Os emergentes queriam voz, agora têm

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Pois é, pessoal. Amanhã começa a tal reunião do G-20, tão falada e aclamada.

Sobre a reunião em si, não vale a pena comentar muito, já há muito sendo falado sobre isso. Mas é claro que não poderíamos deixar de tratar desse assunto aqui no blog.

Em primeiro lugar, não adianta esperar muito dessa reunião. Nos bastidores, e o ministro Mantega já até falou sobre isso, costura-se um acordo para colocar US$ 1 tri na economia mundial (aliás, como se tem falado em trilhões esses tempos, né? Clique aqui e veja esse artigo legal no site na Gazeta Mercantil). Veja aqui a notícia completa sobre isso.

Peraí? Mas eles vão colocar 1 trilhão e não se pode esperar muito? Sim, uma vez que não deverá haver nenhum acordo amplo que traga alguma mudança significativa ao atual sistema de modo a evitar novas crises. Como já postamos aqui quando do encontro do Lula com o Obama (veja aqui), há muitas divergências no entendimento de como enfrentar a crise, e isso impedirá um acordo.

O que mais me chamou a atenção mesmo, e aqui a diferença na nossa abordagem, foram os protestos em Londres. Antigamente, os protestos eram nas reuniões do G-8. Se essa crise trouxe algo que possa ser visto como bom, foi o fim, pelo menos por enquanto, de uma cúpula minúscula que decidia por todo mundo.

E isso pode ser visto pelas declarações dos presidentes sobre a reunião de amanhã. Nunca se esperou tanto dos países emergentes e hoje (ou amanhã, no caso) eles têm a chance de mostrar que podem fazer algo. Por isso os protestos, até os manifestantes já perceperam que o papel dos emergentes para o capitalismo (contra o qual eles protestam) é mais importante hoje.

Agora esperemos pela reunião! Enquanto a reunião não começa, veja aqui o perfil econômico dos países do G-20. Vale a pena.


Categorias: Economia


5 comments
Alcir Candido
Alcir Candido

Então, Flexa. Na verdade, esses protestos sempre ocorrem em reuniões do G-8 e até outras do G-20 após a crise. Na verdade, o que eles entendem é que o problema de tudo é o próprio sistema capitalista, pelo menos do jeito que ele é hoje, que leva a todos esses problemas de desigualdade, pobreza, miséria, enfim. E, como sempre, quando é necessário $$ pra fazer programas de ajuda, de combate à fome, etc. há sempre a alegação de que não há esse dinheiro.Agora, no entanto, o dinheiro apareceu. E apareceu não para ajudar diretamente as pessoas, mas para ajudar instituições bancárias que sempre lucraram muito (muito mesmo) e agora recebem dinheiro dos contribuintes para se salvar. E é exatamente contra isso tudo que se protesta. No cartaz inteiro que ilustra este post mesmo, está escrito: Contem pros líderes do G-20 QUE NÓS NÃO VAMOS PAGAR PELA CRISE. Em outros dizem que eles não são culpados, etc. O que se entende, portanto, é que a reunião não tem por objetivo ajudar a todos. Pelo contrário, tem o intuito de ajudar algumas instituições chaves para manutenção de um sistema que só provoca desigualdades e mais crises.Ajudou agora? Eu pessoalmente discordo disso tudo, mas eu entendo o protesto dessa forma. Se alguém ler esse comentário e discorda de mim, por favor, dê sua contribuição.

Jonathan Flexa
Jonathan Flexa

Ficou mais claro a importância da reunião do G20 e a voz que os países emergentes têm agora devido à crise. Mas meu inglês é péssimo, ainda não entendi o motivo que levou pessoas ao protesto numa reunião onde o objetivo é ajudar todos.

Alcir Candido
Alcir Candido

Então, Flexa, acho que não fui claro. Os protestos contra a reuniaõ do G-20 acontecem porque hoje se entende a importância que os países emergentes têm para o capitalismo. Antes os protestos aconteciam na reunião do G-8, grupo das 7 maiores economias mais a Rússia. Quem tem voz hoje são os países emergentes nos fóruns internacionais, dentre os quais o Brasil, por isso o (nós, brasileiros) queríamos voz, agora temos. Não estava me referindo aos manifestantes, mas ao fato de que desde o início da crise os países do G-8 tem dado mais importância ao G-20 do que ao próprio G-8 e os contra capitalismo perceberam isso tb. Ficou mais claro agora?

Jonathan Flexa
Jonathan Flexa

Vi reportagens sobre os protestos na TV, mas não entendo o motivo. Aliás, você mencionou a oposição ao capitalismo... Mas o que um emaranhado de pessoas com faixas contribui para o encontro do G20? Os manifestantes por acaso pensam que seria escolhido um representante entre eles para ter voz na reunião? É claro que vale a pena protestar, mas não vejo “funcionabilidade” nesse manifesto, além de atrair os holofotes para Londres antes de iniciado o evento.