lado. A não ser que seja uma matança muito escandalosa ou em escala suficiente pra causar uma guerra, quem está envolvido não vai correr o risco de perder um dos meios mais eficientes (e, muitas vezes, derradeiro) de negociar com os demais Estados, e o dano fica mesmo pra quem acaba vitimado por esses atentados. Nesse jogo, perde quem não tem nada a ver com isso.


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